A falta de motoristas

Faltam caminhões para escoar a safra de grãos 2010

De acordo com os últimos números divulgados pela Fenabrave, houve uma queda de 9,52% nos emplacamentos de caminhões novos no mês de maio em relação ao mês de abril, mas no acumulado de janeiro a maio, este ano de 2013 mostra-se um pouco melhor que 2012, com um aumento de 4,1% e a expectativa é que esse crescimento chegue a 16% no fechamento do ano.

Se a recuperação na quantidade de caminhões novos vendidos ainda é tímida, porém positiva, por outro lado a quantidade de motoristas qualificados e disponíveis parece seguir justamente o caminho inverso. A Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC & Logística) sinaliza que o déficit de caminhoneiros já deve atingir o patamar de 13% da frota das empresas, o que representaria uma carência de cerca de 100 mil motoristas – e o que é mais preocupante é que a tendência deste descompasso tende a aumentar.

Entretanto, engana-se quem pensa que esta crise de motoristas, assim como a jabuticaba, só exista no Brasil. Lá fora, ainda que por outras razões, principalmente as culturais, quando olhamos o chamado primeiro mundo, o cenário também não é muito animador.

De acordo com um estudo feito em 2012 pela Manpower, a profissão de motorista de caminhão aparece na sétima posição num ranking global quando se analisa as vagas de emprego mais difíceis de serem preenchidas. Se tomarmos como exemplo os países europeus, de uma forma em geral, que possuem estradas perfeitas, legislações adequadas e condições de trabalho mais favoráveis, independentemente da atual crise econômica, as empresas já vinham ao longo dos últimos anos encontrando dificuldades para preencherem estas vagas, o que se dirá por aqui, onde as estradas continuam ruins, a insegurança continua grande e a legislação somente agora começa a dar sinais de querer se ajustar à dura realidade de quem está atrás do volante.

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E este descompasso crescente entre a quantidade de caminhões e de motoristas é apenas a ponta de um grande iceberg que empaca e encarece o desenvolvimento/escoamento da nossa economia, pois graças à obstinação rodoviária tupiniquim ao longo destes últimos cinquenta anos em detrimento de outros modais, que seriam até mais vantajosos tanto em termos logísticos como econômicos, a sensação é como se estivéssemos comendo bananas e jogando todas as cascas na frente do nosso caminho – e é óbvio que em algum momento começaríamos a tropeçar, restando apenas torcer para que o impacto da queda seja pequeno e que as lesões não sejam graves.

Entretanto, algumas luzes já começaram a aparecer no final do túnel, sendo o Programa de Investimentos em Logística, que foi aprovado no ano passado pela presidente Dilma, uma delas. Se todos os R$ 80 bilhões previstos para os próximos 5 anos forem realmente investidos a sério, sendo R$ 56 bi para ferrovias e R$ 23,5 bi para rodovias, já começaremos a dar um passo mais maduro para termos uma malha ferroviária mais abrangente para facilitar o escoamento da produção, equilibrar os modais de transportes e reduzir os custos.

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Se tudo der certo e os investimentos forem bem aplicados (e que não sejam os últimos!), no longo prazo este problema específico da falta de motoristas acabará tendo um impacto reduzido para a economia se estivermos com uma matriz de transportes mais equilibrada. Mesmo assim, no curto e médio prazo ainda continuaremos com este cenário crítico prejudicando uma parte importante da nossa cadeia logística e obrigando as transportadoras a serem ainda mais criativas, tendo que dar nó em gota de éter com luva de boxe para continuarem competitivas e assim minimizarem ao máximo os impactos deste descompasso para a cadeia logística e para a economia brasileira. Texto por Eduardo M. R. Lopes

Fonte: Portal Logweb




13 comentários em “A falta de motoristas

  • 27/02/2014 em 20:28
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    é isso msm parceiros, realmente nao falta motorista o que falta é as empresas da oportunidades aos profisionais e melhores salarios, tbm estou na msm aki no ceara ainda nao arrumei nenhum emprego por que nao tenho experiencia na carteira!

  • 18/06/2013 em 13:18
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    Caminhão: sem ar-condicionado? tá de sacanagem? Sem uma cama decente? 20 a 30 dias fora de casa? até posso ficar, mas tem que ter dinheiro no bolso. Diária de no mínimo 60 reais. E se querem profissionalismo, então que se profissionalize o setor de notas fiscais, o pessoal do comercial, combine com os embarcadores, que nós não somos lixo, e nem escravos. E os destinos, se não querem a carga, devolvam, e vamos embora. Problema não é meu, a carga não é minha, o caminhão carregado não é problema meu. Sou profissional, e independente de estar carregado ou leve, minha função é guiar. Agora não me ponham pra resolver pepino de estagiária. E salário, é 2500 pra começar a dar bom dia pra começar.
    Em curitiba, manobrista tira 1300 com 6 horas de trabalho, garçom tira 1500, e taxi tira 1500. Pq que eu a 30 dias fora de casa vou tirar só 1200???

