Caminhoneiros – Planos adiados

Caminhão Scania T113H360 bitrem na BR-476 - Foto de Rafael Brusque Toporowicz - Blog do Caminhoneiro




Ao final de mais um ano de trabalho, e milhares de quilômetros rodados, muitos carreteiros costumam fazer um balanço sobre as conquistas realizadas e o que teve de ser adiado. Na avaliação dos profissionais 2013 foi um ano de muito trabalho, porém com baixo faturamento, porque o valor do frete – mais uma vez – não acompanhou o aumento dos custos operacionais da atividade do transporte rodoviário de carga. Assim, muitos tiveram de deixar para 2014 a troca ou a compra do caminhão, a reforma da casa e outros objetivos.

É o caso de Manoel Messias, de Aracaju, 53 anos de idade e 30 de estrada, que viaja o Brasil inteiro e carrega todo tipo de carga. Ele diz que 2013 poderia ter sido melhor, pois não conseguiu realizar todas as suas metas e a troca de caminhão ficou mais uma vez somente nos planos. A justificativa é o frete baixo, encargos e custos altos. “Confesso que deixei de sonhar. Afinal, o governo não oferece nenhum incentivo para ajudar o carreteiro a renovar a frota”, desabafa.

Manoel faz questão de ressaltar também que trabalhar como carreteiro está ficando cada dia mais caro, o que contribui para que o motorista não consiga fazer uma reserva para investir num veículo novo. “O preço do diesel está um absurdo e o dos pedágios também. Algumas rodovias, como as da Bahia, têm pedágio sem estrada e isso dobra o nosso custo”, contabiliza.

Outro motorista que também não conseguiu atingir seus objetivos em 2013, e diz estar cansado da profissão, é o paranaense de Ponta Grossa, Ricardo Júnior Silva Pereira. Com 35 anos de idade e nove de profissão, ele afirma que já teve expectativa de comprar seu próprio caminhão, porém, com os custos altos, frete baixo e juros abusivos ainda não conseguiu.

Para 2014, ele pensa em investir na padaria a qual sua esposa é proprietária e modernizar o estabelecimento com novos maquinários. Acredita que assim conseguirá aumentar a renda da família e, quem sabe, até juntar algum dinheiro. “Sinceramente, só não largo a estrada porque amo o que faço. Mas em 2014 quero tentar ganhar mais e evoluir na profissão e vamos torcer para que o frete seja mais valorizado”, planeja.

O autônomo Glaelcio Souza Cardoso, 52 anos de idade e 30 de profissão, de Três Cachoeiras/RS, transporta cargas diversas para Porto Alegre, São Paulo e Rondonópolis, e chega a ficar 18 dias fora de casa. Suas metas de reformar a casa e aumentar o muro – por conta da neta de dois anos – também foram prorrogadas para 2014. Diz ter havido trabalho, porém faltou oportunidade de juntar dinheiro, porque até então todos os seus filhos dependiam dele financeiramente.

“Foi um ano complicado. Praticamente só eu trabalhei e a renda ficou toda comprometida”, desabafa. As expectativas para 2014 são grandes, com os filhos encaminhados vai sobrar tempo para a esposa viajar junto com ele e também economizar dinheiro para dar andamento na sua casa, principalmente na segurança da neta. “Tenho também o sonho de comprar um caminhão, mas sei que tenho de me programar para isso”, reconhece. Na ocasião da entrevista à reportagem da Revista O Carreteiro, em novembro, Cardoso estava seguindo para Rondonópolis/MT, para fazer sua última viagem de 2013. “Fim de ano será com a família, viagem longa agora só em janeiro”, justifica.

Para o paranaense Adalto da Silva, 53 anos de idade e 33 anos de estrada, atualmente morando em Campos Sales/BA, o ano de 2013 teve um sabor especial, pois conseguiu oficializar seu segundo relacionamento conjugal, do qual já tem um filho de três anos de idade. Diz não ter faltado trabalho durante o ano, porém adiantou que este ano seria impossível parar em dezembro para curtir as festas em casa. “O problema tem sido o preço baixo do frete, que não acompanhou os valores altos de combustível, pedágio e impostos. Hoje, você paga para dormir e para tomar banho. As coisas estão cada dia mais difíceis “, analisou.

Seu plano para 2014 é largar a profissão, vender o caminhão e abrir uma borracharia, que segundo a sua avaliação dará “menos dor de cabeça”. “Infelizmente não dá mais para continuar. O motorista trabalha dia e noite e não consegue ver o resultado desse esforço. Financiamento é sempre muito alto não dá para pagar. Então, vou desistir e tentar outra coisa”, explicou.

Lembra com saudades de um tempo onde ser motorista de caminhão realmente valia a pena. “Até os anos 90 era bom, dava para juntar algum dinheiro, mas de uns anos para cá começaram a acontecer calotes de transportadoras pequenas e as condições de trabalho ficaram péssimas. Para mim, 2013 foi um dos piores anos”, desabafa.

