Indústria quer isenção total para veículo elétrico

por Blog do Caminhoneiro

O governo já tem pronto o projeto que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos elétricos e híbridos no Brasil. Mas algumas montadoras mantêm seus representantes em Brasília para convencer o governo a diminuir também o Imposto de Importação.

O projeto elaborado pelo Ministério da Fazenda, que prevê a redução da alíquota de 25% do IPI de forma gradual, condiciona o incentivo à incorporação de componentes brasileiros no veículo, à utilização de pesquisa brasileira e à produção efetiva do veículo no país.

Antecipada em outubro, a fórmula que estimula essas novas motorizações no país faz parte do novo regime automotivo. Quanto maior a utilização de conteúdo nacional, menor será a alíquota do imposto.

As montadoras interessadas no incentivo insistem, porém, para que também o Imposto de Importação seja reduzido. Elas argumentam que não conseguiriam produzir em escala sem antes testar o mercado com carros produzidos em outros países. Com a decisão do governo de elevar em 30 pontos percentuais o IPI dos carros com menos de 65% de conteúdo nacional – em vigor desde dezembro -, a carga tributária dos híbridos ou elétricos passa de 120%.

Desta vez, no entanto, o lobby da indústria ganha peso à medida que mais empresas defendem os incentivos. A resistência de alguns fabricantes hoje é menor do que há dois anos.

Em maio de 2010, um encontro do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a imprensa para anunciar um programa de estímulo ao carro elétrico foi cancelado minutos antes sob o argumento de que Lula pedira mais tempo para conhecer a proposta. Naquela ocasião, também pesava contra o programa a falta de consenso entre as montadoras.

A Toyota é uma das empresas que trabalha para acelerar a criação do incentivo e de incluir a redução do Imposto de Importação. A montadora se prepara para daqui a quatro meses começar a vender no Brasil o modelo híbrido Prius, importado.

Segundo fontes do governo, a Toyota já teria mostrado interesse em produzir o Prius no Brasil. A empresa não confirma informação. O grupo Renault – Nissan e a Mitsubishi lideram a frente das empresas interessadas especificamente nos incentivos para veículos 100% elétricos.

Segundo fontes da indústria, ao ver o projeto, há pouco mais de uma semana, a presidente Dilma Rousseff teria solicitado um detalhamento mais preciso de como esses veículos funcionam.

No projeto elaborado pelo Ministério da Fazenda, os incentivos contemplarão dois tipos de veículos: os chamados elétricos “puros”, que dependem de carregamento de energia das baterias, e os chamados híbridos, que contam com dois motores – um a combustão serve tanto para movimentar o veículo em si como para carregar o elétrico.

O uso de um ou de outro depende, basicamente, da velocidade e necessidade de potência. No carro híbrido, o motor elétrico funciona bem na cidade e o outro, a combustão, é útil em estradas.

No caso dos elétricos, o sistema de carregamento em tomadas leva entre quatro a oito horas para que as baterias do automóvel sejam totalmente carregadas. Mas nos países mais desenvolvidos nesse processo já existem testes para diminuir o tempo para 30 minutos.

No caso dos modelos híbridos, que não requerem infraestrutura para carregar as baterias, há a desvantagem da poluição, embora menor, e do uso de gasolina. Como esse tipo de veículo ainda não chegou no Brasil, as montadoras ainda não começaram a comercializar o híbrido com etanol. Mas há pesquisas avançadas nessa direção.

Um dos problemas apontados por técnicos do governo é que os estímulos ao carro elétrico acabariam, no médio prazo, por ampliar o consumo de energia elétrica no país.

Esta pressão adicional sobre a oferta de energia não é bem vista no governo, ainda que, há consenso quanto ao incentivo ao desenvolvimento desses veículos no país.

“Hoje esses veículos são desestimulados pela legislação tributária, que não prevê esse tipo de carro. Precisamos estimular a entrada desses veículos no Brasil, mas não basta apenas incentivar. Há um enorme cuidado quanto à oferta de energia futura”, diz uma fonte da área econômica.

Por outro lado, segundo trabalho do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentado durante a Rio+20, mesmo que toda a frota brasileira mudasse para carros 100% elétricos, o impacto no sistema de energia não passaria de 10%.

Nos países onde esses veículos já são vendidos a maior preocupação volta-se para a necessidade de ampliar os postos de recarga públicos e de promover a diferenciação das tarifas de energia, por meio das redes inteligentes (os chamados “smart grids”). Dessa forma, o consumidor tomaria a precaução de carregar as baterias durante a madrugada, fora dos horários de pico.

Fonte: Valor Econômico

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