Empresas de transporte reclamam da falta de caminhoneiros

Greve de caminhoneiros - Brasil 2013 (39)




O setor de transportes terrestre paranaense sofre com a falta de motoristas profissionais. Segundo estimativa do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), atualmente há demanda de 5 mil vagas de caminhoneiros para suprir as necessidades dos transportadores do Estado. A situação não é diferente no resto do País. De acordo com dados da Associação Nacional dos Transportadores de Carga & Logística (NTC&Logística), o Brasil tem déficit de 120 mil motoristas.

Entidades do setor apontam a falta de segurança, as condições das estradas e o tempo longe da família como os principais fatores para a baixa procura pela profissão. “Trata-se de atividade que é preciso gostar de viajar e ter espírito para a coisa. Quem entra nessa precisa saber de todos os prós e contras da profissão. E o salário não é ruim. Hoje o caminhoneiro pode ganhar de R$ 1,5 mil até R$ 5 mil. Mas infelizmente não estamos conseguindo preencher as vagas que o mercado oferece”, diz Gilberto Cantu, presidente do Setcepar.

Romantismo

De acordo com Cantu, a atual situação da economia brasileira também favorece para que a profissão de motorista não seja mais tão procurada. “Antigamente ser caminhoneiro era uma atividade mais romântica, passava de pai para filhos, as crianças queriam trabalhar na estrada. Mas hoje não. Os pais caminhoneiros querem seus filhos estudando e seguindo outra profissão e hoje o País oferece essa oportunidade com mais facilidade. Além disso, há muita oferta de emprego, seja na indústria ou no comércio, e isso faz com que os profissionais busquem oportunidades mais seguras, perto de suas famílias”, explica.

O Sindicato dos Trabalhadores, Motoristas em Geral e Ajudantes de Caminhão do Paraná (Sintracarp) também confirma a falta de mão de obra nas estradas brasileiras. “Sabemos dessa situação e não vejo, a médio ou curto prazo, solução para suprir essa necessidade. O Brasil mudou e muitos estão procurando outros caminhos profissionais. Além disso, a violência é grande nas estradas, não há estrutura para a lei de descanso e as condições de trabalho estão cada vez piores”, alerta o presidente da entidade, Lourival Vieira.

Ajuda estrangeira

Para tentar diminuir esse déficit, o Setcepar procura solução nos países vizinhos. Até o final do ano, a entidade quer colocar no mercado cerca de 15 motoristas vindos da Argentina, Paraguai e Colômbia. “É o projeto piloto que visa a vinda desses profissionais para preencher essas vagas abertas. O processo está em andamento. Estamos conversando com o Ministério do Trabalho e o Detran para acertar todos os pontos relacionados às leis trabalhistas e às carteiras de habilitação”, afirma Cantu. “É uma situação que atinge a nós, empresas, e a economia do Estado, e estamos tentando resolver”.

Mantida tradição de família

Apesar de todas as dificuldades da profissão, ainda há quem queira fazer a carreira na estrada. É o caso da motorista Cristina Bernini, que já dirige caminhões menores e agora quer encarar os gigantes da estrada. Ela, que é de família de caminhoneiros, afirma que sabe dos contras da profissão, mas não pensa em fazer outra coisa da vida.

“Já é tradição familiar. Então sempre convivi nesse meio e já trabalho com isso. Sei bem que as estradas estão violentas, com assaltos e acidentes, mas é o que eu sei e o que eu gosto de fazer. Além disso, o salário é atrativo. É uma profissão que tem seus riscos, mas quero encarar esses riscos”, afirma.

Ela está fazendo o curso de motorista no Sest/Senat de Curitiba e afirma que em breve quer estar nas estradas, seguindo a profissão que sempre desejou. “O curso ensina muita coisa que eu acho que vai me ajudar no mercado. Dirigimos todos os dias e aprendemos principalmente a lidar com a tecnologia dos caminhões. No começa assusta, mas depois é tranquilo e você percebe que a direção fica mais tranquila e segura”, conta.

