Tecnologia a serviço dos profissionais do volante

A revolução tecnológica provocada pelo surgimento dos computadores brindou vários profissionais com máquinas e equipamentos que otimizaram e transformaram completamente a forma de trabalhar. Algumas profissões sequer imaginam como seria a atividade hoje, sem o uso da informática.

Até quem vivia de transportar os produtos frutos da indústria tecnológica, hoje se beneficia dos recursos oferecidos pelo universo digital. Com cavalos mecânicos que transpiram tecnologia, os caminhoneiros passaram a ser comandantes de verdadeiras centrais eletrônicas motorizadas.

As novidades começaram com a chegada dos motores eletrônicos, que estão presentes em quase todos os caminhões atuais. Depois, vieram a checagem digital de falhas, o GPS, os rastreadores por satélite, só para ficar em alguns exemplos.

Toda essa parafernália praticamente extinguiu a inspeção diária, sagrada para a maioria dos caminhoneiros, que consistia em levantar a tampa do motor, puxar a vareta do óleo para verificar o nível. Hoje, a conferência do nível de óleo lubrificante, do óleo do motor e do nível da água estão ao alcance dos dedos das mãos nas teclas do painel.

Para Agripino Cosmo de Oliveira, que trabalha como caminhoneiro há 28 anos, a profissão já não tem os braços abertos para qualquer um que se atreva a dirigir. “Quando eu comecei não havia a modernidade de hoje. Os motores eram mecânicos.

LEIA MAIS  Muitos fretes disponíveis para Baú ou Sider em Cordeirópolis-SP

Para a pessoa se tornar caminhoneiro bastava saber dirigir. Atualmente, os caminhões têm computador de bordo e os motoristas precisam ter o domínio da tecnologia”, afirma. Na opinião dele, o mercado de trabalho atual, só tem espaço para as pessoas com habilidades de se relacionar com o mundo digital.

Uma diferença constatada no uso dos caminhões mais modernos ocorre em relação à parte mecânica. Antigamente, eventuais problemas eram solucionados na estrada. O motorista parava o caminhão no acostamento, abria o capô e resolvia com as próprias mãos qualquer eventual falha mecânica.

Hoje, a tecnologia possibilita que o motor seja escaneado por computador e qualquer pane facilmente identificada e resolvida. “Até a regulagem do motor é feita por computador. Qualquer parte do motor que apresentar problema é consertada com o uso de algum equipamento eletrônico”, afirma Oliveira.

Apesar de exigir mais qualificação para os motoristas, a tecnologia proporcionou mais comodidade e segurança no transporte de cargas. Aparelhos de GPS são instrumentos eficientes na hora de rodar por estradas desconhecidas e o uso de rastreadores por satélite auxiliam as transportadoras a monitorar a frota e a identificar onde se encontram os veículos nos casos de eventuais assaltos nas estradas.

Mitos e contos

A tecnologia só não auxilia os caminhoneiros que se deparam com as famosas histórias de fantasmas de mulheres loiras pedindo ajuda na beira da estrada. Agripino Cosmo de Oliveira, há 28 anos na profissão, diz nunca ter passado por situação do gênero, mas revela ter vários colegas caminhoneiros que não passam nem perto de Paranavaí (a 75 quilômetros de Maringá) durante a noite, para evitar encontrar alguma personagem assombrada de histórias que contam naquela região.

LEIA MAIS  Tabela de frete não vai resolver problema do excesso de caminhões

Mais segurança

Foi justamente graças ao uso da tecnologia de rastreador por satélite que o caminhoneiro Agripino Cosmo de Oliveira permanece na profissão até hoje. Ele conta que no ano passado foi vítima de uma tentativa de assalto enquanto passava a noite na boleia do caminhão estacionado no pátio de um posto de serviços.

“Acordei no meio da noite com o barulho da janela do motorista quebrando. Quando dei conta já havia um homem pulando pra dentro do caminhão e me rendendo. Eles acabaram me abandonando junto com o caminhão, porque não conseguiram desbloquear o sistema de rastreamento.

A tecnologia foi minha aliada e salvou a minha vida”, conta Oliveira. Apesar de ter saído ileso, ele diz que, desde então, quando precisa parar em algum pátio de posto de serviço para passar a noite fica cheio de preocupação.

Fonte: O Diário de Maringá