Foton transfere começo das obras para fevereiro

VISTA PARCIAL DO ESTOQUE DA FOTON AUMARK NO BRASIL

Adiado para fevereiro o começo das obras de instalação da montadora de caminhões da marca chinesa Foton em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. É a terceira vez que os empreendedores transferem a data de largada na instalação do projeto, com investimento previsto em R$ 250 milhões na primeira fase para montar 21 mil unidades anuais. A previsão inicial era dezembro e depois passou para janeiro. A direção da Foton Aumark do Brasil, criada por investidores nacionais para viabilizar o ingresso da marca pertencente ao grupo Beiqi Foton, espera apenas a autorização de um órgão federal para fazer estudo arqueológico no terreno de Guaíba, condição para obter as licenças ambientais. Enquanto não ergue a unidade, dirigentes da Foton definem fornecedores. A Fras-Le, do grupo Randon, foi confirmada como futura abastecedora de freios.

O diretor de Relações Institucionais da Foton no País, Luiz Carlos Paraguassu, informou que só falta firmar contrato e definir ajustes em peças, seguindo exigências dos modelos. Paraguassu revelou ainda que estão avançadas também tratativas com outros fabricantes da cadeia de autopeças e insumos instalada no Estado, entre eles Dana (fabricante de eixos e transmissões) e Farina (fundição). Os ajustes devem ser conduzidos até fim de 2015, quando está prevista a partida da produção para comercialização no começo de 2016. O empreendimento foi inscrito no programa Inovar- Auto, que concede desoneração fiscal gradativa vinculada à nacionalização dos modelos.

Em dezembro, uma comitiva do governador Tarso Genro visitou a sede da Foton Beiqi na China. Paraguassu citou que fabricantes de componentes chineses demonstraram interesse em ter produções locais. “Pode ser de rodas e pneus, mas dependerá do volume, não poderá ser só para a unidade gaúcha, temos de mostrar que o potencial é grande o País”, condicionou o diretor.

O foco agora é a implantação do projeto. A empresa aguarda publicação de edital do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para fazer perfurações na área que afastem a existência de sítios arqueológicos. Paraguassu disse que a solicitação ao Iphan ocorreu há 20 dias. “Ficamos preocupados com o prazo das obras, mas não acreditamos em problemas, pois já foi demonstrado antes que não há sítios”, comentou o diretor, que fica no Estado.

A partir do estudo, custeado pela empresa, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) poderá emitir as licenças – Prévia (LP) e de Instalação (LI), que permite as obras civis. A Fepam confirma que espera a documentação da Foton. As licenças também são requisito para acessar o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Segundo Paraguassu, fevereiro é o limite para a arrancada das obras.

As empreiteiras estão escolhidas. Os contratos serão firmados após a conclusão das autorizações ambientais. “Serão três empresas – uma para fazer a drenagem, outra a terraplenagem e uma terceira para a parte civil”, adiantou o executivo. Os empreendedores não esperam muitas dificuldades na preparação do prédio, que ocupará parte dos 100 hectares reservados, na zona industrial que foi destinada no fim dos anos de 1990 a uma fábrica de automóveis da Ford. Um desentendimento com o governo Olívio Dutra (PT) levou a multinacional a transferir o projeto para a Bahia.

Empresa fará novo encontro com fabricantes de peças

A Foton Aumark do Brasil planeja uma nova rodada com potenciais fornecedores metalmecânicos locais. Em novembro de 2013, mais de 200 lotaram salas da Fiergs. “O interesse é grande”, justificou o diretor da Foton Aumark. A busca de suprimentos de indústrias gaúchas virou meta de projetos, como o do novo complexo da Celulose Riograndense, em Guaíba.

Sobre a demanda futura de caminhões novos no Brasil, Paraguassu manteve os planos da empresa, mas identificou a importância de melhoria no crescimento do PIB. “O setor evolui no mesmo ritmo do PIB, mas temos dez anos de atraso na atualização da frota”, contrasta. A vida útil dos caminhões é de 18 anos, considerada alta. O grupo nomeou 23 concessionários de modelos, cinco no Estado (Novo Hamburgo, Santa Cruz do Sul, Nova Araçá, Caxias do Sul e Porto Alegre). Até o fim de 2015, a intenção é chegar a quase 100, sendo oito a nove gaúchos. A marca fará unidades para vender no mercado local.

Fonte: Jornal do Comércio