Tolerância de peso por eixo dos veículos de carga é insatisfatória

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O percentual de tolerância de peso por eixo dos veículos de carga em rodovias brasileiras é um tema polêmico. Até este mês, a tolerância máxima definida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) é de 7,5% sobre os limites de peso bruto transmitido por eixo de veículo em vias públicas. O limite era para ser de 5%, mas para os representantes do setor de cargas o ideal seria em torno de 10%.

Para o diretor de relações institucionais da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Roberto Queiroga, é preocupante a quantidade de multas por excesso de peso por eixo que, de acordo com ele, chega a corresponder a 95% das multas que os caminhões de carga recebem na estrada.

Queiroga questionou o fato de que em alguns trechos, a balança não apresenta o excesso e na pesagem seguinte, sim. “Hoje o método de aferição do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para saber o impacto na rodovia está sendo questionado por trabalhos de pesquisa de universidades federais. Estamos sendo multados por aquilo que não temos o controle [saber o excesso de peso por eixo].”

Membro da Contran e analista de infraestrutura da Secretaria de Política Nacional de Transportes (SPNT) do Ministério dos Transportes, Rone Barbosa, acredita que falta uma definição do governo sobre a infraestrutura e logística do país e que a necessidade de se investir em pavimento de melhor qualidade nas rodovias é um consenso no Ministério dos Transportes, mas que a infraestrutura atual seria um problema.

“Se fosse aprovado os 10% de tolerância, haveria um aumento de mais de 5% de gasto do pavimento, que seria gasto com mais rapidez do que o orçamento permite. Melhorar os pavimentos resulta em um grande aumento de gasto para os governos federal, estaduais e municipais. ”

Com relação ao excesso de peso por eixo apresentado no decorrer do percurso, uma das soluções seria, além de substituir os equipamentos de pesagem do Dnit, seria a aquisição desses equipamentos nos locais de origem.

“A ausência da pesagem na origem é um dos grandes erros. Já existe o incentivo de algumas entidades para que as importadoras adquiram esse material para realizar a pesagem no início do trajeto.”

Nova pesagem

Barbosa afirmou que o governo trabalha com um novo sistema de pesagem com instalações de balança no qual haverá ganho de escala e redução de filas. “Queremos aprimorar os modelos de pesagem para a gente fazer por radar e não ter que parar ninguém. Esse ganho em escala deverá fazer com que trabalhemos com maior tolerância, mas punindo quem age de má fé.”

Fonte: Agência T1