Entrevista com Antenor Peruzzo

Entrevista com Antenor Peruzzo - Blog do Caminhoneiro




Natural de Guaporé-RS, o gaúcho Boccia tem mais de 40 anos de profissão. Com 61 anos de idade, iniciou com apenas 8 anos, trabalhando com o pai, em um Chevrolet Tigre, dirigindo em pé no caminhão.

Hoje dirige um Volvo NL12, da empresa Protege Construções, e transporta cargas gerais em uma prancha. Até 5 anos atrás tinha seu próprio caminhão. Em todo tempo na estrada conhece o Brasil inteiro, e vários países vizinhos. Carregado de dormentes de trilhos de trem para o terminal de açúcar que sofreu um incêndio em 2013, diz que vai fazer 40 viagens entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, para levar os dormentes até Santos-SP.

Sofrendo para se aposentar, por discrepâncias no INSS, diz que o governo deveria dar mais atenção para o motorista de caminhão, pois com mais de 40 anos de carteira profissional deveria ser mais fácil conseguir a tão esperada aposentadoria. “O governo deveria ajudar quem merece, quem trabalha, não esses que não fazem nada”, disse.

Antenor reclama também da proibição para caminhões especiais, que necessitam de Autorização Especial de Transporte, de rodar a noite. “Um motorista que dirige uma carreta dessa sabe se cuidar a noite, melhor do que os outros”, finaliza.

Como sempre trabalhou com caminhão próprio, tem o sonho de ter um novo caminhão e deixar a vida de empregado. Disse que já teve vários caminhões, e que perdeu um recentemente para um irmão. Tem preferência pelos caminhões da Scania, mas diz que qualquer caminhão novo vale a pena. “O cara que compra um caminhão velho está perdendo dinheiro na estrada e arriscando a vida”, completa.

Perguntado sobre a vida na estrada, Antenor diz que a vida está cada dia mais difícil e sofrida. São filas na estradas, obras em que se fica parado horas e horas, tudo que acaba atrasando as viagens. Também comentou sobre os locais para descanso, como postos de combustíveis, que cobram pela parada, e se não for cliente, não pode parar o caminhão que já vem alguém para mandar sair dali.

Passando no máximo 8 dias fora de casa, disse que agora é mais tranquilo, mas que a tempos atrás chegava a ficar 90 dias fora. Casado e pai de 4 filhos, diz que sempre tem saudade. Também falou que a presença paterna faltou na criação dos filhos. Mas que hoje todos os filhos estão bem.

Quanto ao trânsito, disse que não é necessário apenas dirigir bem, mas que é preciso cuidar muito dos outros motoristas. “Se você não cuida, eles te matam logo”. Também falou que muitas vezes é preciso tirar o caminhão da pista para evitar acidentes, em ultrapassagens perigosas de outros motoristas e outras situações, que ponham a vida dos estradeiros em risco.

Falou que hoje falta solidariedade entre os caminhoneiros. A alguns dias teve o disco de embreagem quebrado na cidade de Registro-SP, e ficou três dias parado sem ninguém parar. Foi atendido pela empresa de pedágio, que indicou um mecânico que não resolveu o problema. “Quando o mecânico terminou de montar a embreagem, quebrou de novo na primeira pisada. Continuei sem embreagem até a concessionária Volvo de Estrela-RS”.

Hoje em dia, Antenor considera que as estradas estão boas, pelo menos com asfalto razoável, comparando com um ou dois anos atrás. Também diz quem não segue a lei do descanso à risca, mas faz paradas regulares, numa das quais foi entrevistado, e roda tranquilo, sem pressa.

Sobre a empresa em que trabalha, diz que ela tem investido em novos equipamentos e caminhões, e atua no setor de construção civil.

Quando foi pedido para dar uma dica para quem quer começar na profissão, Antenor foi direto: “Se fosse eu, procurava outra profissão”. Diz que hoje em dia caminhão só dá para sobreviver, o caminhoneiro não vive. Um dos filhos, que trabalha em uma fábrica de jóias quer seguir a profissão de caminhoneiro. Antenor não é a favor por causa da vida do motorista, que é muito sofrida na estrada. Diz que em casa está muito melhor. “A vida de caminhoneiro não é bem assim”, finaliza.

Antenor Peruzzo foi entrevisto pelo Blog do Caminhoneiro em uma parada rápida que fez em um posto de combustíveis às margens da BR-476, em São Mateus do Sul-PR.

Fonte: Blog do Caminhoneiro




Um comentário em “Entrevista com Antenor Peruzzo

  • 03/01/2014 em 02:20
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    Concordo com a maioria das afirmações do amigo Perusso mas quanto a restrição de veículos especiais p rodar a noite como a carreta que ele trabalha tem que continuar sim, o que precisa é de mais fiscalização porque tem muitos inrresponsaveis rodando a noite com excesso lateral, digo isso por eu vejo principalmente na Br 020 Brasília a Salvador.

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