Caminhão `flex´ gera economia

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Uma parceria entre a Iveco, a Fiat Powertrain Technologies (FPT) e a Bosch vem desenvolvendo, desde 2010, um caminhão movido a energia renovável com tecnologia 100% brasileira. Trata-se do Iveco Trakker Bi-Fuel Ethanol-Diesel, um cavalo mecânico com tração 6X4 para até 63 t de Peso Bruto Total Combinado (PBTC) e com inovadora tecnologia bicombustível, que permite a redução do consumo de óleo diesel pela adoção de etanol.

O protótipo do Trakker Bi-Fuel foi desenvolvido com o apoio da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para atender inicialmente à indústria sucroenergética, na qual o etanol pode ser usado a preço de custo, e foi submetido a testes de campo durante a safra 2011 junto com a empresa parceira Raízen. E os resultados foram bastante positivos. De acordo com o engenheiro sênior de produto da área de inovação da Iveco, Fabio Nicora, uma economia de 6% no custo do combustível por quilômetro rodado pôde ser confirmada nas avaliações. O que é uma novidade entre todas as tecnologias de combustíveis alternativos para caminhões, que, em suas melhores aplicações, apresentam custos, no máximo, similares aos do diesel.

Equipado com dois tanques de combustível, um para etanol e outro para diesel, o Trakker Bi-Fuel utiliza um motor Cursor 9 ciclo diesel Iveco-FPT, seis cilindros, 9.0 l, com sistema de injeção Common Rail, que entrega 360 cv e 153 kgfm de torque. “Esse motor foi projetado para funcionar com uma proporção de 60% diesel e 40% etanol. Ele não opera somente com etanol”, informou Nicora. Outra vantagem do caminhão é que, por ser 100% reversível ao diesel, seu preço de revenda é valorizado.

É importante destacar a contribuição para o meio ambiente que essa tecnologia oferece. Além do etanol ser um combustível totalmente renovável, há uma redução de emissões de CO->2 proporcional à quantidade de diesel substituído. “O etanol gera menos emissões de material particulado e óxido de nitrogênio (NO->x) por conta de sua característica física, pois possui menos teor de carbono”, explicou o engenheiro. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar e etanol, e, por isso, essa tecnologia torna-se ainda mais viável. “A utilização do etanol em veículos pesados é bastante natural, principalmente na aplicação para a lavoura da cana-de-açúcar”.

Funcionamento é semelhante

image (1)Inventado pelo engenheiro alemão Rudolph Diesel em 1893, o motor a diesel – ou motor de ignição por compressão – tem como princípio de funcionamento a combustão realizada pelo aumento da temperatura provocada pela compressão do ar. Reconhecido pela sua eficiência e pelo baixo consumo, ele torna-se ainda mais econômico e competitivo com a utilização da nova tecnologia Iveco Trakker Bi-Fuel Ethanol-Diesel. Basicamente, o que difere no funcionamento do motor Bi-Fuel para um propulsor que utiliza somente óleo diesel é que o etanol é injetado juntamente com o ar na fase de admissão, antes da etapa de compressão.

Depois de comprimida, essa mistura ar/etanol é detonada com o próprio diesel, sem o uso de aditivo ou antidetonante, e, em seguida, é expelido normalmente. Segundo o engenheiro Fabio Nicora, a taxa de compressão do motor a diesel foi mantida, e o uso do etanol não altera a curva de torque e de potência quando o motor Cursor 9 Bi-Fuel é comparado com o mesmo motor a diesel. Vale frisar que, se for opção do proprietário, é possível apenas utilizar o combustível derivado do petróleo. “Outra característica desse veículo, que ainda não tem previsão de lançamento comercial, é que a manutenção e o desgaste do motor são comparáveis aos de um motor que utiliza somente o óleo diesel, sem que a vida útil da unidade seja impactada. Pois ele continuará sendo do tipo ciclo diesel, mas com um sistema de injeção específico para o etanol”, concluiu Nicora.

Fonte: O Tempo