Mercado de caminhões passa por transformação em 2012

sinotruk 2012




Quando um ciclo se aproxima do fim é comum que mudanças sejam esperadas – e, em alguns casos, previstas. Algo parecido aconteceu com o segmento de caminhões no final de 2011, quando toda a indústria estava mobilizada para a adequação da frota à legislação Proconve P7, similar ao padrão Euro 5, para a emissão de poluentes de veículos pesados a diesel. Enquanto havia estoque, os frotistas buscavam os modelos Euro 3, produzidos em 2011, que custavam cerca de 15% menos. Depois disso, as vendas perderam força e as montadoras viveram dias tenebrosos. “Como o valor do frete não depende da tecnologia empregada no caminhão, o consumidor não tem como repassar o preço para os clientes e isso fez com que eles corressem enquanto podiam comprar os caminhões mais baratos”, explica o presidente executivo da Fenabrave, Alarico Assumpção. O golpe do custo do P7 só foi absorvido mesmo neste último trimestre. O ano termina com um leve aquecimento nas vendas – não suficiente, porém, para salvar 2012.

Os novos motores são movidos por um diesel mais limpo, o S-50. Além do preço, a exigência do combustível mais sofisticado foi outro motivo para a rejeição dos novos modelos, pois havia dúvida em relação à rede de abastecimento. E os próprios distribuidores de combustível protelavam o investimento, pois não tinham certeza de terem consumidores para o novo combustível, mais caro que o antigo S-500. O equilíbrio foi registrado somente na metade do ano e já não influencia mais as vendas do segmento. “A incerteza do frotista atrapalhou, mas fatores como o pequeno crescimento do PIB brasileiro, também impactaram negativamente as vendas”, diz o diretor comercial da Iveco, Alcides Cavalcante.

Diante do cenário preocupante, algumas fabricantes, como a MAN Latin America, optaram pela redução do volume de produção para equilibrar os custos e evitar perdas maiores. Logo em seguida o governo anunciou condições especiais do PSI – Programa de Sustentação do Investimento –, como juros mais baixos para a compra de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. “O mercado reagiu rapidamente aos incentivos, mas assim como o corte, a retomada de produção é lenta, demora até três meses. Estamos nesse vácuo para atender à nova demanda”, afirma o diretor de marketing e vendas da fabricante alemã, Ricardo Alouche. “O ano acaba numa situação absolutamente diferente do primeiro semestre. Não há euforia de mercado, mas agora já faltam determinados modelos de caminhão”, completa.

Apesar das vendas em baixa, a chegada de novos produtos em 2012 foi intensa. O P7 forçou as fabricantes a renovarem seus modelos. Em meio às mudanças, algumas marcas ganharam relativo destaque. A Scania, por exemplo, com o pesado R440, dominou o segmento. No início do segundo trimestre, um dos momentos mais críticos do ano para o setor, o caminhão da marca sueca respondia por 50% dos veículos do Proconve P7 comercializados no Brasil. A fabricante conseguiu o resultado graças a uma campanha onde garantia uma série de benefícios aos compradores. As ações incluíam o fornecimento gratuito do aditivo Arla 32 – solução de água e ureia, usado no principal sistema antiemissão adotado por veículos no padrão Euro 5.

Em maio, a Iveco lançou o semipesado Tector seguindo as novas determinações. Além do motor Euro 5, o caminhão da marca italiana chegou com 41 configurações possíveis e também trouxe como novidade a divisão da linha em duas versões de acabamento: o Iveco Tector e o Iveco Tector Attack. No mesmo segmento, a Volvo também apresentou sua arma: o renovado VM, principal aposta no Brasil. O modelo de entrada da marca teve o propulsor adequado às normas mais rígidas e os suecos apostaram na cabine, com boa dose de tecnologia. Um painel completo informa as condições de rodagem, como níveis de fluidos, alertas de problemas e avisos de manutenção.

O extrapesado Actros, da Mercedes-Benz, teve com a nova legislação a oportunidade de renovação da gama. Maior caminhão da marca e também topo da gama, o modelo chegou ao Brasil em 2008 na versão off-road. Dois anos depois, foi a vez da configuração de estrada. Em 2012 a marca da estrela aproveitou para completar a linha ao apresentar neste final de ano a versão para longas distâncias rodoviárias. A MAN Latin America, por sua vez, depositou toda sua carga de ambições no TGX. Primeiro caminhão no Brasil da marca que já lidera o segmento com os cavalos-mecânicos Volkswagen, o pesado chegou, já equipado com motores Euro 5, para brigar em um segmento que já conta com as consolidadas Volvo, Mercedes-Benz, Scania e Iveco, além da própria Volkswagen.

Mesmo com o cenário desfavorável, o país ainda recebeu novas marcas. A Sinotruk, por exemplo, iniciou as operações e introduziu os caminhões da família A7. A fabricante chinesa mostrou ousadia ao entrar no segmento de pesados, onde as disputas são das mais acirradas, com menor fluxo de vendas e maior lucro. A aposta foi na tecnologia, algo obrigatório na categoria. Além disso, já entraram no mercado dentro das normas exigidas, oferecendo três configurações, que vão de 280 cv a 460 cv de potência. A Sinotruk ainda anunciou a construção de uma fábrica em Santa Catarina, com investimento inicial previsto para a primeira etapa do projeto acima de R$ 300 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão a médio prazo.

Fonte: Motordream




Um comentário em “Mercado de caminhões passa por transformação em 2012

  • 22/03/2013 em 14:46
    Permalink

    A volvo tá de parabéns! O VM é com certeza um sucesso, o reflexo disso nós vemos nas vendas deles que aumentaram vertiginosamente em solo nacional, apesar da pequena queda no mercado internacional. Um ponto que tem alavancado bastante a economia para os micros e pequenos empresários do setor de logística é a possibilidade de alugar os caminhões ou, ainda no caso da volvo, financiar através do novo “banco volvo”. Bem bacana a novidade vale a pena dar uma lida no material deles: http://seminovosvolvo.com.br/financiamento-banco

    Grande abraço!

Fechado para comentários.