Transportes deficientes encarecem mercadorias na África até 75%

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Os custos de transporte na África encarecem as mercadorias em até 75%, concluiu o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). “Os transportes multimodais podem contribuir significativamente para o crescimento e a produtividade se os vários modos estiverem bem integradas, mas esse não é o caso, infelizmente, da África, onde a integração não é a regra. Os custos de transporte aumentam os preços dos bens africanos em gritantes 75%”, afirma o relatório da Africa Infrastructure Country Diagnostics.

“Sistemas de alfândega corruptos e restrições à entrada de produtos em novos mercados estão a bloquear o desenvolvimento do transporte multimodal”, pelo que “estes e outros impedimentos atrasam a carga, aumentam os custos de transporte internacional, e comprometem o sistema de logística de que depende o comércio global”, acrescenta o documento, que faz uma análise das principais fragilidades dos portos e das estradas-de-ferro na África.

A análise feita no documento mostra que, desde meados dos anos 90, o volume de carga que passa pelos portos africanos triplicou, e estima que o crescimento previsto continue a exigir mais investimentos, principalmente porque “a eficiência e a performance continuam bem abaixo dos padrões internacionais” e com “tarifas tão altas que desencorajam o tráfego e aumentam os custos” do transporte.

O problema, sublinha-se no documento, passa também pelo tempo que os caminhões têm de esperar até as mercadorias estarem disponíveis, que é superior à média internacional, e pelos custos cobrados pelos portos aos transportadores, que são 50% superiores aos praticados nos principais portos mundiais.

No que diz respeito às estradas-de-ferro, o panorama é ainda mais desolador: linhas com mais de cem anos, sem manutenção, desadequadas para altas velocidades, que precisam de reabilitação ou puramente inexistentes, são algumas das características que o relatório aponta neste setor, embora sublinhe alguns bons exemplos, como o caso da África do Sul.

“Com o declínio do tráfego, poucas estradas-de-ferro têm a capacidade de gerar receitas que possam ser usadas para financiar os investimentos, pelo que a resposta política usual tem sido concessionar as estradas-de-ferro. Mas apesar das melhorias que daí surgiram, a concessão a privados não foi suficiente para gerar a receita suficiente para ser usada na reabilitação”, conclui o relatório.

Fonte: Transportes em Revista