Cursos são gratuitos

Observando a dificuldade do setor para completar as vagas para motoristas, o Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), entidades ligadas à CNT, realizam cursos profissionalizantes gratuitos para capacitar futuros profissionais por meio do Programa na Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). “Profissionais dos mais variados perfis nos procuram para fazer os cursos, que duram cerca de dois meses”, diz a coordenadora de Desenvolvimento Profissional do Senat Curitiba, Miscila Zeferino Kruger.

O instrutor do curso, Claudio Roni Thomas, afirma que o grande desafio dos alunos é saber usar de maneira correta toda a tecnologia embarcada nos novos caminhões.

Técnicas

Ao longo do curso, o aluno aprende técnicas de direção defensiva, economia de combustível, línguas e noções de trato com clientes. “É aprendizado muito mais comportamental do que técnico. Quem tem carteira específica, já sabe dirigir caminhão. O que ensinamos aqui é como dirigir da maneira correta e de acordo com o que o mercado quer”, aponta Thomas.

Um roubo a cada dois dias

Um dos principais motivos que contribuem para a baixa procura pela profissão de motorista de caminhão é o crescimento no número de roubo de cargas nas estradas brasileiras. Último levantamento da Associação Nacional dos Transportadores de Carga & Logística (NTC&Logística), em 2011, registrou 13 mil casos, com perdas de R$ 920 milhões. No Paraná, de acordo com estimativa do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), acontece um roubo de carga a cada dois dias.

Na região de Curitiba, a ocorrência desse tipo de crime também é grande. Segundo a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (Dedc), acontecem cerca de 20 casos por mês. “Os municípios de São José dos Pinhais e Campina Grande do Sul são os locais com o maior número de roubos de carga aqui na região”, explica o delegado Mateus Layola, titular da especializada.

Bandidagem

Ainda de acordo com Layola, a ação dos bandidos costuma acontecer da mesma maneira. “Geralmente emparelham outro veículo com o caminhão, mandam o motorista parar a carreta, rendem o caminhoneiro, amarrando-o e levando para o cativeiro e depois levam a carga. No geral, não há violência contra os motoristas”, afirma o delegado.

Fonte: Paraná Online




28 comentários em “Empresas de transporte reclamam da falta de caminhoneiros

  • 26/09/2014 em 10:27
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    ta faltano motorista mesmo porque quem tem restricao no nome e tratado como bandido nao trabalha em nenhuma transportadora tem que mudar esta lei como vai pagar conta se nao pode trabalhar.

  • 10/05/2014 em 06:02
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    Muitos não seguiram a profissão dos pais, no meu caso meu PAI trabalhou com caminhões por 40 anos e na epoca ja não estava bom que dirá agora principalmente pra autônomosss..

  • 28/04/2014 em 20:53
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    A falta de motorista está ocorrendo por conta do descaso . São maltratados nas portas das empresas tratados como cachorros . Não tratam agende com educação . padrão não valorizam seus funcionários pagam mau. quem hoje quer sair da sua casa deixar sua família para viajar arriscar sua vida por baixo salário . sou caminhoneiro a 15 anos e falo pro filho estudar para ser alguém na vida porque caminhoneiro já era . Não deixo nem ele chegar perdo do meu caminho . A nossa sociedade descrimina a nossa classe tá foda ser caminhoneiro hoje.

  • 02/04/2014 em 16:43
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    Emmerson, Belém-Pa: (91) 80974017 – TIM.
    Cat AE + Mopp ,

  • 17/02/2014 em 15:21
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    Esta alegação dos empresários só está servindo para criar mais oportunista oferecendo vagas que não existe, através de taxas. O Sest/Senat oferece cursos mas vc tem que pagar. Tem profissionais procurando vagas de CNH categoria E, aqui na Bahia, não tem MOPP, se quiser concorrer a vaga 1º vá ao Sest/Senat, depois mande curriculum p/ mofar nas gavetas das empresas. Ainda tem muitos profissionais, responsaveis procurando oportunidades. Que as empresas invistam junto ao investimentos destinados à renovação da frota.

  • 08/02/2014 em 18:57
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    Se melhorar as condições de trabalho e o salário,com certeza vai diminuir este déficit.

