Recife terá ônibus HíbridoBR durante a Copa das Confederações

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A Eletra, empresa brasileira especializada em veículos de transporte urbano com tração elétrica, e a Mercedes-Benz apresentam nesta terça-feira, 11 de junho, às 9h00, o ônibus HíbridoBR, que transportará os passageiros durante a Copa das Confederações em Recife. O veículo é o primeiro com tecnologia 100% nacional a circular no país.

O ônibus será apresentado ao público no evento que será realizado no Centro de Convenções de Recife. Logo depois, ele estará à disposição da prefeitura para transportar os passageiros até o dia 23 de junho. “É uma grande satisfação para a empresa colocar o veículo em circulação em Recife. Isso reforça a preocupação do governo estadual e do município com as práticas sustentáveis, principalmente no setor de transporte urbano”, afirma Iêda Maria Alves de Oliveira, gerente comercial da Eletra.

“O HíbridoBR, que será apresentado em Recife é resultado de um conceito inédito de parceria, com tecnologia totalmente brasileira”, diz Curt Axthelm, gerente de Marketing de Produto – Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. “Com base na experiência, conhecimento e especialização de ambas empresas estamos buscando oferecer ao mercado um produto desenvolvido em nosso País, totalmente adequado para uso nas cidades brasileiras, adaptado às características já conhecidas pelas empresas e operadores de transporte de passageiros”, afirma.

Conceito

A designação de “híbrido” acontece quando o veículo tem duas fontes de energia. No caso deste ônibus, um grupo motor gerador e um banco de baterias.

No HíbridoBR apenas o motor elétrico movimenta o veículo, caracterizando a tecnologia “híbrido série”. O motor elétrico foi desenvolvido pela WEG, que já fabricou mais de 200 unidades com essa tecnologia para ônibus elétrico. A energia para o motor elétrico vem de um grupo motor gerador formado por um motor veicular Mercedes-Benz – EURO V – movido a diesel comum, Biodiesel ou mesmo diesel de cana-de-açúcar, e um gerador também fabricado pela WEG.

Um banco de baterias tracionárias, desenvolvido pela MOURA, complementa a energia disponível para o motor elétrico, quando necessário. Em cada parada para entrada de passageiros ou semáforos, o grupo motor gerador recarrega as baterias. As baterias são de chumbo ácido, fabricadas no Brasil e 100% recicladas em um dos centros mais modernos de reciclagem da América Latina, de propriedade e com tecnologia desenvolvida pela MOURA.

O motor diesel aplicado nesta tecnologia do ônibus elétrico, além de ser menor que o aplicado a um ônibus diesel similar, opera em rotação constante, o que reduz muito a emissão de poluentes, pois nas acelerações é o motor elétrico que atua. O motor diesel permanece em rotação constante (calibrada para o ponto ideal de baixa emissão e de baixo consumo) ou em marcha lenta. É fácil perceber a diferença. No híbrido com tecnologia série apenas o motor elétrico traciona o ônibus.

Além de reduzir as emissões, a tecnologia desenvolvida pela Eletra permite a recuperação de energia nas frenagens, conceito conhecido como “frenagem regenerativa” ou como ficou conhecido na Fórmula 1: “KERS – Kinetic Energy Recovery System (Sistema de Recuperação de Energia Cinética). Simplificando: quando o freio é acionado, o motor elétrico vira um gerador e a energia que seria desperdiçada na frenagem é reaproveitada e armazenada no banco de baterias.

A otimização do motor diesel para a aplicação, a eficiência dos motores elétricos, a tecnologia de baterias, o sistema de frenagem regenerativa e a tecnologia de tração que gerencia todos os conjuntos permitem que o ônibus elétrico híbrido reduza a emissão e o consumo de combustível. As emissões locais, como o material particulado – são reduzidas em até 95% e o consumo de diesel, em operação comercial, está em torno de 20%.

Híbrido Série x Híbrido Paralelo

Existe uma outra tecnologia chamada de “híbrido paralelo” ou “diesel elétrico”. A diferença para o “híbrido série” é que o motor a diesel também traciona o veículo, ou seja, os sistemas funcionam em paralelo, podendo ter a tração por meio do motor elétrico ou do motor diesel. Uma das desvantagens desse sistema é que, quando acionado o motor a combustão para tracionar o ônibus, ele opera de maneira idêntica ao ônibus convencional, perdendo todas as vantagens de redução de emissão e consumo. Nesta tecnologia de híbrido paralelo, em velocidades baixas o motor elétrico traciona e, a partir de 18km/h, esse papel é feito pelo motor diesel.

