Estudo em MS aponta que 13% dos caminhoneiros consomem drogas

Um estudo feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Mato Grosso do Sul apontou que 13% dos caminhoneiros consomem algum tipo de droga para cumprir as extensas jornadas de trabalho. A amostragem foi obtida por meio de exame de urina de 102 motoristas de caminhão. Em 61% das amostras que deram positivo, foi encontrada cocaína.

O superintendente da PRF no estado, Ciro Ferreira, alerta que o condutor usa as substâncias ilegais quando passa a ter os seus reflexos diminuídos por conta do tempo execessivo na direção. “Ele vai forçando a jornada e acaba tendo que tomar um medicamento ou fazer o uso de drogas e isso vai prejudicando a saúde do caminhoneiro e contribui também para os acidentes de trânsito”, enfatizou o superintendente.

Por amostragem, a polícia acredita que dos mais de 5 mil caminhoneiros que circulam por dia pela BR-163 em Mato Grosso do Sul, cerca de 600 rodam sob efeito de drogas. Roberto Sinai, membro do Sindicargas, destaca que o índice é alto e preocupante.

“O sindicato vai estar buscando, junto ao Ministério do Trabalho e aos policiais que fiscalizam a rodovia, soluções para o combate deste tipo de consumo. Não é interessante para o empresário, nem para o autônomo e muito menos para o trabalhador que se faça uso dessas anfetaminas que podem causar acidentes no trânsito”, afirmou Sinai.

O neurologista Marcílio Delmondes Gomes vai além, afirmando que a combinação drogas e volante pode acabar em morte. “Na fase inicial, a pessoa tem uma sensação de bem star e de euforia, mas com o aumento do uso isso pode gerar alterações da percepção e alucinações visuais. Quando vai tendo queda do nível de ação cerebral, a pessoa vai experimentando padrões de depressão e apatia. Os efeitos colaterais são os riscos de derrame e infarto”, explicou.

Um bitrem carregado pode pesar até 100 toneladas. De acordo com a PRF, qualquer acidente que um veículo como este esteja envolvido é grave. As estatísticas mostram que é grande o número de caminhoneiros que se envolvem em acidentes que terminam em morte.

Dados da PRF revelam que, nos sete primeiros meses deste ano, os caminhoneiros se envolveram em 678 acidentes. Destes, 13 morreram e 124 ficaram feridos. O levantamento dos inspetores da PRF concluiu ainda que 60 caminhoneiros dormiram ao volante.

Para o presidente da comissão dos advogados criminalistas da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul, Luís Carlos Saldanha Júnior, os caminhoneiros são vítimas de um sistema trabalhista imposto pela logística arcaica do país.

“É necessário que haja um controle efetivo por parte do governo do estado. Há vários países onde fazem um controle mensal e até anual destes motoristas. Eles se submetem a exames periódicos que vão indicar o uso de drogas. Se for detectado, eles são encaminhados para tratamento”, explicou.

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Fonte: TV Morena





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