Entrevista com Natanael de Araujo Silva

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Atualmente com 35 anos, sendo 15 deles vividos na estrada, Natanael é da cidade de Guarulhos, estado de São Paulo, e dirige um VW Constellation 24.320 ano 2009/2010 da empresa Amadeu Martins, firma especializada no transporte verdureiro e que conta com dois caminhões grandes e dois pequenos (VW Delivery). É uma empresa com veículos novos, todos revisados nas respectivas concessionárias.

Natanael não teve nenhuma influência familiar para iniciar na carreira de motorista, ingressou por conta própria motivado pelo gosto mesmo, pois desde criança acha a profissão bonita. Porém, considera hoje a profissão esquecida e se fosse decidir agora ser ou não um motorista, optaria pelo não. Iniciou seus trabalhos no Ceasa e depois de um tempo, adquiriu seu próprio caminhão e foi para a estrada, sem experiência alguma e com o passar do tempo foi aprendendo a lida estradeira. Sua principal rota é de São Paulo para cidades do nordeste brasileiro, como Recife, e na safra da batata, puxa essa carga nas regiões de plantio.

Dos anos que está na estrada, Natanael tem muitas histórias, mas destaca uma ocorrida em 2012, na região de Curvelo, em Minas Gerais, quando ia para o nordeste. Um colega de estrada bateu com uma carreta em um cavalo; Natanael desceu de seu caminhão para ajudá-lo e depois de desligar a carreta, foi procurar o motorista, suspeitando que ele tivesse saído do veículo, mas infelizmente ele foi encontrado debaixo da cabine. Uma história triste que ficou marcada em sua memória.

Sendo empregado, questionou-se a Natanael a vontade de ser autônomo. Segundo ele, todo motorista deseja ter seu próprio caminhão, mas particularmente, ele prefere ser empregado, pois a profissão se torna mais facilitada. Seus caminhões preferidos são os da Volkswagen, pois sempre trabalhou com ela e se identifica com a marca.

Perguntado sobre a vida na estrada, alimentação, descanso, higiene e conforto, a resposta foi que é difícil. Natanael explica que se você não for cliente de um posto, não se pode usufruir de um banho, por exemplo, tendo que pagar por tudo. Sobre a alimentação, ele diz que é complicada, pois cada dia é uma comida diferente, às vezes é ruim, então acaba sendo difícil por conta disso.

Casado, pai de dois filhos, Natanael passa de 15 a 20 dias em média fora de casa, e por conta da saudade que bate da família, prometeu a si mesmo parar de trabalhar com caminhão ou ficar apenas no estado de São Paulo para poder estar com a família frequentemente, já que o salário para viajar pelo Brasil ou só pelo estado é praticamente o mesmo.

Questionado sobre o uso de drogas ao volante, como o rebite, Natanael conta que costuma não usar e sempre que pode parar para descansar, o faz, mas quando é carga de horário é complicado não fazer o uso. Segundo ele, é melhor morrer aos poucos do que em uma pancada só. E reforça que só faz o uso do rebite em casos extremos, quando realmente não é possível parar para descansar. Apesar disso, segundo ele, hoje em dia a droga mais fácil de ser comprada nas estradas é a cocaína.

Quando mais se trabalha, mais bate o desânimo. Essa é a resposta de Natanael quando questionado sobre a amizade entre os colegas de estrada. Conforme conta, os motoristas são um pouco desunidos, sempre um querendo aparecer mais que o outro, com um caminhão melhor, ou pede uma passagem e o colega não dá… “se os motoristas fossem unidos a gente fazia muita coisa, porque a classe que poderia mudar um pouco o Brasil é o tal do motorista”, complementa.

Pedido para citar uma rodovia ruim, teve-se como reposta a BR 251 entre Montes Claros e Salinas, ambos municípios em Minas Gerais. Segundo ele, é perigosa e palco de acidentes diários. Em contrapartida, uma rodovia boa citada por Natanael, é a BR 374, ou Rodovia Castelo Branco. “É um tapete”, elogia.

Sobre a lei do descanso, para os verdureiros é complicado pôr em prática, pois a carga é perecível, comenta. Mas a questão do descanso deve ser avaliada individualmente pelo motorista, não pode se expor ao cansaço, cada um sabe seu limite, completa.

Considerando a profissão de motorista escassa, Natanael fala que sendo um bom motorista não fica sem emprego, mas sempre está sendo mais exigido na hora da admissão, como exames e provas, métodos de seleção que não havia anteriormente. Sua empresa atual não possui uma metodologia de palestras e cursos para os motoristas, até porque são apenas três motoristas contratados. Mas Natanael conta que em outra transportadora na qual trabalhou, sempre participou de palestras ligadas ao uso de drogas e outros assuntos relevantes à profissão.

Para finalizar, Natanael dá uma dica para os que estão ingressando na profissão, principalmente para os jovens, que hoje com os caminhões potentes disponíveis no mercado, o negócio não é só equipar veículos e acelerar, deve-se ir devagar, já que com a falta de motoristas, há grandes chances de ser um profissional sucedido.

Natanael foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro em São Mateus do Sul, Paraná, enquanto finalizava o carregamento de batatas com destino a São Paulo.

Fonte: Blog do Caminhoneiro




11 comentários em “Entrevista com Natanael de Araujo Silva

  • 09/08/2017 em 20:08
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    Ótima experiência! Sou d goias.gostaria d entrar no ramo de verdura!! Tenho experiência na carteira.se alguem souber mi avisa pfv obg. 64 984163100

  • 21/07/2014 em 12:17
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    As entrevista são maneiras muito legal estou tentando encontrar uma oportunidade mais já que não tenho esperiencia na carteira ta muito difícil já que esta escasso os motorista deveriam da mais oportunidade pra quem esta começando agora tenho esperiencia mais por viajar com meu tio que e areiero se alguem tiver ou souber de alguma empresa que da oportunidade me avise pois moro enfrente o posto marajó de aparecida de Goiânia e meu telefone e 62 91973694 vlw muito bom o blog

  • 23/12/2013 em 15:03
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    Muito bom adorei a entrevista .

  • 23/12/2013 em 09:11
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    muito bom gostei da entrevista

  • 22/12/2013 em 08:29
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    manero,conheco natanael,ja trabalhei com ele em outra empresa,muito boa a iniciativa,procura mamis caminhoneiros pelas estradas,so tem coisa boa pra mostrar,abraco a todos do blog.

  • 21/12/2013 em 20:01
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    Estou querendo entrar na profissão mas ainda não consegui uma vaga qualquer noticia envie no meu e-mail..estudarei a possibilidade..São Francisco-MG.Norte de Minas.

  • 20/12/2013 em 21:09
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    Estou gostando muito dessas entrevistas que o blog está publicando…

    • 20/12/2013 em 21:42
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      Obrigado! Estou correndo atrás de mais caminhoneiros para conversar. Assim, todo dia terá uma entrevista. Também, pode mandar sugestões de perguntas e temas. Fica mais fácil para ter ideias com a ajuda de todos.

      Obrigado!

      • 29/10/2016 em 15:16
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        ola meu nome e claudio santo e estou a procura de um trampo moro em maua meu wats 11 9 51516130 tim qualquer novidade me informe

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