Entrevista com Leandro Licheski

Leando Licheski - Caminhoneiro - Entrevista - Blog do Caminhoneiro 16-12-2013




Com 29 anos, o caminhoneiro Leandro Licheski trabalha a oito anos com caminhões. Ele começou como autônomo, e permanece assim até hoje, apesar de ter trocado de caminhão. Atualmente dirigindo um Ford Cargo 2428 8×2, ele iniciou a carreira de caminhoneiro junto com o sogro, por gostar muito de caminhão e por ter pouco estudo.

O primeiro caminhão foi comprado com auxílio do pai, e foi a porta de entrada para o setor de transportes. Leandro não tinha experiência como caminhoneiro, que adquiriu depois de comprar o caminhão e com auxílio e dicas de outros motoristas. Após ter pago o primeiro veículo, ele trocou pelo Ford Cargo que dirige atualmente.

Viajando para São Paulo e Rio de Janeiro, atua na área de transporte de verduras, como batatas , cebola e tomates. Em todo o tempo de trabalho, nunca se envolveu em nenhum acidente.

Quando perguntado sobre o futuro na profissão, Leandro afirmou estar desistindo de ser caminhoneiro: “Está complicado. É óleo caro, pedágio caro, polícia, lei de todo lado para complicar a vida do motorista. Está cada dia mais difícil”, completa.

Outro ponto problemático para a profissão é a segurança. Existe estrutura, pontos de parada bons, postos com serviços de qualidade, mas falta segurança. “A única coisa que falta é segurança. As estradas são pedagiadas, infraestrutura em postos e comida também estão boas, mas tem muito roubo, assalto”, finaliza.

Casado, Leandro sente muita falta da esposa nas viagens, sendo mais um dos motivos para querer deixar a profissão. Durante a safra paranaense, ele fica pouco tempo fora de casa, mas quando não há fretes bons nessa região, é necessário ir mais longe e passar muito tempo fora, as vezes de 30 a 60 dias.

Devido às cargas horárias, Leandro admite o uso de rebites por obrigação, pois, de acordo com ele, o motorista que faz carga horária e diz que não toma está mentindo. “Ou você toma ou se mata na estrada”.

Na estrada, o cuidado é sempre redobrado, pois existem os motoristas e os “loucos” que não estão nem aí, abusando no transito. A maioria tem pressa, pressa para chegar em casa ou para poder entregar a carga e carregar novamente, o que contribui para a falta de solidariedade no transito.

Ainda falando das estrada, Leandro crítica a Serra do 90, na Rodovia BR 116 – Régis Bittencourt, entre São Paulo e Curitiba, devido às obras, buracos  e outros problemas relacionados com o transito. “Neste fim de ano temos levado mais de três horas para percorrer 60 quilômetros naquele trecho”.

A Lei do Caminhoneiro é um problema para os autônomos. Mas poucos estão cumprindo os horários estabelecidos, por falta de fiscalização e pela necessidade de cumprir as entregas no horário. “Tem guardas que  olha no disco, vê o tempo que rodou e faz parar. Comigo nunca aconteceu, mas com colegas já. Na região ninguém está insistindo nisso. As empresas grandes cumprem, mas não há lugares para parada”, disse.

Hoje está mais fácil para o autônomo, que tem mais acesso ao crédito para comprar caminhão e a burocracia é menor. Para comprar o primeiro caminhão a burocracia foi muito grande, mas no veículo atual foi rápido e fácil para aprovação. O que complica são os custos do transporte, como o valor do diesel, e os valores repassados pelas empresas para o autônomo nos fretes contratados: “Uma coisa que judia bastante é o preço, pois carga tem, e as transportadoras ganham muito em cima do autônomo, chegando a tirar 60% do valor do frete, repassando só 40% para o motorista. A porcentagem que as transportadoras ganham em cima do autônomo é muito grande”. Outro ponto são os custos do transporte, como o diesel, manutenção, pedágios. Leandro diz que esse é o principal obstáculo para quem quer trabalhar.

Leandro dá uma dica para quem quer começar como autônomo: É necessário estudar, ver se tem serviço, e não entrar de cabeça sem conhecer o mercado, pois está fácil comprar o caminhão, o complicado é pagar. E não dá para pensar que é uma coisa muito fácil, porque o negócio é muito diferente.

Leandro Licheski foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro enquanto finalizava a carga de batatas em São Mateus do Sul-Pr, de onde iria seguir para Minas Gerais.

Fonte: Blog do Caminhoneiro




4 comentários em “Entrevista com Leandro Licheski

  • 24/12/2013 em 15:38
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    o pior é saber q vc viaja dia e noite e ainda nao é valorisado. se arrisca nessas estradas,antes de fazer copa do mundo tem q melhora mto em relação a nos motoristas q so trabalhamos feito loucos e so sobra pra comer.

  • 24/12/2013 em 08:55
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    Situação em q me enquadro…Complicado!!

  • 20/12/2013 em 11:53
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    Concordo com o Leandro. Ha muitas dificuldades. Quanto aos rebites perguntaria a êle: Será que rebites e outras dorgas para evitar sono, não matará em relação ao não uso das drogas?

  • 17/12/2013 em 20:02
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    Infelizmente é a dura realidade do país, E ainda querem achar que o Brasil está crescendo!

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