Ativos da Busscar são colocados à venda

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Pouco mais de um ano após a falência da empresa ser decretada, os ativos da Busscar, que já esteve entre os maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do país, começam a ser colocados à venda para o pagamento de parte das dívidas que chegam a R$ 1,6 bilhão.

Daqui a um mês, no dia 19 de dezembro, serão leiloados os bens de duas empresas do grupo: a Climabuss, que produzia equipamentos de ar condicionado para ônibus, e a Tecnofibras, fabricante de peças plásticas reforçadas com fibra de vidro – esta última ainda em operação no distrito industrial de Joinville, em Santa Catarina. Junto com a massa falida dessas duas companhias, serão alienados, num terceiro lote do pregão marcado para a mesma data, os ativos não operacionais da Busscar, entre imóveis e veículos da empresa.

Em conjunto, esses bens foram avaliados em R$ 118,6 milhões, com lance mínimo estipulado a interessados em R$ 88,9 milhões, ou 75% do valor pelo qual os ativos foram avaliados. Só a Tecnofibras, única empresa do grupo que se manteve ativa durante o processo de falência, é avaliada em R$ 73,7 milhões. Antes disso, já na sexta-feira da semana que vem, será feita a venda antecipada, também em leilão, do estoque de peças da Busscar, num total de 17 mil componentes, como catracas eletrônicas e painéis de vidro, que, a preço de custo, podem levantar cerca de R$ 7 milhões.

Os recursos serão destinados ao pagamento de dívidas trabalhistas e tributárias, além de outros credores que vão de fornecedores a bancos públicos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banrisul. Longe de quitar a bilionária dívida deixada pela Busscar, a venda dos ativos que compõem o primeiro inventário de bens da empresa não deve ser suficiente para atender muito mais do que os chamados créditos extraconcursais, aqueles constituídos após a decretação de falência e que têm prioridade de pagamento. Apenas esses créditos – que incluem, entre outros, a remuneração de administradores judiciais e custos relacionados ao processo falimentar – são estimados em R$ 99 milhões, segundo Thaís Gonçalves, assessora jurídica do administrador judicial da massa falida.

Concluídos esses primeiros leilões, restará a venda dos ativos de fabricação de carrocerias de ônibus, que era o principal negócio da Busscar. O laudo de avaliação do parque industrial de carrocerias em Joinville, porém, ainda não foi finalizado, de forma que sua alienação está prevista apenas para o ano que vem, provavelmente ainda no primeiro semestre. Desde que a empresa entrou em recuperação judicial, há dois anos, esses ativos chegaram a despertar o interesse da Marcopolo.

A fábrica de carrocerias está totalmente inativa desde a decretação da falência da Busscar, em setembro de 2012. Já a Climabuss deixou de produzir em março deste ano. Tanto no caso da Climabuss como no da Tecnofibras, a alienação dos bens foi solicitada pelo Instituto Professor Rainoldo Uessler (IPRU) – interventor judicial da Busscar – para evitar a desvalorização dos ativos, tendo em conta o risco de obsolescência dos equipamentos das empresas com o passar do tempo.

Autorizado pela Justiça de Santa Catarina, onde corre o processo de falência, o pregão dos ativos teve o edital publicado na quinta-feira. Os interessados devem entregar suas propostas em envelope lacrado até 18 de dezembro. No dia seguinte, os envelopes serão abertos no auditório da Busscar em Joinville. Levará os ativos quem oferecer maior preço na proposta inicial ou, se houver necessidade, na disputa em leilão por lances orais. Se não houver interessados, outro certame deverá ser agendado.

A expectativa dos administradores judiciais é que a Tecnofibras – empresa ainda financeiramente saudável – atraia o maior número de interessados. De acordo com Thaís, da equipe responsável pela administração judicial do grupo, nove empresas já se apresentaram como possíveis compradores da Tecnofibras, que fornece peças para fabricantes de máquinas como Caterpillar e John Deere, além da montadora de caminhões e chassis de ônibus MAN.

Fonte: Valor Econômico S.A.




Um comentário em “Ativos da Busscar são colocados à venda

  • 21/11/2013 em 12:30
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    Se não souber administrar, quebra mesmo, e a falência não respeita grande nem pequena empresa.

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