Diferente de seus colegas, o autônomo Eduardo Trindade, 30 anos de idade e 11 de estrada, de Gravatai/RS, conseguiu atingir a sua meta de trocar de caminhão. Em 13 anos, ele pulou de um Mercedes-Benz 1513, ano 1975, para o L 1620 fabricado em 1998. “Posso dizer que as economias que fiz durante o ano passado (2012) mais o apoio da minha esposa, que trabalha em outra área, ajudaram a concretizar a minha meta”, explica. Ele reconhece que trabalhando com caminhão mais novo – financiado em 42 vezes – está conseguindo carga com mais facilidade.

Em relação ao trabalho, Eduardo diz que não pode reclamar, mas destaca que os meses de junho e julho foram os mais fracos do ano. “Até consegui me organizar para estar com a minha família nas festas de final de ano. Paro no Natal e fico até o dia 15 de janeiro”, comemora. Seus planos para 2014 são colocar as contas em dia, juntar mais um valor em dinheiro para garantir as festas do final do ano de 2014. “Espero alcançar meus objetivos. Talvez o ano tenha períodos complicados como o da Copa do Mundo de Futebol, porque as empresas devem parar. Aí vamos ter que correr atrás do prejuízo”.

Apesar de não ter sido um ano com muitas conquistas, Cláudio de Jesus Santos, 52 anos de idade e 30 de profissão, de Lagoinha/BA, diz estar satisfeito com o resultado e revela estar cheio de planos para 2014. Trabalhando com um Chevrolet fabricado em 1959, Cláudio diz ter conseguido arrematar alguns fretes de mudanças e ganhar algum dinheiro. “Mesmo velhinho, o meu caminhão está com ótima manutenção e nunca me deixou na mão. O único problema é que não consigo variar de frete. A maioria é mudança e às vezes não compensa. Para o ano que vem vou colocar baú e aumentar o chassi em dois metros”, planeja. Seu objetivo com a alteração no caminhão é conseguir comprar a sua casa. “No passado vendi o meu truck para comprar o imóvel, mas não deu certo. Agora quero planejar direito, juntar o dinheiro e escolher um bom lugar para morar”, comenta.

O carreteiro Jose Luciano da Silva Honorato, 29 anos e há três na profissão, se mostra otimista para o próximo ano e tem como meta terminar de pagar o caminhão (faltam 14 prestações), trocá-lo por um modelo zero quilômetro. Para isso espera que o valor do frete aumente para poder equilibrar com os custos operacionais e assim conseguir poupar. “É uma profissão sofrida, mas eu gosto e ainda tenho esperança de um tempo melhor”. No plano pessoal, pretende se organizar para permanecer menos tempo longe de casa, pois atualmente, conforme diz, chega a ficar quase três meses na estrada. “O que se ganha não vale tanto esforço”, finaliza.

Reduzir gastos para economizar

Especialistas da área de finanças garantem que para o carreteiro conseguir atingir as suas metas no próximo ano, sejam elas troca ou compra de caminhão, de uma casa, ou simplesmente poupar mais para garantir o final do ano junto da família, é importante conhecer os custos diretos e indiretos gerados pela atividade do transporte de carga, planejar as viagens e negociar melhor o valor do frete.

O primeiro passo é conhecer bem os custos e sempre registrar todas as despesas. Para o engenheiro e assessor técnico da NTC, Lauro Valdivia, o importante de o carreteiro listar todas as despesas mensais é ele poder identificar onde está gastando mais e buscar soluções para tentar diminuir os gastos. Lauro destaca ainda que para tornar a atividade mais rentável o motorista tem de se conscientizar que o poder de ditar os preços não está nas mãos apenas de quem o contrata. Ciente de todos os seus custos diretos e indiretos, o autônomo tem argumento suficiente para negociar melhores cargas e não ter prejuízo ao final de uma viagem.

A troca do caminhão, por exemplo, deve ser estudada com muito cuidado. Caminhões novos reduzem o consumo de combustível e os gastos com manutenção, mas normalmente trazem uma prestação elevada, que pode furar o orçamento do carreteiro. Toda a economia de combustível e manutenção acaba sendo consumida em multas e juros pelo atraso. Quanto maior for a entrada na hora da compra, mais baixa será a prestação. Por isso, se possível é bom fazer uma boa reserva e depois partir para a troca do veículo.

Fonte: Revista O Carreteiro – Edição 470




8 comentários em “Caminhoneiros – Planos adiados

  • 25/03/2014 em 12:03
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    Caminhoneiros do Brasil! Todos estão com a razão. Os fretes estão baixos, o de retorno é uma mixaria e quem ganha é o intermediário e os salários de motoristas estão muito ruins. O que não entendo é como uma transportadora, seja lá de que tamanho for, entrega um caminhão de R$ 500 mil Reais na mão de um semi-profissional e depois reclama das quebras e dos acidentes.

