Entrevista com Helbert Welker, o QRA Fininho

Entrevista com Helbert Welker - Blog do Caminhoneiro




Morador de Rondonópolis-MT, e natural de Curitiba-PR, Helbert tem 37 anos e há 14 anos vive na estrada. Dirigindo um FH12 400, de um jovem empresário, trabalha no transporte de refrigerados, como carnes, verduras para Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro.

Tendo muitas influências para iniciar na profissão, Helbert tem um cunhado, tios e amigos caminhoneiros. Sempre sonhou com três coisas: Serviço militar, Futebol ou Caminhão. “Bola não deu, quartel foi só o tempo de serviço mesmo e daí sobrou o caminhão”.

O início da carreira como motorista mais fácil, mesmo tendo iniciado já com carretas LS e bitrem, por ter bastante conhecimento e experiência que pegou com os caminhoneiros mais velhos. “Eu tive sempre boas pessoas que me ajudaram”, declara.

Um dos destaques que dá à profissão é pela quantidade de pessoas boas que encontra nas viagens, e os amigos que faz. “Por mais que fiquem tempo sem se ver, quando se encontra um amigo e sabe que ele está bem é uma satisfação”, completa.

Lutando para ter o próprio caminhão, Helbert diz que mesmo trabalhando em um Volvo, ele é “Scanieiro”, pois sempre trabalhou com Scania, e já participou duas vezes do MMCB, ficando em 4º e 7º lugar, respectivamente.

Quanto à alimentação, Helbert define em uma palavra: “Precária”. Isso pelo fato de nem sempre poder almoçar com qualidade, por causa dos horários apertados, e pela falta de horários certos para as refeições. “A gente só come bem quando está com a família, que daí tem mais tempo, viaja mais tranquilo”, completa.

Favorável à Lei do Descanso, Helbert diz que é bom para o caminhoneiro, mas que precisa de algumas modificações. “Acredito que não seja fácil vigorar. Tão cobrando, mas quem recebe por comissão não consegue, não ganha. Teria que ter salário fixo”, finaliza.

Outra questão na visão de Helbert é a falta de sindicatos fortes e organizados, como dos cegonheiros e tanqueiros, para ajudar o caminhoneiro, e a falta de companheirismo entre os próprios caminhoneiros, que se discriminam até pelo tipo de caminhão que se dirige. “Eu to no caminhão câmara-fria, a gente chama no rádio, mas o cara do truck não quer conversar contigo, o cara da cegonha também não. Fica difícil até de explicar. Falta união”.

Casado, pai de dois filhos, estava com pressa para chegar em casa para o Natal. “Amanhã eu quero estar lá em casa, se Deus quiser”. Nas viagens que faz fica no máximo uma semana fora de casa.

Quanto ao uso do rebite e outras drogas, Helbert diz que a situação está muito grave. “As vezes, o cara do teu lado, que você nem imagina que usaria, ta usando”. E o pior, segundo ele, é que os motoristas estão deixando o rebite e passando para drogas muito mais pesadas. Portador de Lupus, diz que os remédios controlados que usa, lhe deixam com um ritmo forte e com insônia, além de combater a doença. Pela médica ou pela família, ele deveria parar de trabalhar com caminhão por causa do Lupus, mas não consegue largar a vida na estrada.

A violência na estrada é outro ponto crítico. Segundo ele, o excesso de caminhões, falta de experiência dos jovens caminhoneiros, e o fato de muita gente sem gosto pela profissão pegarem caminhão para trabalhar só pelo salário, tem causado grandes acidentes. “Tem muita gente hoje que vira motorista pelo salário, não pela realização profissional ou por gostar do que faz”, finaliza.

A solidariedade faz falta na estrada. As vezes, mesmo entre funcionários da mesma empresa. Ninguém ajuda, ninguém cumprimenta, muito diferente de antes.

Considerada uma das melhores rodovias do Brasil, a Rodovia Castelo Branco é elogiada por Helbert. Já as rodovias do Mato Grosso são críticas, pois não há nenhum investimento. “Aquele trecho de Rondonópolis a Cuiabá é 200 quilômetros, e você leva 7 horas para fazer. Se der um acidente você perde o dia inteiro em cima da pista. Ali é complicado”, completa.

Ex-militar, Helbert diz que nunca teve vontade de ser policial por causa da corrupção. Nem para dar informações os policiais atendem com bom gosto.

Para conseguir um emprego, com pouca experiência, não está difícil. Tem muitas empresas precisando de motoristas. “Porém, com as leis de hoje, tem muitas normas, e como as empresas vão crescendo mais elas vão cobrando”, finaliza.

Como dica para os novos caminhoneiros, Helbert fala o seguinte: “Ser humilde, procurar os mais velhos, os colegas, prestar atenção, conversar, e quando o cara falar, escutar. Com a humildade o cara vai para qualquer lugar. E dedicação. Tudo na vida é dedicação. Se a pessoa é dedicada ela vai ser um bom repórter, um bom atleta, um bom professor. Nada melhor que isso. E a prática leva a perfeição”.

Helbert foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro em uma parada que fez em São Mateus do Sul-PR.

Fonte: Blog do Caminhoneiro

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2 comentários em “Entrevista com Helbert Welker, o QRA Fininho

  • 29/12/2013 em 11:54
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    GOSTEI MUITO.ELE SABE O QUE FALA,ESPECIALMENTE QUANDO FALA DOS SINDICATOS QUE É O MESMO QUE NÃO TER NADA!

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