Terminal e caminhoneiros estão ‘irredutíveis’ no Porto de Santos

caminhoneiros parados - santos sp

Caminhoneiros autônomos que atuam no Porto de Santos e a Libra Terminais estão longe de um acordo. Apesar das tentativas de negociação, que contam com o apoio da Prefeitura de Santos e da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), apenas oito das 11 reivindicações feitas pelos motoristas podem ser atendidas pela instalação portuária. E para eles, não é suficiente.

Segundo o secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, José Eduardo Lopes, a disputa virou uma “guerra de nervos”, uma vez que ambas as partes estão “irredutíveis”.

A briga entre a Libra e o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (Sindicam) começou no final da semana passada. Desde então, as negociações pelo pagamento de estadia e pelo aumento do valor do frete ainda não avançaram.

Na última quarta-feira, após uma manifestação que reuniu cerca de 60 condutores em frente às instalações da empresa, o terminal obteve uma liminar que autua o Sindicam em R$ 150 mil por dia. Além disso, as contas do sindicato e de seus dirigentes foram bloqueadas, o que impossibilita o pagamento dos salários aos funcionários.

Os caminhoneiros defendem que a Libra pague a estadia aos motoristas que permanecerem mais de cinco horas dentro do terminal. Eles propõem que, após a quinta hora sem a conclusão de entregas ou da retirada de contêineres na instalação, a Libra Terminais pague R$ 1,00 por hora a cada tonelada de carga transportada pelo caminhão. A empresa tenta evitar essa despesa.

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Os autônomos pedem ainda que a empresa pague R$ 190,00, e não R$ 165,00, pelo transporte de contêineres vazios. A demora na entrada no terminal e as multas que são pagas por estacionamento proibido na Avenida Mário Covas (via de acesso à instalação) também estão entre as reclamações dos profissionais.

Sem sinal de acordo e sem poder protestar nas imediações do terminal, os caminhoneiros se reuniram na Avenida Siqueira Campos, próximo à Avenida Perimetral, na Bacia do Macuco. E não pretendem sair de lá e retornar ao trabalho sem que o problema seja resolvido.

“Nós não fechamos completamente o acesso à Libra e informamos isso para as transportadoras. O terminal não cumpre agendamento, não tem banheiros adequados e ainda nos fazem pagar multas. Quem não tem multas na carteira não é caminhoneiro do Porto de Santos”, destacou o diretor Financeiro do Sindicam, Alexssandro Vasconcelos Freitas.

O presidente da Libra Terminais, Wagner Biasoli, afirmou que os caminhoneiros não negociaram antes de iniciar as manifestações na porta da instalação.

Ele confirmou que são 11 as reivindicações dos profissionais, mas disse que o pleito gira em torno da utilização da categoria para o transporte de contêineres vazios. “O movimento começou sem aviso de negociação. Houve descumprimento de ordem judicial porque eles ainda estão próximos ao terminal.

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Tentamos aproximação e estamos dispostos a negociar, mas não podemos reservar mercado porque isso inviabiliza a operação”, destacou.

Mediação

De acordo com o secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, José Eduardo Lopes, para que as partes cheguem a um acordo, as duas devem ceder. “Estamos tentando fazer com que eles dialoguem, mas está bem difícil essa negociação. Já estive na Libra e já marquei duas reuniões com o Sindicam, mas o representante do sindicato não apareceu”, explicou.

Na tarde da última terça-feira, um terminal retroportuário recorreu à Abtra, solicitando que a entidade ajudasse nas negociações. Devido ao protesto, os caminhoneiros contratados por esse terminal não conseguiam trazer cargas da Libra.

“Desde o começo da semana, recebemos chamados de recintos alfandegados que demonstraram preocupação com essa situação. A Abtra está sempre aberta a negociações e vamos agir como sempre agimos em outras questões para que se encontre a harmonia”, destacou o secretário-executivo da Abra, Matheus Miller.

Fonte: A Tribuna