Volvo para menores

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No alto de seus quase dois metros de altura, é praticamente impossível não perceber a presença do executivo sueco Olof Persson, ao chegar à ampla sala de reuniões da Volvo, na Cidade Industrial de Curitiba. Presidente mundial do grupo, o executivo sabe que tamanho é documento para a empresa escandinava que fatura US$ 45 bilhões e é conhecida por ser uma das forças globais no mercado de caminhões pesados, a faixa acima de 16 toneladas. Tamanho também serve para definir a sua agenda. Nos últimos tempos, Persson tem visitado anualmente as operações no Brasil, que responde pelo segundo maior volume de negócios da Volvo – atrás apenas dos Estados Unidos.

“Independentemente da conjuntura econômica de curto prazo, os nossos investimentos para o Brasil visam a resultados de longo prazo”, afirma Persson. “Por isso, estamos comprometidos em lançar aqui uma segunda marca de caminhões.” Alegando segredo estratégico, Persson se nega a revelar o nome da marca ou a data do anúncio. Sugere apenas que isso deve acontecer até o final do primeiro trimestre de 2014. Além da própria marca Volvo, a única comercializada por aqui, o grupo atua no mercado internacional com outras três linhas de caminhões: a Renault Trucks, adquirida do grupo francês Renault, a japonesa UD Trucks, antiga Nissan Diesel, e a americana Mack, que compete nos Estados Unidos.

Nesse contexto, as apostas do mercado se situam na marca Renault, já assimilada no Brasil, devido à atuação local da divisão de automóveis que ainda pertence à montadora francesa. Mas, se a ambição da Volvo for firmar-se como um fabricante que atua em todos os segmentos de transporte de cargas, a marca UD aparece como a opção natural. “O grande motor do setor no Brasil tem sido o agronegócio, que exige grandes caminhões, mas a segunda força vem do mercado logístico, que pede veículos capazes de transitar no centro das grandes cidades”, afirma Cláudio Gonçalves, professor do MBA de gestão de risco da Trevisan Escola de Negócios.

“A Volvo já domina o mercado na primeira área, e pode competir com a Ford e a Volkswagen, na segunda.” Até outubro, a Volvo comercializou 17.316 caminhões, o que lhe garantiu 13,5% de participação e a terceira posição do mercado. Mas essa euforia não deve manter-se indefinidamente. “Esperamos um 2014 estável para os caminhões pesados e semipesados“, diz Persson. É nesse contexto que ganha ainda mais importância o segmento de Veículos Urbanos de Carga, mais conhecidos pela sigla VUC. Acostumada com os gigantes, a Volvo, para seguir crescendo, terá de voltar seus olhos também para os menores.gr_780926483964268

Fonte: Isto É Dinheiro