JAC Motors aposta nos caminhões leves

jac t140

A JAC Motors revela os caminhos que pretende traçar no segmento de caminhões, cuja entrada se deu em dezembro passado, com o início das vendas do leve T140, com peso bruto total (PBT) de 3,5 toneladas. O modelo será o primeiro de uma linha de quatro veículos comerciais leves que serão produzidos em Camaçari (BA). Para introduzir a nova linha, a empresa ampliou em R$ 100 milhões o investimento na planta, que terá capacidade para fabricar 100 mil carros e 10 mil caminhões por ano.

Os outros três modelos terão PBT de 6, 8 e 10 toneladas, mas só devem entrar em linha em 2016, após a concepção da uma nova rede, explica o presidente da JAC Motors, Sergio Habib.

“Para vender caminhões no Brasil, é preciso abrir uma rede com 40 ou 50 revendas de uma vez e isso gera um custo gigantesco, entre R$ 700 e R$ 800 milhões, mas apesar disso, teremos uma rede diferenciada da que temos para automóveis”, afirmou.

O executivo explica que terá parte da produção compartilhada com a linha de automóveis, como pintura e montagem de cabine e que seus principais itens serão de origem brasileira, como o motor Cummins 2.8, de 140 cv de potência, a transmissão mecânica ZF de cinco marchas, além dos pneus e implementos. Um lote com 500 unidades importado da China.

O T140 chega para brigar no mercado de VUC (Veículo Urbano de Carga), composto por marcas tradicionais como Ford Transit, Iveco Daily, Mercedes-Benz Sprinter, Renault Master, e os líderes de vendas Hyundai HR e Kia Bongo. Habib considera o segmento “pequeno, mas com tendência de crescimento”. Segundo ele, no ano passado, o mercado absorveu 23,4 mil VUC’s, participação de 3,5% das vendas totais de veículos no País. Para este ano, as estimativas apontam para 30 mil unidades, alta de 28%.

Lacunas

Habib conta que o T140, por se tratar de um VUC (Veículo Urbano de Carga) será vendido em 12 das 65 concessionárias da JAC, concentradas em São Paulo, interior paulista e Rio de Janeiro. Um lote com 500 unidades importado da China, Euro 4, e por isso, faturado ainda no ano passado para as revendas, deverá ser vendido entre seis e sete meses, estima. “Só para este mês devemos vender 60 caminhões. Este é um teste de mercado, mas já temos bons retornos de pequenos empresários e frotistas”, afirmou. Os veículos importados são da versão mais antiga do modelo: na China, o T140, lá chamado de 1035, já tem novo design de cabine e novo motor fornecido pela joint venture com a Navistar.

Contudo, este será o primeiro e único lote importado do T140, isso porque a JAC pretende, após esgotar suas vendas, voltar a oferecê-lo no mercado só depois da conclusão do novo projeto do caminhão, que deverá ter airbag, conforme exige a legislação.

Com isso, ele afirma que ainda não definiu o quê vai produzir primeiro em Camaçari, que deve começar a operar no segundo semestre de 2014:

“É mais fácil montar caminhão do que automóvel, porque tem menos peças, mas não sei se o caminhão ficará pronto antes do carro que projetamos para a Bahia.”

Carga pesada

Desde que iniciou suas vendas de automóveis por aqui, em março de 2011, a JAC considerou a possibilidade de trazer também seus caminhões. A empresa nasceu na China há quase 48 anos no segmento de veículos comerciais e entrou no ramo de automóveis há apenas 10 anos. Segundo Habib, a JAC Motors do Brasil cogitou até a representação da Tata Motors para trazer modelos comerciais, mas a negociação, que esteve em nível “bastante adiantado” em 2012, caiu por terra após a imposição do IPI maior para importados.

Para o presidente da JAC, a opção de trazer os modelos leves da marca ao Brasil se dá por uma questão única de preço.

“O Inovar-Auto aumentou violentamente o tíquete de entrada, seja no País ou em qualquer segmento daqui. É muito complicado – e caro -, produzir ou trazer para o Brasil caminhões pesados. A JAC tem na China caminhões com PBT de até 70 toneladas, mas por hora, não é viável. Nosso foco são os leves.”

Na China, a maior participação da JAC no mercado de caminhões é no segmento leve, algo como 30%. A aposta para crescer nos pesados virá na joint venture que firmou com a Navistar para a produção de motores que equipará seus modelos mais robustos.

Habib revela que tem conversado com a Navistar brasileira, mas afirma não saber o que pode resultar de seus encontros com Waldey Sanches.

Fonte: Portal Automotive Business