Rodovias “param no tempo”, fluxo multiplica e mortes aumentam 24%

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Falta de investimentos associada à multiplicação do fluxo de veículos e a imprudência de alguns motoristas tornam um desafio cruzar rodovias federais em Mato Grosso do Sul. Só no primeiro quadrimestre do ano, foram registrados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) 1.134 acidentes e 98 mortes, 24% a mais que os 79 óbitos apurados no mesmo período de 2013.

“O que está acontecendo nas rodovias é um verdadeiro genocídio e as autoridades tentam culpar os usuários”, analisou o presidente do Setlog-MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de MS), Cláudio Cavol. Para ele, os investimentos não acompanharam o aumento do fluxo.

“Principal artéria do Estado, a BR-163 foi feita há mais de 35 anos e poucas mudanças foram realizadas, enquanto o movimento multiplicou por cem”, comentou. “Não modernizaram as estradas para acompanhar o fluxo”, emendou. Só na BR-163 foram registradas 40 mortes nos quatro primeiros meses do ano contra 27, no período anterior.

Neste sentido, Cavol tem certeza que a culpa do aumento das mortes é das autoridades. “O MP (Ministério Público), a PRF, os governos estadual e federal estão se omitindo e nós queremos abrir os olhos do cidadão sobre a verdadeira responsabilidade do genocídio que está acontecendo das estradas”, disse.

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O presidente do Setlog reconhece, no entanto, que alguns motoristas dirigem acima de sua capacidade física. “O problema é que quando pensam em parar para descansar não encontram um local com estrutura, passam calor infernal e fatalmente tomam uma cerveja gelada para se refrescar e relaxar”, comentou.

Em meio às dificuldades, Cavol afirmou que o clima é de incerteza e preocupação. “Estamos desolados com a violência nas rodovias. Por elas, passam as riquezas produzidas pelo país afora, mas, ao mesmotempo, o governo não dá o retorno necessário e o risco, a cada dia, aumenta e desestimula os motoristas”, disse. Hoje, o déficit é de 150 mil caminhoneiros no Brasil.

Indagado se a privatização da BR-163 vem para melhorar as condições da via, ele acredita em melhorias. “Mas a que custo?”, questionou fazendo menção aos pedágios. “Mais uma vez, caiu para o usuário pagar a conta”, completou. Segundo ele, só de frete a elevação do serviço será de 10% a 12%.

Imprudência

Por outro lado, a PRF atribui o aumento das mortes ao excesso de velocidade, imperícia e falta de atenção dos motoristas. Dos 1.134 acidentes, 323 envolvem saída de pista. Para a polícia, essas situações poderiam ter sido evitadas “se o condutor trafegasse de forma prudente”.

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Outras 207 ocorrências se caracterizam pela colisão traseira. “Se o motorista mantivesse a distância de segurança os riscos seriam bem menores”, avalia a PRF. “Os números nos preocupam muito, estamos desesperados, porque refletem a questão comportamental dos condutores”, afirmou o inspetor da PRF, José Ramão Mariano Filho.

Ele frisou que “não tem como disponibilizar um policial para cada reta, cada curva”. “Assim que vê uma viatura na rodovia, o motorista reduz a velocidade, mas quando a fiscalização fica para trás, volta a se expor aos riscos”, disse.

O caminho, na avaliação de Mariano, é “formar motoristas responsáveis”. “Só educação para mudar conceitos como a gente ainda vê por aí de um pai trafegar com o filho sem cinto de segurança, sem cadeira adequada. Imagino que eles pensem que é mais confortável o colo da mãe, mas esse é um conforto ilusório”, alertou.

