Mulher no Volante: Caminhoneira fala da paixão pela vida na boleia

Julene Petrolli




Já não é mais novidade que as mulheres, há alguns anos, vêm conquistando o mercado de trabalho e estão assumindo funções antes atribuídas apenas aos homens. Mais sensíveis e atentas aos detalhes, elas conquistam, dia-dia, seu espaço e desempenham com responsabilidade seus papéis.

Em muitos casos, o toque feminino acaba sendo um bom negócio para as empresas que optam, muitas vezes, por contratar funcionárias do sexo feminino. Porém em um setor em específico, ainda é muito difícil encontrar mulheres no comando. Julene Petrolli, de 50 anos, está aí para mostrar que é possível. Há mais de 15 anos, ela trabalha na condução de veículos pesados, como ônibus e caminhões.

A vida de Julene nas estradas surgiu da necessidade de ajudar no orçamento da casa. No ano de 1996 ela começou a dirigir ônibus e foi, por anos, responsável por transportar as crianças do município à escola. Dessa rotina diária, surgiu a paixão pela profissão e desde então Julene não parou mais. Nas ruas de São Miguel do Oeste era comum perceber as expressões de surpresa da população ao ver uma mulher no comando de um veículo que, geralmente, é conduzido por homens.

Após a separação do primeiro marido, com quem mantinha a empresa de transporte escolar, Julene seguiu ainda por um tempo no trabalho para, logo em seguida, mudar os rumos dentro do mesmo seguimento. Mas quem disse que Julene não tem força no braço? Tem, e muita! Tanto que após abandonar o transporte escolar, ela não abandonou a direção e resolveu ir ainda mais longe. Hoje, porém, ela arrisca a vida nas estradas a bordo de um caminhão de grande porte. Com ajudo do atual marido, Julene passa quase uma semana na estrada transportando móveis de uma empresa de São Miguel do Oeste.

A bordo de um dos quatro caminhões de sua propriedade, Julene faz o transporte dos materiais para os grandes centros brasileiros. O casal chega a ficar por dias na estrada, mas nos finais de semana sempre retornam a São Miguel do Oeste para fazer um novo carregamento. “Sempre dirigi veículos grandes, porque precisava. A oportunidade de dirigir caminhão veio quando eu adquiri meu próprio caminhão. Hoje tenho um pouco de dificuldade no braço direito para fazer o câmbio, mas adoro, é muito tranquilo”, relata.

Nas estradas, Julene não encontrou muito preconceito e diz que até é comum ver outras mulheres no comando do caminhão. Apesar disso, as estruturas que os caminhoneiros encontram nas estradas ainda são precárias e preparadas apenas para caminhoneiros do sexo masculino. Mesmo assim, a caminhoneira diz que é apaixonada pelo que faz. “Sempre fui apaixonada pelo que faço. Os ônibus eram uma paixão minha, por trabalhar com as crianças e receber o carinho delas. E hoje eu adoro isso de poder sair e voltar na hora que eu quero. Um dia estamos em São Miguel, no outro dia amanhecemos em outro lugar. São muitos quilômetros, mas é muito bom”, declara.

De sexo frágil, na música de Erasmo Carlos, as mulheres vêm mostrando que tem força e personalidade. A caminhoneira Julene se considera boa no volante e diz que até hoje, nunca passou por um aperto na estrada. “Me considero uma boa motorista, graças a Deus nunca sofri acidentes graves. Muitos homens tem preconceito e dizem que mulher é perigo no volante, mas a mulher é mais cuidadosa, tem mais cautela, mais paciência. A falta de paciência, faz os motoristas tomarem atitudes erradas às vezes”, argumenta.

Para impulsionar o progresso em diversos setores, lá estão os caminhoneiros levando o desenvolvimento pelas estradas do Brasil a fora. A caminhoneira migueloestina reconhece a importância da profissão. Para ela, os motoristas são os responsáveis por fazer girar quase toda a roda da economia. “Quando um caminhão para, independente de qualquer carregamento, ele traz um atraso para a população. Então quando os caminhoneiros param, para também o desenvolvimento em diversos setores. Por isso a importância dessa nossa profissão”, destaca.

E para quem pensa que essa paixão pela direção tem data para terminar, está enganado. Julene Petrolli, diz que pretende continuar na profissão pelos próximos três anos, pelo menos. Até lá, a caminhoneira e o marido ainda tem muita estrada pela frente.

Fonte: Jornal O Líder

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2 comentários em “Mulher no Volante: Caminhoneira fala da paixão pela vida na boleia

  • 28/12/2013 em 15:44
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    ADIMIRO MUITO A CORAGEM E DETERMINAÇÃO DAS MULHERES NA NOSSA PROFISSÃO, TALVEZ QUANDO ELAS FOREM MAIORIA POSSAMOS ALMEJAR MELHORES DIAS, PARABÉNS COMPANHEIRA E FELIZ 2014.

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