Pedágio: Uma tarifa indigesta




A maior reclamação dos caminhoneiros, com relação às estradas, é o pedágio. Preço alto, muitas praças, pouca distância entre elas, enfim, menos dinheiro no bolso.

Mas como é calculado o valor do pedágio? Segundo a Artesp – Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo, o cálculo das tarifas de pedágio é feito utilizando-se o conceito de tarifa quilométrica, que corresponde a um valor fixo por quilômetro multiplicado pelo trecho de cobertura da praça. Sendo assim, a presença de várias praças de pedágios em uma mesma rodovia não implica no aumento do valor a ser pago, mas sim, no fracionamento do valor total.

O valor fixo é compatível com o nível de investimentos e serviços operacionais previstos para a rodovia. Às vezes, se tem a impressão de que duas rodovias têm valores de pedágio diferentes, o que não é correto. Na rodovia dos Imigrantes, o valor do pedágio é de R$ 20,10. Porém, esse valor é relativo à ida e à volta, o usuário só paga em um único sentido. O valor por quilômetro do Sistema Anchieta-Imigrantes é exatamente o mesmo nos demais sistemas rodoviários do Estado (Anhanguera-Bandeirantes e Castelo-Raposo): R$ 0,163015 (dezesseis centavos por quilômetro).

Este sistema de um padrão único foi estabelecido desde o início das concessões rodoviárias, em 1998, no qual em todas as rodovias estaduais vigora o modelo de cobrança quilométrica.

Novo sistema

A partir deste ano, será implantado o projeto piloto do Sistema Ponto a Ponto, um novo modelo de cobrança de pedágio que viabiliza o pagamento por trecho que efetivamente for percorrido. O projeto piloto faz parte da política de transportes desenvolvida pelo Governo do Estado que tentará trazer uma tarifa mais justa ao usuário.

Funcionará com a instalação de nove conjuntos de pórticos com antenas ao longo da rodovia Santos Dumont (SP 75) no trecho entre Itu (km 15) e Campinas (km 77,6). Os pórticos fazem a leitura automática de etiquetas colocadas nos veículos, que os identificam e registram a cobrança. Essa tecnologia já é utilizada nos Estados Unidos e em outros países. Nesta fase do projeto piloto, os usuários poderão optar em aderir ao novo modelo ou continuar no modelo atual, pagando nas cabines.

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Também serão implantadas cabines específicas para usuários do novo sistema de pedagiamento eletrônico já existente na praça de barreira na altura de Indaiatuba, SP, e nas duas praças de bloqueio na mesma cidade. O modelo de praça de pedágio com cobrança similar ao automático já existente e cobrança manual será mantido.

A ideia de se cobrar o pedágio por trecho percorrido tem como objetivo tornar a distribuição da cobrança mais justa para os usuários das rodovias paulistas. Este projeto piloto é um teste para avaliar impactos do uso do novo sistema de arrecadação automática de pedágio, cobrança pelo modelo de fluxo livre de multipista.

Segundo a Artesp, os benefícios desse novo sistema são muitos, entre eles, realizar uma cobrança mais justa, onde o usuário pagará por uma distância mais próxima ao trecho percorrido por ele.

Oferecerá um modelo mais moderno, confortável e eficiente ao usuário, reduzindo as distorções do modelo de cobrança em vigor, buscando a justiça tarifária. Com início de uma “operação real” do sistema, será possível avaliar a satisfação do usuário com o novo modelo, identifi car fatores de risco no novo modelo e no relacionamento entre o poder concedente, concessionárias, gestoras de pagamento e usuários.

O teste do projeto piloto do Sistema Ponto a Ponto funcionará através de pórticos distribuídos ao longo da rodovia que farão a detecção dos veículos. Nos pórticos, antenas vão ler as etiquetas instaladas dentro dos veículos e o valor do trecho percorrido será debitado da conta informada pelo usuário. O teste terá duração estimada de até um ano e um dos intuitos do projeto piloto é exatamente o aprendizado para definir as condições de replicar o modelo em todo o Estado.