  • 17/06/2013 em 22:01
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    Meu kmarada, ATENÇÃO EMPRESAS DE TRANSPORTE tenho um currículo de 34 anos de estrada sem qualquer acidente ou ocorrência ou subtração de pontos na CNH CATEGORIA “E”, estou vendendo minha carreta e estou me oferecendo como empregado. Quero um salário de 8000 mil reais, plano de saúde, folga todos os sábados e domingos, cesta básica de 2000 mil reais, vale hotel(não quero dormir no caminhão), mais comissão de 20% do faturamento bruto total da carreta, veiculo com ar condicionado a disposição de minha patroa e também duas bolsas de estudo nos Estado unidos para as minhas filhas. E tem mais uma exigência quando nos fins de semana estiver fora do meu domicilio quero passagem de avião na sexta à noite pra descansar em minha humilde residência retornando, também de avião, na segunda pela manhã, interessados favor entra em contacto com o email anexo…

  • 17/06/2013 em 20:20
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    esta ai o caso do Jair e do Leonildo pra comprovar , não falta mão de obra , oque falta é as empresas adotarem sistemas de qualificação pra estas pessoas , as empresas querem pegar os profissionais prontos , não querem formar novos.

  • 17/06/2013 em 18:46
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    Na minha opinião não está em falta de motorista não, está em falta de motoristas que aceitam trabalhar por baixos salários, isso sim!
    O pessoal está se qualificando e não estão aceitando trabalhar por essa miséria de salários que oferecem por aí.
    É muita exigência pra pouco salário, melhor procurar outras áreas pra se ganhar o pão.

    • 18/06/2013 em 13:12
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      certíssimo!
      Em curitiba: 2 anos de experiência em CLT, mais mopp. 20 a 30 dias fora de casa. SOLDO: 1080,oo (!) “””ahh mais tem o vale alimentação e a diária””” e com a comissão tu pode ganhar até 2500,oo UMA DINHEIRAMA!!””””

  • 17/06/2013 em 18:32
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    Amigo, qual empresa da chance para motorista sem experincia que busca uma oportunidade neste setor??? De preferencia no estado de São Paulo? Desde ja fico grato…

  • 17/06/2013 em 14:27
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    Aqui na Bahia região metropolitana tem vagas mas as empresas só querem pega motorista com experiencia mas como você vai ter experiencia se ninguém te dá oportunidade,eu troquei minha habilitação para categoria E mas nao to conseguindo por que nao tenho experiencia na carteira e a ir.

    • 17/06/2013 em 20:01
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      aqui em são paulo esta a mesma coisa Jair, eu estou na mesma situação que a sua, Mudei para a categoria E, e ainda fiz moop para ver se conseguia alguma oportunidade , mas mesmo assim ninguém quis dar oportunidade, o jeito é partir para outra profissão porque esta não vai virar nada mesmo e eu tenho família para sustentar, não posso ficar esperando muito tempo!!
      nildo_78@hotmail.com

  • 17/06/2013 em 12:57
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    e vai ser cada vez pior pois com essas novas leis do motorista esta ficando cada vez pior trabalhar de motorista pois os salarios estao cada vez menor uma vez que ganhamos na comissão…..mas é isso que nossos governantes querem..mais bandidos nas ruas pois trabalhar ta ficando dificil.

  • 17/06/2013 em 10:54
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    Na década de 80 li em uma revista,onde um jornalista já alertava sobre a evasão de motoristas para outros setores da economia.”com crises e mais crises”a gente ia procurar emprego quando chegava na porta para verificar o anúncio de uma vaga”tinha mais de 30 motoristas para concorrer a uma vaga”…o cara chegava em casa depois de passar o dia perambulando atrás de emprego,a mulher”muda de profissão”essa sua profissão é sem futuro…O referido jornalista chamava a categoria de “MATERIAL HUMANO BARATO”,dizendo que quando os outros setores ada economia precisassem de mão de obra barata iria achar no transporte rodoviário de cargas…Foi assim que começou a debandada de motoristas,estamos colhendo hoje frutos das crises econômicas de 1980 até os anos 2000…

    • 18/06/2013 em 13:05
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      na mosca.

    • 24/06/2013 em 21:35
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      muito certo ás palavras do Juliano

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