Transportadoras investem para cumprir a lei do descanso




A lei de trânsito que prevê descanso para quem trabalha nas estradas já está provocando reflexos em Uberlândia. Os empresários estudam aumentar o quadro de motoristas de caminhão e repassar os custos disso para os clientes. Para os motoristas, a lei é uma forma de prevenir acidentes.

A regulamentação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 2 de maio e estabelece que os motoristas terão que descansar 30 minutos a cada quatro horas de trabalho. Também é obrigatório um intervalo mínimo de uma hora para refeição, repouso diário de 11 horas por dia e um descanso semanal de 35 horas. O controle das horas será feito por meio do tacógrafo, aparelho que fica instalado no caminhão.

Para Júlio Cesar Borges um motorista cansado pode causar acidentes e exemplificou o caso. “Nós tivemos uma palestra com a Polícia Rodoviária e nos falaram que o cansaço equivale a duas garrafas de bebida. A partir deste fato temos que nos conscientizar e parar mesmo”, afirmou.

Apesar de concordar que o descanso vai promover benefícios, o motorista Antônio Machado salientou que a viagens vão ficar mais demoradas. “A gente descansa, mas a viagem vai se prolongar mais”, disse.
Custos e demora no atendimento

Para implementar a lei na transportadora que administra, o empresário Lindomar de Oliveira afirmou que vai ter que contratar outro funcionário e os custos vão refletir no bolso do cliente. “Teremos um acréscimo de 20% e vamos repassar para os clientes. Alguém tem que pagar pelo benefício”, ressaltou.

A empresa de transportes do empresário Edison Campelo Rocha não terá aumento nos gastos, mas confirmou que as entregas ficarão comprometidas. A solução, segundo ele, será avisar os clientes. “Nós vamos avisar ao cliente que a mudança dele não vai chegar no tempo que ele quer”, contou.

Deveres

A lei também impõe deveres aos motoristas, como ficar atento às condições de segurança do veículo, dirigir com prudência e também obriga os motoristas a se submeterem a testes e programas de controle de uso de drogas e bebida alcoólicas.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas do Triângulo Mineiro (SETTRIM), Ari de Souza, ressaltou que a fiscalização também é necessária para que os deveres também sejam cumpridos. “Temos que contar com a colaboração dos agentes de trânsito e policiais rodoviários para fazer cumprir a lei”, afirmou.

Infraestrutura

O empresário Abud Cecílio Domingos, dono de uma transportadora, concordou com a regulamentação, mas questionou a infraestrutura nas rodovias que também comprometem a viagem. “No estado do Mato Grosso vemos caminhões parados mesmo sem a lei. Encostar um bitrem com quase 20 metros é sinônimo de encher o pátio dos postos de combustíveis com facilidade”, concluiu.

Fonte: G1 Minas Gerais




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