No AM, cargas de US$ 200 mil podem ser perdidas com interdição da BR-174

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As dezenas de caminhoneiros que aguardam a liberação da BR-174 temem os prejuízos decorrentes da interdição de um trecho da rodovia, que já dura quatro dias. As perdas de algumas empresas que fazem o transporte de cargas perecíveis podem alcançar mais de US$ 200 mil, segundo os caminhoneiros. Desde o último domingo (2), o tráfego de veículos de carga permanece suspenso no km 57 da rodovia, que liga Manaus a Boa Vista (RR), após uma das faixas da BR-174 desmoronar. Atualmente a passagem de carros também está interrompida no local. O Exército começou a montar uma ponte que servirá para travessia temporária dos veículos.

O caminhoneiro Edson Topa, de 52 anos, já deveria estar com a carga de 26 toneladas de carne na aduana, localizada na fronteira entre Brasil e a Venezuela, na segunda-feira (3). Entretanto, a viagem foi interrompida com a interdição do trecho da BR-174 ainda no Amazonas. Ele e um grupo de transportadores aguardam no km 41, antes do trecho interditado.

O risco agora é que a carga avaliada em mais de US$ 200 mil, que seria exportada para Venezuela, estrague enquanto o veículo aguarda às margens da rodovia. O caminhoneiro prevê que, se o caminhão não for liberado para atravessar o trecho ainda nesta quarta-feira (5), as perdas serão iminentes.

“O transporte começou no município de Jaru em Rondônia na terça-feira da semana passada. Todo esse tempo estamos mantendo as câmaras frias ligadas para garantir que a carga fique na temperatura de -18ºC. Porém, estamos retirando combustível do tanque do caminhão, que já está acabando e não temos onde comprar mais diesel. Se a carga for perdida também não receberei o pagamento de R$ 12 mil do frete, mas já arquei com a maior parte dos custos do percurso”, desabafou Edson Topa.

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Cargas de bananas estão estragando enquanto caminhoneiros aguardam liberação do tráfego de veículos em trecho da BR-174

Outras três carretas carregadas com carne e uma com iogurte de Poços de Caldas, em Minas Gerais, também estão na mesma situação. Caminhões com combustíveis, máquinas agrícolas e outros tipos de cargas permanecem no local.

No trecho bloqueado, na altura do km 57, uma longa fila de veículos de carga e de passeio estão estacionados nos dois sentidos da rodovia. A cada dia que o local permanece interditado cargas de frutas e verduras são perdidas. Segundo o caminhoneiro Bruno Barbosa da Silva, 30 caminhões com toneladas de bananas vindas de Roraima estão aguardando, sofrendo com efeitos do sol e o calor. Cargas da fruta avaliadas em R$ 20 mil já foram perdidas.

“A banana é uma fruta muito perecível e algumas cargas estragaram durante esses últimos quatro dias. A maioria faz o transporte para atravessadores, que compram banana em Caroebe (RR) para revender em Manaus. As condições são desumanas aqui e estamos tendo que comer banana, pois não há onde comprar comida nas proximidades e implorar por água”, relatou Bruno Barbosa.

Para o revendedor de banana Natanael Sabino de Souza, 22 anos, a cratera que gerou a interdição na rodovia surgiu porque a BR-174 não tem recebido manutenção adequada e problemas antigos de infraestrutura não foram solucionados. “Cada carga de banana no mínimo custa R$ 12 mil. Quem terá prejuízos seremos nós e os caminhoneiros, mas tudo isso pela falta de manutenção da rodovia”, enfatizou.

Transportadores de cargas milionárias temem perder produtos perecíveis; combustível de câmaras frias é está acabando
Transportadores de cargas milionárias temem perder produtos perecíveis; combustível de câmaras frias é está acabando

Os produtores rurais de cargas menores estão atravessando o trecho interditado com sacas de verduras e frutas nas mãos, dando continuidade ao trajeto até Manaus através de veículos que aguardam no outro lado da via. Crianças e idosos também estão sofrendo transtornos no local. Alguns motoristas só ficaram sabendo da interdição quando estavam nas proximidades do bloqueio.

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“Eu, o meu marido e meus dois filhos passamos o carnaval em Manaus com familiares. Retornávamos para Boa Vista, onde moramos, na manhã desta quarta e descobrimos através da rádio, mas era tarde demais. A polícia era para avisar logo no início da rodovia e evitar com quer mais pessoas tenham que passar por esse sofrimento no meio da estrada”, reclamou a autônoma Cleonildes Oliveira, de 43 anos.

Ações emergenciais

Ainda na madrugada desta quarta, o Exército começou a montar uma ponte que servirá para travessia temporária dos veículos. A previsão é que até o final da tarde a montagem da estrutura metálica seja concluída.

Exército trabalha na montagem de ponte provisória no trecho da BR-174 danificado pelas chuvas
Exército trabalha na montagem de ponte provisória no trecho da BR-174 danificado pelas chuvas

De acordo com o comandante do 6º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC) do Exército, tenente-coronel Filgueiras, 40 toneladas de equipamentos foram trazidas de Boa Vista. Ao todo, 120 militares trabalham na montagem da ponte que utiliza peças de metal pré-moldadas. Somente veículos com peso de até 12 toneladas por eixo poderão passar pela ponte provisória. A estrutura tem 30 metros de comprimento e três de largura.

“O Exército, juntamente com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, irá controlar a passagem de veículos pela ponte, que terá uma faixa. A travessia será alternada, passando veículos de sentidos separados por vez. Depois da montagem, o Exército permanece para fazer manutenção e a ponte deve ser utilizada até nova determinação do Comando Militar da Amazônia (CMA)”, explicou comandante Filgueiras.

Fonte: Rede Amazônia




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