Entrevista com Adalberto Junior Braulio

Entrevista - Blog do Caminhoneiro




O mineiro Adalberto trabalha com um Volkswagen Constellation 24.280 e está na profissão a 22 anos. Influenciado pelos familiares, o pai, avô e tios eram caminhoneiros, ele iniciou na profissão com um Mercedes-Benz 1516 e depois foi melhorando, com caminhões mais novos e potentes. Empregado na Naor Transportes e Comércio, de São Paulo-SP, ele adquiriu experiência em viagens curtas em Minas Gerais, para depois pegar fretes mais longos.

Trabalhando no transporte de batatas, a maior parte das viagens que faz é para os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás, Adalberto nos contou um pouco da vida na estrada, e uma das histórias mais marcantes para ele foi a morte do colega “Formiguinha”, em uma curva da BR-476, na região da Água Amarela, em Antonio Olinto-PR. O acidente aconteceu pela manhã, e na noite anterior os dois haviam conversado antes de irem viajar. Após chegar no Ceagesp, em São Paulo, foi informado sobre o acidente.

Adalberto não tem interesse em ser autônomo, prefere ser empregado, pela dificuldade de manter um caminhão, custos do transporte, diesel e etc. Ele tem preferência por caminhões Volkswagen, pois já trabalha com este Constellation há algum tempo, mas diz que hoje em dia, todos os caminhões tem muito em comum, em potência, conforto e segurança.

A vida na estrada é difícil, ele nos fala principalmente da alimentação, que é precária na maioria dos locais, pagando caro e se alimentando muito mal. Fazendo viagens mais curtas, diz não sentir muita falta da família, por estar em casa toda semana.

Quanto ao uso de drogas nas estrada, ele diz ser contra, e fala principalmente dos motoristas jovens, em início de carreira, que abusam de drogas e velocidade, e acabam tirando a vida de muitos pais de família. Ele trabalha descansado, sem pressa, podendo parar para dormir.

Ele também pontua a qualidade dos jovens motoristas, envolvidos em boa parte dos acidentes graves com caminhões, por serem contratados sem experiência, devido à falta de caminhoneiros no mercado. “A mulecada nova tira carta hoje, o cara pega o caminhão e já saí para trabalhar, então a gente vê muito acidente devido aos maus profissionais, que tem carta mais não tem experiência”, conclui.

Quanto a qualidade das estradas, ele conta que a maioria é boa, como a Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, que é um tapete, e outras, como a BR-116, a Régis, que sofre com o descaso, pois mesmo sendo pedagiada, não tem qualidade, esta cheia de buracos e com sinalização precária, e as obras em andamento estão demorando para ficarem prontas.

A Lei do Caminhoneiro (Lei 12.619/2012), na visão de Adalberto é boa, mas não tem como ser cumprida, pela falta de pontos de parada para os caminhões, como postos de combustível, onde é necessário abastecer para parar, e em beira de estrada correm o risco de assalto, por isso não há como cumpri-la.

Para a contratação de novos motoristas não existem tantas exigências, pela falta de mão-de-obra, e boa parte das empresas tem caminhões parados por falta de caminhoneiros. O que não é o caso da empresa em que trabalha, que tem três caminhões para viagens, e prefere contratar motoristas com mais experiência, como é o caso de Adalberto.

Para quem está iniciando na profissão, Adalberto dá a seguinte dica: Não se pode deixar empolgar, pois a estrada é um estilo de vida, que trás coisas boas, mas também trás muitas coisas ruins, e cada dia é necessário aprender mais com a estrada.

Adalberto foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro em uma beneficiadora de batatas às margens da BR-476, em São Mateus do Sul-PR, enquanto aguardava para carregar.

Fonte: Blog do Caminhoneiro




2 comentários em “Entrevista com Adalberto Junior Braulio

  • 21/07/2014 em 12:39
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    Eu também pode fala onde e por favor porque ainda não encontrei nenhuma enpresa

  • 18/12/2013 em 21:17
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    Contrata motorista novo sem experiência é mentira ! Se esta contratando me fala aonde q estou indo correndo p lá …

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