    É claro que a parcela do culpa do Governo está aí: estradas ruins e abandonadas, recapeamento péssimo (daqueles que quando o céu escurece anunciando chuva o asfalto começa a se soltar), fiscalização às vezes dura demais e outras vezes inexistente, roubo de cargas, etc.

    Mas ,vamos em frente, pois caminhoneiro é uma profissão das mais nobres.

    Esqueçam os sindicatos pois estão ao lado do Governo, pelo menos é o que demonstram suas ações.

    Esqueçam greves, elas acabam causando problemas para o povo, que só tem culpa indireta, pois em sua maioria votou para os que estão no poder.

  • 30/12/2013 em 14:59
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    Concordo com vcs, o problema é que a grande maioria dos sindicalistas que estão com o governo já estão lá a mais de 30 anos , são profissionais em se ARRUMAR, e saem na foto com o governo … porque não vão para o asfalto parar e fazer valer nossa força ?
    Simples: servindo de pelego do governo dá mais lucro do que defender a classe, e tem mais, a classe é um bando de carneirinho, só fala: na hora do pega … já era, não enfrenta o problema de frente, gente já falei isto e repito: é tirar 10 dias de férias todos ao mesmo tempo sejam empregados e ou autônomos, garanto que todo o Brasil PARADO, antes do 10º dia vem presidente, ministro e tudo o mais pra TV pedir pra negociar, ai é fazer valer a força e não deixar os pelegos ir pra foto.negociar, eles que venham negociar no calor do asfalto.
    Abraço a todos e feliz ano novo, com um 2014 com bastante trabalho e muito mais coragem de lutar por nossos direitos.

    • 02/01/2014 em 22:57
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      o problema e que nossa classe esta muito desunida, o que adianta fazer greve e so meia duzia de caminhao parar, enquanto nossa classe nao se unir nunca vai melhorar para nosso lado………

  • 28/12/2013 em 16:38
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    Boa tarde a todos e como bem disse o Kleber, o problema não é o frete, o problema é a gente aceitar o que se oferece como frete, falta união, falta sindicato trabalhar realmente para o autônomo pois o que ocorre hoje, ocorria à 30 anos, ou seja, se um recusa, o outro vai lá e aceita pois esta com as contas atrasadas e precisa rodar. Como o sindicato não trabalha a nosso favor( a não ser para receber nossa contribuição “obrigatória”), a coisa continua assim, fretes defasados, frete de retorno que não cobre os custos e por ai vai. Que 2014 seja o ano da virada para o autônomo com união e luta.

  • 27/12/2013 em 23:35
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    Vamos parar de culpar o governo por não dar incentivos, as pessoas sempre culpam os outros por suas incompetência, é muito fácil; mais nada fazem para melhora do frete, muito pelo contrario, ficam se submetendo a fretes irrisórios e depois vem reclamar do valor do frete. O frete que esta defasado é o famigerado frete de retorno, e não lutam por frete por quilometro rodados com valor nacional, assim como o salário, que é um valor a nível nacional. Só como exemplo frete S. Paulo / Salvador esta a um valor razoável, enquanto que o frete Salvador / São Paulo não chega a cobrir os custos da viagem. Agora culpar o governo é piada.
    A LUTA É PELO FIM DO FRETE RETORNO, A LUTA É POR FRETE POR QUILOMETRO RODADOS A NÍVEL NACIONAL.

    • 28/12/2013 em 00:20
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      O Kleber vc culpa quem então? me desculpa independente de frete de retorno que eu concordo plenamente com vc que é uma grande covardia,quem sobe preço de diesel igual agora, pedagio eixos erguidos, e mais no caso graos, nao é so frete retorno, qdo acaba a safra milho soja que seja eles defasa a frete mais de 30% no frete normal, A SR dilma chamo motorista de bardeneiro, o pais inteiro protesto pelos seus direito qdo o motorista ameaçou para ela e o secretario transporte disse que nao ia tolera, vc ta de brincadeira dizer que nosso amiga de cima da materia nao pode culpar o governo, vai um caminhoneiro empregado comprar um caminhao pra ve ce ele consegue, vai uma empresa e compra 50 e eles libera . faz favor.

    • 30/12/2013 em 11:10
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      concordo plenamente!!!

      • 30/12/2013 em 11:16
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        concordo com vc kleber!!! quando fazem uma grevinha de 3 dias a maioria nao é capaz de parar para apoiar…e quanto aos salarios, tem um monte de gente que se sujeita a trabalhar igual escravo,igual nao, pior que escravo, os escravos tinham tempo pra comer e durmir…caminhoneiro se dreoga pra trabalhar e ganha uma mixaria…

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