  • 07/02/2014 em 08:03
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    Nao tenho experiencia na estrada, mas gostaria muito de ser caminhoneiro. Tenho carteira E e muita disposição em aprender a profissao que tanto desejei toda a vida, mas por nescessidade trabalhei em uma metalurgica por 27 anos e agora fui demitido e estou me preparando para realizar meu sonho que e de ser caminhoneiro. Se alguem se interessar, meu telefone é: (54)8126.2587

  • 21/11/2013 em 21:24
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    Motorista tem, o que esta faltando e empresas k se disponibilizam de salários melhores e derem mais oportunidades a quem esta chegando agora. tirei minha CNH e estou a procura de uma oportunidade sou de MG .

  • 17/11/2013 em 16:14
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    Salario baixo, estradas ruins, banheiros “incagáveis”, jornadas de trabalho escravas, sem contar a logística que faz ficar parado 2 dias para carregar/descarregar e com a nova lei dizem que é o descanso (apesar de tudo sou a favor da 12619).
    E principalmente empresários que gastam milhões em frota para tirar uma foto e dizer que investem e choram porque gastam para pagar motorista, quando deveriam investir no ser humano.
    Realmente para estar neste ramo tem que gostar muito…

  • 15/11/2013 em 22:53
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    abaixo a famigerada comissão, com salário digno e uma diária que cubra sua despesa diária,
    horários regulamentares e cursos para atualizar os profissionais com certeza a realidade seria outra, empresas que não valorisa seu profissional vira ” curva de rio” so junta cisco”.

  • 15/11/2013 em 10:26
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    ofereço-me para trabalhar como motorista de caminhão,tenho experiência comprovada,parei de viajar devido ao baixo salário,conheço boa parte do brasil,mas dou preferência para viagens curtas,do Paraná,á Sp,Sc,Rs,e Ms,faixa salarial de 2.500,00,mais diária,quem se interessar estou á disposição,não aceito contra proposta,pois tenho que me valorizar

  • 12/11/2013 em 11:09
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    como nao vai faltar operarios padrao, e ou motoristas carreteiros , profissionais do voloante, as empresas dao pressao , nao respeitam , forçam a tomar remedios deprecivos, a falta de onestidades , os colegas em geral, tratam como se fossem animais, os salarios ruim, as distancias percorridas sem folgas diarias pequenas, os caminhoes velhos sao poucas das empresas com caminhoes novos , e a justiça do trabalho tem que entrar com forças nas areas dos transportistae a olicia rodovias em geral faser atualizaçoes e atuaçoes fortes , aprederem veiculos fora de padraos, e colocarem horarios e tamanhos em rotas certas,os acompanhamentos de pisicologos ,se tem realmente condiçoes de dirigir. tenho certeza que mudaria muita coisa e as empresas obtriam de novo seus proficionais, .obrigado, sou motorista ja 23 anos em carretas e linhas internacionais, mas ba gaucho, to ai pra da e o que vier,

  • 11/11/2013 em 19:28
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    pois e alendo do salario baixicimo ainda temos que sustentar.os sindicatos que nos achacan todos os meses.

  • 11/11/2013 em 18:44
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    com esses salários vai continuar faltando motoristas,os patrão não querem pagar diárias,eu não saio mais de casa para ganhar o salário de um sorvetiro.

  • 11/11/2013 em 18:41
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    Faço coro com os irmãos do trecho. As empresas pagam mal, são poucas as que dão chances e o governo ainda diminui a profissão. Temos uma grande importância no progresso do Brasil, se alguém possui, pode crer que fomos nós que levamos, somos tão importantes como um médico, advogado, psicólogo e outros mais, falta valorização.

  • 11/11/2013 em 18:27
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    Boa Noite a Todos, Pois bem a minha opinião é a mesma que de boa parte dos amigos acima, pois bem eu sou uma prova viva que estou a mais de um ano procurando e tentando uma vaga como motorista de de caminhão e não consigo o mesmo, tentei em varias empresas e inclusive por internet e ninguém quer me dar uma chance para começar nesta vida, e em todas as empresas que eu estive presente sempre respondiam a mesma coisa que me falta experiência e que não posso participar da seleção, sendo que eu tenho a CNH AE e mais cursos do MOPP, transporte coletivo, transporte emergência e transporte escolar, sendo assim cade a minha oportunidade ?

