Média do frete está 25% abaixo do custo

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Uma transportadora cobra R$ 3.600 por um frete em carreta-baú 3 eixos de Londrina (PR) a São Paulo. Mas o custo do serviço é de R$ 4.329. Se quisesse ter um lucro de 12%, essa empresa deveria cobrar R$ 5.081, ou seja, 41% a mais para levar a carga. Essa distorção foi levantada pelo engenheiro Antônio Lauro Valdívia, da NTC&Logística, durante o seminário da ComJovem (comissão de jovens empresários do transporte rodoviário de carga) realizado nesta quinta-feira (6), em Londrina.

O cálculo foi feito durante a palestra do engenheiro, que é especializado em planejamento e projetos de transportes, em planilha desenvolvida por ele. “O problema do setor é que muitas empresas de transportes não calculam os custos da forma correta”, afirma. Segundo ele, que tem percorrido o País para os seminários da ComJovem, os fretes cobrados estão em média 25% abaixo dos seus custos reais.

Fácil de utilizar, a planilha de Valdívia conta com cerca de 20 campos para serem preenchidos referentes a todos os custos que envolvem a atividade, inclusive aqueles menos lembrados pelos transportadores, como depreciação da frota e remuneração de capital. Basta digitar informações como trajeto, tempo de carga e descarga, capacidade de carga de veículo, seu valor de compra quando novo, média de consumo, salário do motorista, entre outras, que a ferramenta calcula o custo do frete e quanto deverá ser cobrado do cliente após definição de uma margem de lucro.

“O único custo que, em tese, poderia ser retirado é a remuneração de capital, caso o veículo já tenha sido pago. Mas se ainda está sendo financiado, não é possível deixá-lo de fora”, ressalta Valdívia. No exemplo calculado no seminário, a remuneração do capital seria de R$ 309.

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De acordo com o engenheiro, boa parte dos transportadores leva em conta somente combustível e mão de obra e esquece as demais despesas. “Muita gente não considera a depreciação e a manutenção, por exemplo. Na hora de renovar a frota, é que o buraco vai aparecer”, declara.

As empresas que não calculam corretamente seus custos, na opinião dele, só sobrevivem contando com os “milagres existentes” no Brasil. “A transportadora colocava um motorista para fazer o serviço de dois, trabalhando 15 horas por dia. Veio a Lei do Descanso (12.619) e está acabando com isso. A empresa atrasa ou não recolhe impostos, mas vem aí o conhecimento eletrônico e vai acabar com esse milagre”, afirma. Segundo Valdívia, quem não trazer os custos na ponta do lápis não sobreviverá por muito tempo. “Os milagres estão acabando”, salienta.

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O empresário e coordenador da ComJovem de Londrina, William Zucolote de Oliveira, considera que é possível reduzir o valor de algumas despesas calculadas pelo engenheiro. “A manutenção, por exemplo, é discutível. Dá para sair mais em conta, dependendo do acordo com o fabricante”, declara. Ele também acredita que a planilha deveria contabilizar os créditos de ICMS da compra dos caminhões novos. Com isso, a defasagem real do frete ficaria um pouco menor.

Fonte: Revista Carga Pesada




6 comentários em “Média do frete está 25% abaixo do custo

  • 12/06/2014 em 22:07
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    Não entende essa matemática. Se o frete está dando prejuízo, como sobrevivem os donos dos caminhões?

  • 11/06/2013 em 13:04
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    ““A transportadora colocava um motorista para fazer o serviço de dois, trabalhando 15 horas por dia. Veio a Lei do Descanso (12.619) e está acabando com isso. A empresa atrasa ou não recolhe impostos, mas vem aí o conhecimento eletrônico e vai acabar com esse milagre”, afirma. Segundo Valdívia, quem não trazer os custos na ponta do lápis não sobreviverá por muito tempo. “Os milagres estão acabando””, salienta.

    -Em minha humilde opinião, esta á a parte mais importante da entrevista.
    E quem sabe, em alguns anos, os motoristas profissionais verão isso. Que o empresariado brasileiro é puxa-saco do governo, explora a mão de obra, consegue 15 reais do governo como subsídio e esquece que o governo come todo mundo com 50.
    A lei do descanso veio pra disciplinar a categoria e os tontos dos empresários, que massacram a lei, quando deveriam defendê-la. Quando eles tem uma tremenda oportunidade de repassar os custos que estão décadas atrasados, eles resolvem sabotar, justamente a oportunidade de poder corrigir anos de injustiça com o setor, e fazer o gov. federal “se virar” com anos de incompetência. Fazer a lei cair, por causa de pontos de parada, por causa que “o mundo vai acabar” que não vamos mais rodar.. que é um absurdo…”” é no mínimo miopia. Estes problemas são bobagens perto dos problemas reais do setor. Falta de investimento em infra-estrutura. O sacrifício do motorista na gabine, que ele faz com tanta alegria, é para mascarar a incompetência dos empresários e do governo federal, este último, o real motivo do atraso no brasil. Com um reajuste geral nos fretes, teríamos aumento dos preços de tudo, e o governo correria para desonerar o setor, forçar a queda dos pedágios, do diesel, dos impostos e tudo o mais, que pudesse amenizar os custos das transportadoras, justo em um ano pré-eleição.
    Com a lei do descanso, as notas eletrônicas e os controles de viajem, o aumento do custo do frete é imediato, sendo repassado para todos os embarcadores. E teríamos um patamar real do que é o custo-brasil. Forçaríamos atitudes do governo. Se teria a chance de exigir mais investimento. O cerco está se fechando. a inflação que temos é por carga tributária. Os motoristas ganhariam mais, com horas extras, com remuneração de paradas, e jornadas mais humanas.
    Só que brasileiro, seja empresário ou motorista, é tão tolo, que prefere chorar. Se prefere chorar, o governo tem é que dar bico. Por isso que colocamos 1.3 bilhões de reais no maracanã, e vendemos pro Eike batista por 180 milhões.

  • 11/06/2013 em 11:15
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    agora só gostaria de saber como é que um autonomo pode sobreviver? ele realmente tem o ganho real ou só faz por amor, pois acho pouco provavel pois quem tem conta e comida para colocar na mesa não pode viver só por amor a profissão! estava pensando em pegar um caminhão para ganhar a vida mas esta dificil viu, mesmo assim boa sorte a todos nós!

    • 11/06/2013 em 12:45
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      Não faça isso. Não faça essa loucura. Se ainda quiser, seja um empregado.

  • 11/06/2013 em 08:46
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    o engenheiro tambem deveria prestar as contas ao publico esclarecendo o porque do frete ser tão caro e os transportadores que trabalham ficarem com tão pouco , sendo assim ele iria colocar o dedo na ferida do nosso ilustre , maravilhoso ,excelente governo que sacrifica os trabalhadores com seus impostos carissimos , oleo diesel ,pedagios,pneus todos tributados de uma forma fora do comum e com isso o vilão é o transportador .

  • 11/06/2013 em 00:02
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    É possível disponibilizar esta planilha?

    Abraço

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