Existe uma tendência mundial para utilizar a tecnologia série nos ônibus urbanos e a tecnologia paralelo para os automóveis. É fácil entender o porquê: os híbridos séries recarregam as baterias nas paradas, por isto conseguem manter o banco de baterias sempre com energia disponível. Já o automóvel pode não ter paradas constantes, por exemplo, quando está na estrada, podendo ficar sem energia no banco de baterias, por isto precisa do sistema convencional com motor a combustão.

Atendimento à norma Euro 5 e uso de diesel S50, diesel de cana ou Biodiesel B20

O chassi do Híbrido BR fornecido pela Mercedes-Benz é o modelo O 500 U “low entry” (entrada baixa), para carroçarias até 12 metros de comprimento e com 18 toneladas de peso bruto total – PBT. Seu motor OM 924 LA de 4 cilindros oferece uma potência de 136 kW a 2.200 rpm, com torque de 700 Nm entre 1.200 e 1.600 rpm.

O motor OM 924 LA atende aos limites de emissões da legislação PROCONVE P-7 (Euro 5), podendo utilizar tanto o diesel S50 como o diesel de cana ou BioDiesel B20.

O chassi O 500 U do HíbridoBR também se destaca pelos eixos da marca Mercedes-Benz e pela suspensão pneumática integral, característica amplamente reconhecida como um diferencial da linha O 500 no mercado.

O HíbridoBR oferece mais vantagens operacionais. O veículo não tem câmbio, a frenagem é elétrica e o motor opera em condição ideal, com aceleração controlada. Todo o gerenciamento do sistema é eletrônico.

Os ônibus híbridos são confortáveis para os usuários. O controle eletrônico da aceleração evita os trancos típicos da largada e retomada. O motor diesel é isolado acusticamente na traseira do veículo, o que diminui o ruído interno e externo. O condutor do veículo trabalha com muito mais conforto, bem estar e tranquilidade.

O HíbridoBR pode ser encarroçado por todas as empresas do setor no Brasil.

“Também estamos trabalhando no desenvolvimento desta tecnologia híbrida para os nossos modelos de ônibus articulados”, diz Curt Axthelm.

A Eletra

A empresa está no mercado há mais de 30 anos e fabrica veículos elétricos nas versões trólebus (rede aérea); híbrido (grupo motor gerador + baterias); e elétrico puro (baterias), que podem ser adotadas em veículos para transporte urbano de passageiros.

Em 1999, a Eletra criou o primeiro ônibus elétrico híbrido com tecnologia brasileira. Hoje, a marca está presente em 300 trólebus e em 45 híbridos em operação na Grande São Paulo, além de cidades como Rosário, na Argentina, e Wellington, na Nova Zelândia.

Moura

Fundada há 55 anos, em Belo Jardim (PE), é composta por seis fábricas –cinco no Brasil e uma na Argentina. Sua rede própria de distribuição (RBM) é formada por mais de 65 unidades espalhadas pelo Brasil e atende a mais de 23 mil clientes, mensalmente, em todo o território nacional. Além disso, a Moura conta com unidades independentes que atendem a alguns países da América do Sul, além de Portugal e Inglaterra, na Europa. Entre as fábricas e a RBM, a Moura emprega cerca de três mil profissionais de forma direta.

Com tradição consolidada na fabricação de acumuladores elétricos, possui equipe de engenheiros e técnicos altamente capacitados e oferece ampla gama de produtos, com baterias para empilhadeiras, uso em telecomunicações, tratores, automóveis, trens, metrôs, barcos, entre outros. Comprometida com a sustentabilidade ambiental, a Moura possui um consistente programa de Logística Reversa, tendo capacidade de reciclar mais de 100% de sua produção. Ainda nesse contexto, a empresa passa a realizar o projeto Carbono Zero, que neutraliza a emissão de carbono ocorrida na produção de seus acumuladores. Dessa forma a Moura garante o correto descarte do produto e contribui para a preservação do meio ambiente.

Fonte: Divulgação