A princípio, nessa fase de teste, apenas os moradores das cidades diretamente afetadas pelo trecho do projeto piloto do Sistema Ponto a Ponto (Indaiatuba, Cabreúva, Campinas, Itu, Porto Feliz, Salto e Sorocaba) poderão testar o sistema. Esses moradores deverão ter seus veículos devidamente licenciados nestes municípios até 2010. O proprietário que aderir ao teste piloto deverá ter algum serviço financeiro como conta bancária ou cartão de crédito para que a cobrança seja efetivada.

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A expectativa é que ocorrerão reduções de custos que contribuirão para uma diminuição tarifária num futuro próximo. A adesão ao projeto piloto proporcionará uma cobrança mais justa, uma vez que todos pagarão por trechos usados. Por exemplo: o usuário que utiliza com certa frequência a praça de pedágio de Indaiatuba e paga pela tarifa cheia, mas não percorre o trecho todo, passará a pagar apenas pelo trecho percorrido. Para quem não fizer parte do piloto, a cobrança se mantém como é hoje, na praça de pedágio de Indaiatuba, onde ele pagará a tarifa cheia: R$ 10,10.

Inicialmente, haverá um posto de instalação das etiquetas na própria rodovia que faz parte do piloto. O local ainda será definido. A divulgação da localização do posto de adesão/instalação será realizada através de mídia eletrônica e falada (jornais de circulação da região, sites do Estado, da concessionária, pela Artesp, além de banners e faixas instalados ao longo da rodovia). Não haverá nenhum custo ao usuário. O usuário deverá fazer a carga inicial da etiqueta para uso imediato com adesão a um plano de pagamento. A carga inicial de crédito é obrigatória.

A leitura da etiqueta ocorre com a passagem do veículo debaixo do pórtico em qualquer velocidade. Mas é preciso respeitar os limites de velocidade estabelecidos para a rodovia: 110 km/h. Nos pórticos trânsito livre não há necessidade de frear, sendo necessário respeitar o limite máximo conforme a velocidade determinada na rodovia. Nas praças de pedágio já existentes hoje continua o limite de 40 km/h.

Os usuários que não aderirem ao projeto piloto do Sistema Ponto a Ponto permanecem pagando a tarifa cheia de R$ 10,10 por eixo comercial ou por veículo passeio ao passar pela praça de pedágio do km 60,8 em Indaiatuba.

Fonte: Revista Caminhoneiro




4 comentários em “Pedágio: Uma tarifa indigesta

  • 08/06/2014 em 14:16
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    O governo nao consegue fazer sua parte.Pagamos imposto para ter rodovias boas,bem cuidadas.Se vao privatizar,entao nao cobra ipva.Nao podemos ser passados para tras duas vezes né.

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  • 03/10/2012 em 12:47
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    O blog do caminhoneiro deveria ter uma janela onde o motorista pudesse colocar o local de origem e destino e o sistema informar quanto ele vai ter que pagar de pedagios.

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  • 23/04/2012 em 16:10
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    Boa tarde
    É,realmente os pedágios são abusivos.Más e a SEGURANÇA?ninguem fala?Quando eu digo SEGURANÇA,não é só contra assaltos não,além deste fato que as autoridades fazem pouco caso tem também os “DROGADOS,ALCOOLIZADOS,ANFETAMINADOS e os INRRESPONSSÁVEIS etc…”que destroem suas próprias vidas(que na verdade são insignificantes),como também a FAMILIA de outros companheiros que trabalham certos.Aqui na minha cidade por exemplo existe VÁRIOS “MOTORISTAS”que não tem nem CNH compatível,portanto sem QUALIFICAÇÃO,dirigindo bi-term,rodo-trem etc..com categorias que variam de C e D,e as atoridades não tomam conhecimento,isto ainda pode causar GRANDES DANOS a população.Eu gostaria,não de prende-los mas que alguém os ORIENTASSEM deste GRAVE comportamento,que pode causar a eles tanto quanto aos outros a DESTRUIÇÃO de famílias inteiras.Se querem trabalhar com este tipo de equipamento,tudo bem,porém DEVEM se PREPARAR E HABILITAR com respeito e dignidade, e boa viagem.
    Obs:Não contando com os “FILHOS” de PAPAIZINHOS,INABILITADOS,MENÓRES que andam “QUEIMANDO pneus e dando CAVALOS-DE-PAU,na cidade.

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