  • 11/11/2013 em 17:04
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    kkkkkkkk fala serio esse salario a e é a onde cara …….. por favor se esta faltando motorista qualificado porque essas empresas não qualificam dando cursos,treinamentos e valorizando o motorista que ja tem .Eu tenho a categoria D, eu tava loco pra ir pra estrada depois que conversei com alguns amigos que já são caminhoneiros e fiquei ciente de tudo o que acontece na estrada e a micharia que é o salario de um caminhoneiro desisti logo de cara ,sem fala que quando vc vai procura serviço em uma empresa eles logo te perguntam vc ja trabalho de motorista em alguma empresa …….. Eu conheço uns 10 aqui perto de casa que tem categoria De não consegue trabalho por isso,então o jeito é entra de ajudante na empresa e depois passa a motorista

  • 11/11/2013 em 15:12
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    tem que faltar mesmo, pagam mixaria e fazem c… doce até para contratar, sem falar nas seguradoras de cargas que vasculham a vida toda do motorista e se ele dever no boteco da esquina já não querem a contratação do mesmo….

  • 11/11/2013 em 12:38
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    Se pagassem mais não faltaria!!!! Qual é o proficional que trabalha com prazer diante de uma miséria que mal da pra pagar as contas do fim do mês??????????????????????????

  • 11/11/2013 em 12:36
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    Fatos são incontestáveis! É fato que com baixos salários, desvalorização de uma classe para conseguir baixar proventos em benefício próprio, sem contar com o já deteriorado ambiente de trabalho, resulta em baixa procura por esta função! Estão colhendo o que plantaram e esse resultado é muito lógico! Esta situação só aponta para uma conclusão: o empresariado no ramo de transportes é indubitavelmente incompetente para gerir mão de obra. “Não chore sobre o leite derramado se não cuidaste dele!”

    • 11/11/2013 em 13:44
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      um ótimo ponto de vista , falo tudo como pode se o proprio governo a anos atras tirou até a insalubridade da profissão , o cara ganha pouco , fica longe da familia , corre risco de acidentes , de assaltos , roubos , não tem um local apropriado para descansar , muitas vezes come mau , filas e mais filas causadas pelo descaso do governo e querem fartura de motoristas para estipularem um salario baixo e para contratar ainda falar pega se não tem outro ai sobrando , esse tempo ja foi , motoristas estão dando valor a sua mão de obra , e merecem

      • 04/12/2013 em 10:17
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        Somando ao seu comentário, todo erro da infraestrutura é pago pelo motorista. Perdi minha habilitação por pontuação aguardando na fila em guarujá. A policia Rodoviária Federal nos multa pela falta de infraestrutura para chegar ao porto. QUER SABER, VAI BUSCAR MOTORISTA NO INFERNO!!!!!!!!!!!

  • 11/11/2013 em 12:06
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    Toda vez que eu vejo esse tipo de coisa me irrita, falar que não tem caminhoneiro é fácil né? agora pagar bem ou amenos da oportunidade não né? só sabem reclamar e nada fazer.

  • 11/11/2013 em 11:09
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    melhora salário que não falta motorista fica alongado longe da familia e ganhando micharia prefiro fica no transporte coletivo e todo dia em casa

  • 11/11/2013 em 08:19
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    será que falta motoristas mesmo ou falta vontade das empresa de dar experiencia e oportunidade a quem quer ser motorista!!!!!!

    • 11/11/2013 em 17:18
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      Cara vc falo tudo a e
      as empresas compram caminhões com muita tecnologia mas esquece que os motoristas mais antigos ou até mesmo os mas novos não entendem ainda que é preciso cursos para opera uma maquina dessa, então porque as empresas não dão oportunidade pra quem ta chegando e pra esses motorista que ja trabalham nesse ramo de fazer cursos gratuitos dentro da propria empresa, assim formando profissionais qualificados e responsaveis e sabendo tira o maximo do veiculo .

    • 30/07/2014 em 18:49
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      Amigo luciano, o seu comentario esta corretissimo na falta quem disse que as empresas dam oportunidade . Eu moro em sp sou motorista e estou fora do mercado..
      Infelizmente..

      Boa noite …

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