Entrevista com Rafael Matos Valim Oliveira

Entrevista com Rafael Matos Valim Oliveira




Natural de Três Cachoeiras-RS, Rafael tem 28 anos e a 8 anos trabalha como caminhoneiro. Influenciado pelo pai, tio e avô, sempre admirou o pai como caminhoneiro, por isso seguiu na profissão. Iniciando na estrada junto com o padrinho, viajou por oito meses para aprender os macetes da profissão. Viajando com mais frequência para São Paulo, Paraná e Santa Catarina, transporta principalmente verduras.

Das histórias da estrada, o caminhoneiro Rafael diz que as melhores acontecem entre amigos, em um almoço na estrada, e outras interações. Sempre que pode, se junta com conhecidos e sempre faz novas amizades.

Da alimentação na estrada, Rafael fala ser complicado. Ele sempre prepara a própria refeição, comendo em restaurantes apenas quando chove ou quando o tempo é curto. Favorável a um tempo menor do que o estipulado pela lei do descanso para as paradas entre jornadas, Rafael diz que 6 horas seriam suficientes. E o restante seria feito de acordo com o que o motorista quisesse. Pois, de acordo com ele, as estradas estão cada vez mais cheias, e se não rodar, não faz 500 quilômetros no dia. “O motorista não é uma máquina. O caminhão não, o caminhão vai embora, roda um milhão, dois milhões, faz motor e roda de novo. Dando condição para ele, ele vai embora”. O motorista deveria rodar da maneira que consegue.

Rafael fala que para ter um pouco de segurança, é necessário pagar. Pagar para estacionar, para tomar banho, porque se parar em lugar que não paga não tem segurança nenhuma. Roubam estepe, óleo diesel e etc. “Para bandido, a coisa mais fácil que tem é roubar caminhão, entrar dentro de caminhão”.

Casado e pai de dois filhos, diz que a esposa é filha e sobrinha de caminhoneiros, mas que mesmo assim a saudade é grande. Faz falta não ver os filhos crescerem, não participar da vida na família. Caso o filho quiser, ele não fará força contrária para ele começar como caminhoneiro, mas diz que vai investir para que o filho siga outra profissão.

O trânsito, na visão de Rafael é muito complexo, pois o mundo está cada vez mais individualista. Ele segue a lei da gentileza, e sempre que pode auxilia outros motoristas, nas ultrapassagens e outras situações. “É muita falta de consciência mesmo”.

Rafael diz, que por mais incrível que pareça, ainda se encontra pessoas solidárias na estrada. Quando precisa, sempre se acha alguém para ajudar.

“Nem toda estrada pedagiada é boa de rodar”. Com essa afirmação Rafael elogia a Rodovia Presidente Dutra, e reclama da BR-116 e BR-101, que são pedagiadas e estão ruins.

Como autônomo, Rafael crítica a atitude de transportadoras, visto que o autônomo depende delas, e elas sugam os caminhoneiros, e também o frete de retorno, que para rodar a mesma quilometragem o valor é muito menor.

Rafael diz ser fácil comprar um caminhão hoje, o difícil é pagar. “Para comprar basta ter o nome limpo e ANTT e pronto”. Para pagar que é difícil, ele diz que “tudo aumenta, diesel, pedágio, só o frete que não”.

Como dica para quem está iniciando na profissão, Rafael diz: “Tem que se dedicar, e procurar se atualizar”. Além de usar as ferramentas disponíveis no caminhão e outros, como a internet para conseguir cargas.

Rafael foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro enquanto estava carregando batatas em uma beneficiadora, em São Mateus do Sul-PR.

Fonte: Blog do Caminhoneiro




Um comentário em “Entrevista com Rafael Matos Valim Oliveira

  • 31/12/2013 em 09:53
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    é isso aí Rafael, exemplo de bom profissional, consciente do real problema do caminhoneiro autônomo que vem subsidiando o frete em beneficio de empresários inescrupulosos com a pratica do famigerado frete de retorno. Vamos lutar pelo frete por quilometro rodado com valor a nível nacional, na verdade esta tabela já existe, só precisa que o caminhoneiro imponham seus direitos, não transportar sem que o valor do frene não remunere dignamente o transportador autônomo.

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