Fazenda teme que airbag obrigatório provoque demissões nas montadoras

airbag volvo




O governo sabe que exigir airbag e freios ABS como itens obrigatórios de todos os automóveis a partir de janeiro vai elevar os preços dos veículos. Mas não é o efeito dessa medida sobre a inflação que mais preocupa a área econômica. O que está tirando o sono do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é o impacto da medida sobre as vendas, na produção automobilística em 2014 e, portanto, sobre o emprego. “Isso poderá ter um efeito parecido com o Euro 5”, disse o ministro a vários interlocutores na semana passada.

O padrão Euro 5 foi um programa de controle da poluição do ar por caminhões. O objetivo era reduzir o nível de emissão de gases poluentes na atmosfera, com a adoção de um combustível mais limpo. “O Euro 5 subiu os preços dos caminhões em 15% e derrubou as novas vendas”, lembrou Mantega, segundo os mesmos relatos.

A nova tecnologia entrou em vigor em janeiro de 2012 e as vendas de caminhões e ônibus despencaram. Os caminhões eram produzidos, mas não havia demanda, pois a pequena frota de caminhões P 7 (com a nova tecnologia) em circulação não garantia o giro do Diesel S50 (o novo combustível) nos postos. Com a produção em queda, as montadoras chegaram a reduzir a jornada de trabalho nas fábricas.

O governo teme que coisa parecida aconteça com a produção de veículos em 2014, com efeito depressivo ainda maior sobre a economia, por causa do peso da indústria automobilística na economia. Uma queda na produção de veículos pode levar as indústrias a demitir trabalhadores às vésperas das eleições gerais do próximo ano.

Segundo estimativa que a Fazenda tem ouvido dos representantes das montadoras, o airbag e os freios ABS representarão aumento de cerca de 9% no preço do veículos, algo entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Mantega considera, de acordo com interlocutores, que a obrigatoriedade dos acessórios vai afetar principalmente a faixa de mais baixa renda da população, que compra veículos 1.0 e básicos. “A medida vai diminuir o poder aquisitivo desse segmento”, tem alertado o ministro da Fazenda.

A subida dos preços em decorrência do airbag e dos freios ABS vai se somar ao aumento gerado pela alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que também começa a partir de janeiro. As duas coisas somadas poderão resultar em redução considerável na demanda por veículos novos, com repercussão na atividade da indústria automobilística e no emprego.

A ideia de Mantega, que encontra resistência em setores ligados à segurança no trânsito, é adiar a entrada em vigor da exigência para a instalação de airbag e freios ABS em todos os veículos. O ministro quer fazer um “diferimento” na introdução desses acessórios. No próximo ano, por exemplo, 70% dos veículos produzidos teriam os novos acessórios. No ano seguinte, seriam 85%. E, depois, 100%.

Fonte: Valor Econômico

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2 comentários em “Fazenda teme que airbag obrigatório provoque demissões nas montadoras

  • 16/12/2013 em 15:23
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    Parabéns, um emprego vale mais que uma vida mesmo!

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    • 16/12/2013 em 22:25
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      O que eu acho engraçado é que o Governo isenta ou reduz a carga tributária sobre esses itens de segurança e com a maior demanda por eles os custos de produção tendem a diminuir tornando-os mais baratos e basta ver que alguns veículos com mais air bags ofertados em pacote opcional não eleva tanto o preço como antes. Pior, a indústria briga para reduzir os tributos sobre o preço dos veículos afim de garantir boas vendas, mas o governo não briga para elas reduzirem a margem de lucro nem evitar repasses nessa obrigação dos itens de segurança, afinal se houvesse uma campanha para estimular a compra de veículos mais seguros, o consumidor mais consciente optaria por veículos com air bags e ABS desvalorizando os que não possuem e num mercado justo, os seguros seriam mais em conta por venderem mais que os não seguros que seriam descartados. Como aqui impera a ganância, cor da moda como a branca antes não custava nada a mais, hoje é mais cara que outras, mas para certos produtos, como explicar promoções do tipo leve um AT como preço de MT. Se o veículo encalha, abrem mão de lucro alto para desovar o veículo, mas não perdem a oportunidade de cobrar ágio por certas novidades.

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