Randon teme os efeitos das mudanças no PSI

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Com uma carteira de pedidos de reboques e semirreboques rodoviários pelo menos até fevereiro de 2014, a Randon, de Caxias do Sul (RS), acredita que as mudanças operacionais para os financiamentos de implementos e caminhões pelo programa PSI, anunciadas nesta semana pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vão provocar “perturbação” no mercado nos últimos dois meses do ano. “Algum impacto vai ocorrer, ainda estamos tentando dimensionar”, disse o diretor de relações com investidores, Geraldo Santa Catharina.

Desde terça-feira o banco só está recebendo novos pedidos de financiamento pela modalidade simplificada do PSI, na qual as operações já foram contratadas pelos agentes financeiros e as notas fiscais dos produtos já foram emitidas. As solicitações devem ser protocoladas no BNDES até 13 de dezembro, mesma data estabelecida como limite para o encaminhamento dos pedidos de liberação dos recursos na modalidade convencional, que dependem de aprovação prévia do banco de fomento.

Conforme o executivo, a carteira da Randon é “confortável” e supera com folga posição observada neste mesmo período de 2012, quando as encomendas se estendiam por dois meses e meio. Para fazer frente às mudanças que restringem o fluxo das operações do PSI, a empresa pretende “acelerar as entregas” de produtos até 13 de dezembro e buscar juntos com os clientes outras linhas de financiamento, como o Finame tradicional.

Apesar do clima de incerteza, o diretor confia que não haverá cancelamentos significativos de pedidos. “Não será um desastre”, acredita. De acordo com ele, a expectativa do setor é que o governo normalize as operações do PSI até dezembro, inclusive com a definição das taxas de juros para 2014, ainda que em patamar superior aos atuais 4% ao ano. O mais importante é garantir a “regularidade e previsibilidade” da linha de financiamento, acrescentou o executivo.

Outra consequência da alteração nas regras foi a paralisação temporária da elaboração dos “guidances” (projeções de desempenho) da Randon para o ano que vem. “Parou tudo”, afirmou Santa Catharina. Até as mudanças no PSI, a empresa estimava crescimento “suficiente para absorver a inflação” nos segmentos de caminhões e implementos rodoviários no ano que vem, graças principalmente à agricultura e aos investimentos em infraestrutura, com efeitos positivos no desempenho das fabricantes de autopeças do grupo (Fras-le, Suspensys, Master e Jost).

Para 2013 os “guidances” estão mantidos. As projeções incluem receita líquida consolidada de R$ 4,1 bilhões, exportações e receitas das controladas no exterior de US$ 392 milhões e investimentos de R$ 130 milhões. No acumulado até setembro, a receita chegou a R$ 3,2 bilhões, alta de 26,9% sobre igual período de 2012, enquanto os investimentos avançaram 6,8% na mesma base de comparação, para R$ 238,1 milhões.

As exportações recuaram 8,6% em dólar nos nove meses, para US$ 181,5 milhões, mas tiveram oscilação positiva de 0,4% em reais, para R$ 385,7 milhões, beneficiadas pela variação cambial. Os embarques ao exterior foram contidos pela maior demanda no mercado interno e pelo ritmo ainda lento dos negócios em mercados como Estados Unidos e Europa no segmento de autopeças. Ao mesmo tempo, as controladas no exterior registraram receita bruta total (sem eliminação de vendas entre coligadas) de US$ 90,8 milhões, ante US$ 91 milhões em 2012.

De julho a setembro, considerado por Santa Catharina como o “melhor terceiro trimestre dos últimos tempos”, a Randon teve lucro líquido consolidado de R$ 78,7 milhões, 508,5% a mais do que no mesmo período de 2012 (R$ 12,9 milhões). A receita líquida consolidada cresceu 29,2%, para R$ 1,134 bilhão, e a margem bruta alcançou 26,9%, deixando para trás os 21,8% de 2012, quando a quebra da safra e a migração dos veículos a diesel para o padrão “Euro 5” de emissões atmosféricas prejudicaram os setores de caminhões, implementos e autopeças no país.

No trimestre, as vendas físicas de reboques e semirreboques cresceram 28,6%, para 7 mil unidades, aproveitando a alta do mercado doméstico de caminhões. Nas autopeças, as taxas mais expressivas foram registradas nas linhas de freios, com expansão de 29,8%, para 264,4 mil unidades, e de sistemas de acoplamento, que aumentaram 49,2%, para 30,8 mil. Apenas um vagão ferroviário foi vendido no período, mas a Randon fechou encomenda de mais de 800 unidades e R$ 200 milhões para a Vale, que serão entregues entre dezembro e junho de 2014.

Com maiores volumes, melhor margem bruta e controle das despesas operacionais, que subiram 11,7% no trimestre, para R$ 156,7 milhões, a Randon aumentou em 127,4% o lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), para R$ 176,3 milhões. A relação entre dívida financeira líquida e Ebitda de 12 meses oscilou de 1,9 para 1,95.

Fonte: Valor Econômico