Entrevista com Mário Figura

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Mário Figura tem 44 anos, dos quais 28 foram dedicados à estrada. Autônomo, natural de Canoinhas-SC, dirigindo um Mercedes-Benz 1620 atualmente, começou por conta própria como caminhoneiro, sem influências diretas, por achar a profissão bonita. “Na época eu achava bonito trabalhar com caminhão, parecia tão gostoso sair conhecer, e tinha o sonho de ter um caminhão, que eu consegui. Só que hoje é uma profissão que não tem valor nenhum”, disse.

O início da profissão foi bom, pois na época o litro do diesel era 26 centavos, muito diferente do que é hoje. Começou com um primo, trabalhando por comissão, para depois conquistar o próprio caminhão. Mário nos conta que já teve um caminhão roubado, mas que mesmo assim não desistiu: “Eu to aí, to trabalhando”, completa.

Na cara e na coragem, assim define o início, para pegar experiência na estrada. Viajando principalmente para Mato Grosso, São Paulo, Tocantins e alguns outros destinos, tem muitas histórias vividas na estrada, uma delas, há 11 anos atrás, quando nasceu sua filha, ao chegar no posto fiscal de Rio Negro-SC, os atendentes não queriam lhe liberar, mas mesmo assim ele saiu do posto fiscal, pois a esposa e filha precisavam dele naquele momento.

Para a compra do primeiro caminhão, Márcio fez um parcelamento com o dono anterior, sem envolver bancos, que facilitou muito. Hoje está mais complicado. Mas se fosse adquirir um caminhão novo, iria mudar de marca e modelo, passando para o Scania P310, que lhe agrada muito. “Experimentaria um pouco uma outra coisa”, completa.

A alimentação na estrada é um problema, na visão de Márcio, que cozinha a própria comida, por não poder confiar na procedência do que já está pronto nos restaurantes: “Por causa da qualidade, porque você sabe o que está fazendo, o que está pronto você não sabe”, e também pela economia, por passar uma semana com R$50, e se fosse comer em restaurantes, esse valor não chegaria para dois dias.

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O descanso é outro ponto negativo, pois mesmo sendo favorável á lei do descanso (12.619/2012),  Márcio diz que não pode ser cumprida, pela falta de locais adequados para parar o caminhão, e em pátio de posto, onde não é cliente, não se pode parar, na polícia rodoviária também não há espaço. “Para a lei ser cumprida teria que ter pátios, as concessionárias de pedágio deveriam ter pátios para o motorista ficar”, completa. Quando informado sobre o veto da presidente Dilma na lei que obrigaria as concessionárias de pedágio à construírem pátios de parada para caminhões em novas concessões, Márcio se mostrou indignado: “Por que? O motorista vai ficar aonde, no acostamento? Quem vai fazer a segurança do motorista? O motorista não tem valor mais hoje”, finaliza.

Quanto à segurança, diz que não se pode parar nem em pedágio que pode ocorrer um assalto, além da falta de estrutura, como pontos de apoio, locais para banho, e policiamento nas rodovias pedagiadas. “Por exemplo, a BR-116, antes dela ter pedágio, onde andava se via uma viatura, e hoje não”.

Passando de 15 a 18 dias fora de casa, mantém contato com a família por telefone, pois a saudade é grande. A sua esposa está sempre em casa, mesmo sendo professora, os filhos ficam junto com os avôs. “A saudade é grande, mas não tem o que fazer”.

Sobre o uso de drogas na estrada, diz ser contra, e também nunca usou nada, sendo “viciado” apenas em chimarrão. Completa dizendo que quem usa esse tipo de coisa põe em risco a própria vida e de outras pessoas, com acidentes que acontecem sem explicação certa, mas tendo influência dessas substâncias. “Teria que eliminar isso aí, mas vai fazer de que jeito?”, completa.

A violência no trânsito é grande, ninguém respeita ninguém, com xingamentos, brigas, e mortes por besteiras na estrada. Afirma também que há falta de solidariedade entre os colegas de estrada. “De cada cem motoristas, meio pára para te auxiliar”, brinca.

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Vistas como boas, as rodovias pedagiadas são elogiadas por Márcio. Um trecho muito ruim, é na MS 295, entre Eldorado à Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, que não possui condição para rodar, e uma rodovia boa, para Márcio, é a Bandeirantes (SP-348), em São Paulo.

A Polícia Rodoviária foi criticada por Márcio, que fala sobre as constantes cobranças de propinas “na cara dura” pelos policias, que deveriam trabalhar para auxiliar os motoristas.

Falando sobre o rádio PX, Márcio diz que ele é um grande auxiliar do motorista, evitando acidentes, informando sobre problemas e perigos da estrada. “O rádio ajuda muito, evita muito acidente”.

A principal dificuldade para o autônomo é concorrer com as transportadoras, pois ele tem apenas um caminhão, e luta pelo frete com grandes frotas de transportadoras, que acabam diminuindo o frete.

Trabalhando com fretes certos, sabe o que e onde vai carregar, mas vê muito caminhoneiro com menos tempo de estrada e pouco conhecimento sofrendo às custas de empresas e agenciadores de cargas.

Quanto aos custos do transporte para o autônomo, Márcio critica o valor do diesel, que é um absurdo, e atrapalha muito na hora de pensar em melhorar de vida, ou adquirir outro caminhão.

Um conselho para os jovens que querem iniciar na profissão é para não se envolver com nenhum tipo de droga, e também fazer as coisas certas, certo em tudo, com a honestidade em primeiro lugar.

O canoinhense Márcio Figura foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro enquanto aguardava para carregar em uma beneficiadora de batatas, em São Mateus do Sul-PR.

Fonte: Blog do Caminhoneiro




2 comentários em “Entrevista com Mário Figura

  • 07/05/2014 em 22:02
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    otíma entrenvisa,
    parabens irmão

  • 26/12/2013 em 08:41
    Permalink

    Na Minha Opiniao q Estou Um pouco Mais De Tempo Na estrada 50 por çento do q ha De Rui Para O Camioneiro Foi O propio Quen Contribuio O Resto Foi A Conçequecia , Nao Existe Uniao Dai Nao Preçisa Comenta muito!!!!!!!!!

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