Futuro no Brasil, Euro 6 é realidade na Europa

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Em termos de tecnologia, o Governo Brasileiro parece conformado em andar na retaguarda. Em 2012, o Brasil apenas começa a ver nas ruas os primeiros caminhões com tecnologia Euro 5 – equivalentes ao Proconve P7 brasileiro –, que rodam na Europa desde 2008. Agora, a União Europeia está recebendo caminhões com a sexta fase do programa de controle de emissões, o Euro 6. As principais fabricantes já possuem propulsores eficientes, dentro do novo padrão europeu de emissões, que equipam seus modelos topo de linha. Por lá, a obrigatoriedade será apenas em 2014, mas os novos projetos precisam emitir menos poluentes a partir de 1° de janeiro de 2013. A mudança na regulamentação aperta ainda mais o cerco sobre os motores diesel de grande capacidade e exige reduções drásticas nas quantidades de material particulado e monóxido de carbono emitidas. No Brasil o assunto sequer entrou em pauta de discussões. Os mais otimistas acham que ele pode passar a ser aplicado a partir de 2016, o que reduziria a defasagem das normas brasileiras em relação às européias de quatro para três anos.

Neste ano de 2012, a norma Euro 5 limitava a emissão de hidrocarbonetos a 0,34 g para cada cv de potência do motor em uma hora de funcionamento – a mesma do Brasil. As novas exigências farão esse número baixar em 72%, para 0,09 g. A unidade de medição é diferente da utilizada em carros de passeio – que usam o g/km rodado. O NOx cairão expressivos 80%, para 0,29 g/cv, enquanto a emissão de enxofre será reduzida em 50%, para 0,01 ppm – partes por milhão. No entanto, enquanto o Euro 5 demandou o desenvolvimento de novas tecnologias, como o sistema SCR, de redução catalítica, a Euro 6 tornou necessário o uso em conjunto de tudo o que já foi inventado até agora. Além disso, é crucial o acerto preciso de outros “detalhes”, como a aerodinâmica do caminhão, distribuição de peso e assegurar que ele seja conduzido sempre da forma mais eficiente possível, para o sucesso do investimento e da nova legislação.

O que mais se viu no último Salão de Hannover, na Alemanha, em setembro desse ano, foram modelos recorrendo a uma combinação de EGR e SCR. Caso da germânica MAN, que lançou o TGX 2013. A sueca Scania começou a usar os motores Euro 6 pelo R480 4X2 e já irá estender a combinação de sistemas para o restante da gama. A outra marca sueca, a Volvo, também usa os dois modelos, mas com estratégia diferente das demais fabricantes. O motor D13, de 13 litros, foi retrabalhado para já emitir menos poluentes através de uma queima mais limpa do diesel. Os gases formados seguem pelo filtro de partículas até o catalisador do SCR. No entanto, em uso urbano ou sob temperaturas muito baixas, o EGR é ativado por uma válvula, que força a recirculação dos gases e aumenta a temperatura de trabalho do motor para os níveis onde a emissão é menor. Já a holandesa DAF apresentou a nova geração do extra-pesado XF, com as modificações para atender à Euro 6. O motor de 13 litros, fabricado pela norte-americana Paccar, também usa uma conjunção dos sistemas EGR, de recirculação de gases, e SCR, de redução catalítica, para conseguir atender às novas exigências.

Para atingir os parâmetros do Euro 6 a italiana Iveco usa um sistema diferente, que dispensa o sistema de recirculação EGR. No motor do novo Stralis Hi-Way, a combustão em si já é mais eficiente através de mudanças na câmara de combustão. Isso gera menos material particulado – o EGR diminui a formação de NOx, mas aumenta a formação de enxofre sólido, que demanda a instalação de filtros posteriores. Assim, os gases expelidos seguem direto para um filtro de particulas já usado e para o catalisador de redução seletiva SCR. Segundo a FPT, fabricante dos propulsores Iveco, a redução nos índices de óxido de nitrogênio, os NOx, chega a 95%. Além disso, o chamado Hi-eSCR é menor e mais leve que os dos motores Euro 5.

O dado curioso na passagem do Euro 4 para o Euro 5 é que os motores ganharam significativa eficiência, com ampla melhoria nos níveis de desempenho, trazidos a reboque dos sistemas de redução de emissões. Para o Euro 6, apenas a poluição será diminuída  com praticamente todos os propulsores mantendo as mesmas características dos similares Euro 5. Isso acontece em função de nenhuma tecnologia totalmente nova ter sido desenvolvida, mas sim a conjunção de sistemas já em uso.

Fonte: Motordream