Fonte: Campo Grande News Texto de Lidiane Kober




5 comentários em “Rodovias “param no tempo”, fluxo multiplica e mortes aumentam 24%

  • 24/07/2014 em 10:16
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    Quanto a você Julianow, possivelmente você é um daqueles despolitizados que sequer pesquisa a realidade brasileira, e pare com esta historia de comunismo e governo esquerdista, pois em todo o mundo, a questão comunismo esta morto e enterrado, somente o capitalismo e as elites que vem insistindo nesse tema, tentando influenciar analfabeto politico como você. Agora se é verdadeiro que vais para a Europa, parabéns, lá vera que tem empresas corretas, que trabalham sem excesso de peso, com isso contribuindo para conservação das rodovias, pagam salários, nada de comissão, não vivem de incentivos do governo, não sonegam impostos como aqui no Brasil, você terá uma rota que quase que semanalmente estará em casa, trabalhará sob carga horária de 11 a 12 horas diárias e recebera salário digno algo entre 2500 / 3500 euros

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  • 24/07/2014 em 09:56
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    Porque ninguém assume que a modalidade de contrato de trabalho de motoristas carreteiro no Brasil é a maior causa dos acidentes nas estradas, é muito fácil colocar a culpa no governo, quando as verdadeiras causa são outras já conhecidas. Salário, não existe, o motorista esta obrigado a se submeter a trabalhar sob comissões, inclusive sobre essas comissões descontam até o pedágio. Entre o motorista submetido a trabalho escravo, assumem entrar no mundo da drogas para conseguir um salário pouco melhor, isso é sabido por todos do setor transportador brasileiro, sem contar as empresas que quando entrega o manifesto das cargas, entregam junto envelopes de anfetaminas ”rebites”. Então tem muita gente trabalhando sob exesso de jornada de trabalho, se drogando, e as empresas comprando caminhões nas costas das irresponsabilidade promovida por estes montes de lixo do setor de transporte, digo, empresários e motoristas que imponhe suas leis, e os que se submetem.

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  • 15/05/2014 em 23:12
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    ….hmmm que milagre a PRF alegar além da tradicional “reza” excesso de velocidade-desatenção, ela alegar agora IMPERÍCIA. Perceberam isso só agora em 2014 foi???????
    Depois, que transformaram a CNH em um “direito social” e passam todo mundo no teste, aprovam qualquer psicotécnico, e qualquer teste prático, … depois disso tudo, sem nenhuma preocupação com a qualidade do motorista aprovado.. vão falar em IMPERÍCIA?? Culpa dessa porcaria de governo esquerdista, que fica fazendo medidas populistas com o dinheiro dos outros. Agora? tem um monte de incompetente de carteira.. e as estradas, as mesmas dos anos 70.. e dá-lhe vender carro e caminhão…
    Violência??? não IMAGINA.. 50 mil assassinatos por ano!!! por que será que tem motorista abandonando a profissão?
    eu mesmo abandonei, faz 1 mês. Sinto falta, mas estou indo pra Europa. Dentro de mais 1 ano e meio, consigo voltar a atividade.
    Adios brazil.. fiquem com o CAOS e com o COMUNISMO.

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  • 14/05/2014 em 14:01
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    resolver problemas dos outros é facil , então vamos lá , rodamos em rodovias ultrapassadas de décadas passadas mais de 30 anos , de lá pra cá os caminhões ficaram maiores , mais rápidos , mais largos e altos , tambem aumentou o numero de caminhões e o numero de carros , e nossos ilustres governantes nada fizeram em relação as rodovias , em minha humilde opinião os sindicatos e transportadoras deveriam responsabilizar o governo por todo esse descaso

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  • 13/05/2014 em 12:07
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    Excelente reportagem, porque permite relatar problemas de infraestrutura das estradas, falta de paradouros nas estradas, aumento do fluxo de veículos automotores nas estradas e necessidade das empresas investirem na capacitação comportamental e na valorização da profissão do motorista.

    É visível para todos o desequilíbrio na gestão dos transportes rodoviários e na segurança no trânsito! Vale destacar o importante trabalho da PRF em todo o Brasil.

    Muita luz para os gestores dos transportes rodoviários!

    José Rovaní
    Autor do Livro Motorista Comprometido

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