Brasil passará por revolução logística

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A logística é a grande preocupação do setor agropecuário e das tradings para 2013. As projeções de nova safra recorde, aliada às péssimas condições das estradas, à falta de ferrovias e hidrovias, além da lei que determina períodos de descanso para motoristas de caminhões devem ampliar o gargalo da infraestrutura viária no País. Mas há perspectivas de mudanças num futuro próximo. “Em cinco anos, o nível logístico do País passará por uma transformação inimaginável, tocada pela iniciativa privada”, diz o consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para Logística, Luiz Antonio Fayet.

O especialista, dono da consultoria Fayet, destaca a reforma da estrada federal BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), e o desenvolvimento do sistema logístico de Belém do Pará como as principais obras favoráveis às exportações do agronegócio.

Não se estima o valor total dos projetos de infraestrutura que estão sendo feitos – alguns ainda ocultos, “atrás do toco”, como observa Fayet.

Mas, somente para os portos, o governo federal prevê R$ 54 bilhões dos cofres públicos, entre 2014 e 2017. “No Mato Grosso, as obras de infraestrutura são públicas”, esclarece o diretor do recém-formado Movimento Pró-Logística, Edeon Ferreira.

Já Fayet, em entrevista ao DCI, analisou o crescimento de produção, capacidade de escoamento e embarques da região conhecida por Arco Norte – onde o agronegócio hoje se expande estruturado pela iniciativa privada.
É no litoral do norte do País que está sendo erguido o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), na capital São Luiz, obra que está orçada em R$ 322 milhões e ampliará a capacidade do Porto de Itaqui de dois para quinze milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, no Porto de Belém, constrói-se, ao custo de R$ 40 milhões, o Terminal Fronteira Norte (Terfron), com capacidade prevista de 3,5 milhões de toneladas. A entrega dos dois terminais, ambos ligados à expansão da soja e do milho na região centro-norte, é esperada para o final de 2013.

“O frete terrestre será reduzido entre 500 e mil quilômetros, gerando economia de R$ 4 por saca [60 quilos] de grãos”, prevê Fayet.

Outras obras, como a BR-163, favorecem tanto o Norte quanto o Centro-oeste. Com percurso de 3,4 mil quilômetros, a estrada federal vem recebendo aportes públicos de R$ 1,2 bilhões, executados em serviços de pavimentação, recapeamento e duplicação. A obra será entregue em 2014.

Até hoje, a rodovia é empregada no escoamento da produção do norte-sul. Porém, a mudança da orientação logística e de produção do Brasil, considerando a nova fronteira agrícola e sua infraestrutura em construção, deve fazer com que parte do produto do Centro-oeste seja escoada pelo norte, por meio da rodovia.

A BR-163, entre outras vias, foi utilizada para o escoamento de 38 milhões de toneladas excedentes do morte – isto é, que não puderam sair do País pela estratégica capital de Rondônia, Porto Velho. “Esse volume representava mais da metade do total de cargas transportadas em Santos. Ou o total de Paranaguá”, disse Fayet.

Dois anos depois, para complicar ainda mais a situação logística do País, o excedente cresceu para 45,5 milhões, de acordo com estudo da CNA. “Toda essa carga teve de se deslocar, do norte e centro-oeste, para o sul e sudeste!”, observou o especialista.

Entre 2003 e 2011, a expansão agrícola deixou o frete pelo menos 200% mais caro no Brasil, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). O gasto por tonelada cresceu de US$ 28 a US$ 85, em média, enquanto ficou estável nos Estados Unidos (de US$ 15 a US$ 23) e na Argentina (US$ 14 a US$ 20).

Os três países dominam 83% das exportações de soja, cujo total deve chegar a 140 milhões de toneladas em 2020, com a diferença, realçada por Fayet, de que o Brasil é o único que ainda tem espaço para a expansão agrícola.

“A dependência do mundo em relação ao Brasil já é maior do que a do petróleo. E o mundo não vai passar fome por conta de meia dúzia de incompetentes”, critica Fayet, para quem, geralmente, o governo acaba atrapalhando os avanços do setor privado em logística e infraestrutura.

Neste caso, o exemplo mais atual está na liberação de R$ 54,2 bilhões para investimentos em portos, anunciado em dezembro pelo governo federal.

Fayet observa que, embora a presidente Dilma Rousseff defenda a privatização da infraestrutura portuária, “armadilhas” teriam sido colocadas no projeto, complicando o movimento de liberalização – em defesa de um suposto “cartel” ligado ao poder público. O especialista diz que o País vive um “apagão portuário”.

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria




Um comentário em “Brasil passará por revolução logística

  • 27/03/2013 em 21:17
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    Com toda certeza passará por tal revolução. Primeiramente dando reais condições econômicas e sociais aos motoristas;caso contrário, estes não existirão em numero suficiente, para deslocar toda produção industrial e agrária deste país. Sem se repensar seriamente nestes quesitos, será uma revolução da desordem. Notem que hoje já faltam candidatos as vagas oferecidas, tudo por conta da política empresarial de negligência com os profissionais do volante. Salários baixos, desrespeito ao ser humano em relação a vida familiar ( a maioria das empresas impede de levar família em viagens),locais inadequados até mesmo para as baratas como ponto de parada e , por ai vai.. Sem a valorização do HOMEM ( trabalhador), vai virar uma esculhambação maior do que a já existente na logística e transporte deste Brasil de futebol e Nádegas.( fui proibido por minha mãe de escrever BUNDAS)

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