Queda em venda de caminhões provoca demissão no setor químico em SP

Linha de montagem Ford Cargo - São Bernardo do Campo - SP




O mau momento da indústria automotiva já espalha seus efeitos ao longo da cadeia produtiva. E não é só a venda de automóveis que assusta os empregados de quem fornece para montadoras. A queda no licenciamento de caminhões e ônibus também gera desemprego na indústria química do ABC Paulista.

Atualmente, a pior situação é a de Diadema. Com um déficit de 207 vagas no setor até o fim de março, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cidade é uma das vítimas da queda na produção de autoveículos pesados.

Com Mercedes-Benz e Man Latin America paralisadas e redução nos pedidos da Scania e da divisão de caminhões da Ford, fica difícil para as transformadoras do setor químico manterem seus quadros.

“As empresas só aguentam 60 dias sem produção. Quando a suspensão de pedidos passa disso, acabam demitindo o pessoal”, explica Raimundo Suzart, coordenador da Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico (Fetquim, vinculado à regional paulista da Central Única dos Trabalhadores, CUT-SP). Em Diadema, a indústria química é dividida entre o Polo de Cosméticos e a transformação para autopeças. Segundo Suzart, o problema está todo concentrado no segundo grupo – o setor de cosméticos vai bem.

Desde 2012, a venda de caminhões patina. Primeiro, por conta da mudança no padrão técnico dos motores, que passaram a adotar o modelo Euro 5 por exigência legal. Em 2013, um ano de boa safra no agronegócio não foi suficiente para trazer de volta todo o fôlego da indústria, que, em 2014, sofreu também com os atrasos para liberação das regras do Programa de Sustentação do Investimento – Financiamento de Máquinas e Equipamentos (PSI-Finame). No primeiro trimestre, o número de licenciamentos caiu 11,3% nessas categorias, com 30, 4 mil unidades vendidas.

“A indústria de caminhões está praticamente toda parada”, lamenta Suzart, que afirma estar mais otimista que os colegas que trabalham para as linhas de veículos leves. “Temos uma grande expectativa de que o mercado vá melhorar com a próxima safra”, comenta. “Para cada um funcionário demitido de uma montadora, são três a cinco cortados na cadeia.”

No Estado de São Paulo, o saldo do primeiro trimestre para o setor de transformados plásticos não é dos mais animadores. Com 16,3 mil demitidos no primeiro trimestre, o saldo de empregos é de apenas 791 vagas até março – no terceiro mês de 2013, este saldo era de 2,2 mil postos de trabalhos.

Procurada, a Associação Brasileira da Indústria de Plásticos (Abiplast) não comentou o assunto. Paulo Lage, presidente do Sindicato dos Químicos do ABC (filiado à CUT), não foi localizado.

Rotatividade média no setor é de 30%

Não bastasse o cenário pouco favorável, os funcionários do setor encaram uma rotatividade de 30% nos quadros de funcionários, considerada “irracional” pelo sindicalista. A cada campanha salarial, uma leva de funcionários é substituída por outra mais barata. “Já fizemos estudos com o Dieese e identificamos que a cada vez que demitem uma turma, contratam pessoas com salários de 7% a 10% menores”, explica Suzart.

Por isso, segundo o sindicalista, a entidade tem buscado elevar o piso salarial da categoria. “O trabalhador que ganha mais que o piso, quando é demitido acaba sempre em desvantagem, porque nunca consegue emprego com o mesmo salário”, diz. “Se elevarmos o piso, conseguimos melhorar essa condição para mais gente.”

Fonte: Economia IG