Ônibus híbrido gera até 35% de economia no consumo de combustível

volvo hibrido curitiba




Desenvolvidas pela montadora Volvo, as 20 unidades de ônibus híbrido que circulam, desde setembro, em Curitiba, geram até 35% de economia no consumo de combustível. A informação é do engenheiro de vendas da Volvo Bus Latin America, Fábio Lorençon. Ele participou, nessa quarta-feira (5), do 1º Seminário Internacional sobre Eficiência Energética de Veículos Pesados, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pelo Programa Ambiental Despoluir.

O evento reuniu especialistas para discutir novas tecnologias veiculares. Eles falaram sobre os ganhos energéticos e sobre a eficiência verde de ônibus e caminhões híbridos. No caso da Volvo, cuja missão é desenvolver soluções eficientes e inovadoras em sistemas de transporte, com foco em produtividade e eficiência verde nas cidades, o modelo disponível no mercado é um híbrido elétrico paralelo.

Lorençon explicou que o ônibus funciona por meio de um sistema de frenagem regenerativa. A energia, antes desperdiçada na forma de calor, passa a ser recuperada nos freios porque o motor elétrico retira a energia da frenagem para gerar o movimento do veículo. Quando o ônibus está parado ou circulando até 20 km/h, circula por meio da fonte elétrica. Resultado: não existe barulho, nem consumo de combustível ou emissão de poluentes.

“Daqui para frente, teremos que desenvolver soluções que sejam cada vez mais eficientes, sob o ponto de vista energético. O combustível está se esgotando e os preços estão subindo. Precisamos estar alinhados com os desafios do futuro”, destaca Lorençon. Segundo ele, outro ponto importante são os incentivos do governo para expandir os projetos e levar os ônibus híbridos a outras capitais, onde houver demanda.

Lorençon ainda acrescenta que os ônibus híbridos são peças fundamentais para o transporte urbano organizado. De acordo com a visão da montadora Volvo, um modelo eficiente se dá por meio do uso do Sistema de Transporte Rápido por Ônibus (BRT), cujos corredores centrais também são alimentados por ônibus menores, híbridos e elétricos. A conexão entre as cidades pode ser feita por meio de trem ou ônibus expresso.

Caminhões

O diretor de Engenharia de Desenvolvimento de Produto da MAN Latina America, Rodrigo de Oliveira Chaves, falou sobre a experiência da companhia com os ganhos energéticos do caminhão híbrido-hidráulico. O veículo, afirmou, é adequado para o Brasil porque tem sistema robusto e confiável, de fácil manutenção e que não necessita de infraestrutura especial para ser manuseado. Além disso, opera em diferentes condições de clima e apresenta desempenho estável.

Oliveira destaca que o caminhão se apresenta como uma solução economicamente atrativa para o reaproveitamento da energia da frenagem em ciclos de operação “anda e para”. De acordo com os testes realizados pela Volkswagen, com base no ciclo de operação típico de um caminhão de lixo, o potencial de redução no consumo de combustível é de 25%. Outro benefício é a redução da emissão de gás carbônico: aproximadamente 20 toneladas anuais por veículo.

“A sustentabilidade é fundamental, precisamos apoiar e desenvolver tecnologias adequadas ao nosso mercado, às políticas ligadas a essa iniciativa e à realidade dos operadores. Trabalhamos com o conceito de recuperar energia, uma preocupação muito grande com o custo total da operação, o ciclo de vida do produto e as questões de reciclabilidade”, afirma Oliveira.

Brasil

O vice-coordenador do Laboratório de Transporte de Carga do Instituto Alberto Luiz Coimbra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Ilton Curty Leal Júnior, afirmou que as discussões propostas pela CNT são importantes para posicionar e comparar os trabalhos desenvolvidos no Brasil com o de outras nações. “No que se refere a eficiência energética, estamos atrás dos Estados Unidos e da Europa, mas em melhor situação que muitos países da Ásia”, diz.

“Eficiência energética envolve tecnologia, condução econômica, qualidade do combustível e outras variáveis. Nossa avaliação é que ainda há muito a fazer. Nas discussões, é preciso envolver representantes do governo, indústria e usuários”, completa Curty.

Fonte: Agência CNT de Notícias