Teste: Mercedes-Benz 1635 – O bicudo eficiente

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Apesar de pertencer à geração dos caminhões bicudos (com capô sobre o motor), os quais em sua maioria foram substituídos pelos modelos de cabine avançada – conhecidos como cara-chatas -, o Mercedes-Benz pesado 1635 4X2 resiste no tempo e se mantém no mercado com boa aceitação entre transportadores, com destaque os autônomos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País.

Rodamos com uma unidade cedida pela fábrica, atrelada a um baú de três eixos, e identificamos vários pontos positivos que ajudam a entender a procura pelo modelo e sua permanência na linha de produção, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Isso, mesmo nos dias de hoje em que os transportadores preferem operar com veículos com maior plataforma de carga, para carregar mais por viagem sem ferir a lei da balança ou de comprimento das composições cavalo semirreboque.

Pra início de conversa, cabe lembrar que o Mercedes-Benz Atron 1635 S faz parte de uma família de caminhões da marca que reúne também os bicudos Atron semipesado 2324 6X2 e o pesado 2729 6X4, além do cara-chata médio 1319 na configuração 4X2. O 1635, assim como os outros dois modelos bicudos, são equipados com cabine lançada pela fábrica na segunda metade dos anos 80, uma época que antecedeu grandes mudanças no transporte rodoviário de cargas no Brasil. Mas nem por isso deixou de ser um ambiente de trabalho do motorista.

De perto, o Atron 1635 transmite sensação de segurança devido seu capô, que demostra certa imponência, e também por toda sua parte dianteira remodelada para garantir ao veículo a identidade visual dos demais modelos da marca. Em seu interior, a cabine apresenta espaço generoso para o motorista, principalmente devido ao piso totalmente plano, já que o motor está posicionado à frente. A cama, também de bom tamanho, em nada perde para a maioria das cabines-leito disponibilizadas no mercado.

Sem luxo ou sofisticação, trata-se de um caminhão simples, que tem como um de seus pontos fortes a eficiência. Cabe dizer, que se trata de um veículo pronto devido ao seu tempo de mercado. Porém, é tímido em itens de conforto e tem como opcionais climatizador, espelhos retrovisores elétricos, piloto automático e banco pneumático para o motorista. Já a cortina, vidros das janelas com levantadores elétricos e ABS são de série, mas o volante não tem controle de altura ou profundidade e a caixa de câmbio é disponível somente na versão mecânica.

O Atron 1635 surpreende em operação. O trem de força bem equilibrado e robusto, formado pelo motor OM 457 LA Euro 5 com 345cv de potência, acoplado à caixa de mudanças manual com 16 marchas sincronizadas (com overdrive), eixo traseiro HL 7 e entreeixos de 4.500mm, fazem do MB Atron 1635 um caminhão bastante eficiente, rápido e ao gosto do pequeno transportador. Como em outros modelos Euro 5, o motor ganhou mais tempo entre os períodos de troca de óleo, aliás, o mesmo lubrificante mineral usado nos propulsores Euro 3 da marca.

A eletrônica embarcada, comum nos caminhões de hoje dia, disponibiliza itens importantes como o indicador de consumo de combustível no painel. O motor empurra bem toda a composição lastreada no peso de balança e opera sem esforço em velocidade de 80km/hora com o contagiros na faixa de 1.300 rpm, a mais econômica do veículo. A faixa verde vai de 900 a 1.600rpm. O freio motor Top Brake, presente em outros modelos da marca também é de série no veículo, que vai sem no transporte de longa distância atrelado a um semirreboque de três eixos basculante ou baú. Em resumo, é um lobo em pele de cordeiro, com preço sugerido de R$ 236.660,42.

Fonte: Revista O Carreteiro – Edição 469




Um comentário em “Teste: Mercedes-Benz 1635 – O bicudo eficiente

  • 17/12/2013 em 21:22
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    esse motor com 345cv realmente nao combina com a tradiçao dos bicudos um caminhao que em 1990 rendia 354/408cv

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