Indefinições sobre o PSI vão afetar a venda de máquinas

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A falta de definição sobre as condições e taxas de juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI, do BNDES) deverá afetar sobretudo as vendas de colheitadeiras já neste mês e no primeiro trimestre de 2014, período que concentra dois terços da comercialização desses equipamentos. A avaliação é de Milton Rego, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa as principais empresas do segmento no Brasil.

Atualmente, observa Rego, a grande maioria das vendas domésticas de máquinas agrícolas – mais de 90% – é realizada por meio de financiamentos do PSI.

Embora a comercialização de colheitadeiras entre janeiro e novembro tenha batido recorde, com 7.318 unidades, a demora em normalizar os novos contratos do PSI tende a desaquecer os negócios. Segundo Rego, os bancos deixarão de aceitar novos contratos do PSI neste fim de semana.

Novos pedidos de acordo com as condições atuais podem ser apresentados até 13 de dezembro para a programação dos desembolsos, mas, com as incertezas sobre o futuro, os agentes financeiros tendem a antecipar esse prazo.

Depois que for anunciada, a regulamentação das condições do PSI demora entre 20 dias e um mês para ser finalizada. Nesse período, novos pedidos também não podem ser processados, afirma Rego. Mas a expectativa, segundo ele, é que o anúncio ocorra em breve e com um aumento entre um ponto e um ponto e meio percentual na taxa de juros, hoje em 3,5%.

Neste mesmo período do ano passado, não havia preocupação por parte dos agentes financeiros sobre a falta de recursos para o programa de financiamento, comenta Rego.

A indefinição sobre o PSI já prejudicou as vendas do segmento no mês passado, de acordo com dados da Anfavea. “O volume [comercializado] em novembro poderia ter sido melhor”, disse Rego.

Em novembro, a comercialização doméstica das indústrias para as revendas totalizou 6.004 unidades, uma queda de 17,6% em relação a outubro, mas número 2,4% superior ao registrado no mesmo mês de 2012. No acumulado do ano, a comercialização somou 77.214 unidades, um incremento de 19,9%.

Apesar da desaceleração, o segmento de máquinas agrícolas vai registrar recorde histórico de vendas em 2013, com 83 mil unidades.

Fonte: Valor Econômico