Demanda em baixa ativa férias e reduz efeito Copa

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A esperada “folga” na rotina produtiva com os jogos da Copa do Mundo foi amenizada nas plantas industriais gaúchas pela queda nos pedidos e no nível de ocupação da capacidade instalada. Segundo entidades do setor patronal industrial no Estado, o nível de ociosidade alcança 23%, acima da média dos últimos anos de 18%. A demanda em queda, a falta de perspectiva de retomada da atividade e o menor consumo, segundo a Abimaq-RS, provocaram antecipação de medidas como férias coletivas na Região Metropolitana e no Interior.

O setor de bens de capital sofre mais rapidamente o efeito de menor investimento, identificado no PIB trimestral, que avançou apenas 0,2% no primeiro trimestre no Brasil, apontou o vice-presidente da Abimaq-RS, Hernane Cauduro. Segundo Cauduro, as carteiras de pedidos estão em nível muito baixo. O dirigente citou que na sua empresa houve adiamento na entrega de pedidos para julho devido à liberação de empregados. Um dos casos é o da fabricante de ônibus Comil, que suspendeu o envio de peças entre 5 e 25 de junho.

“Isso tem a ver com a conjuntura da economia, com demanda em queda, e não vemos sinal de melhora após julho”, preocupa-se Cauduro. “Antes de demitir, as empresas estão dando férias escalonadas. Se o ambiente não melhorar, vem demissão.” O vice-presidente da Abimaq-RS, que representa o ramo de máquinas e equipamentos (bens de capital), descarta que o Mundial esteja causando alteração de rotina nas fábricas. Cauduro retratou que o ânimo para investimento vem caindo e citou o exemplo do setor automotivo com estoque para 48 dias. “O cenário é negativo, não há confiança, e a elevação de juros segurou os investimentos”, acrescentou o industrial.

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O ambiente dentro das unidades deve mesmo se alterar nos dias de jogos. O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Estado (Sinmetal) apurou que as associadas situadas em 412 municípios deram alternativas aos funcionários. “Haverá televisão para quem quiser assistir na empresa e quem preferir sair mais cedo vai compensar depois”, esclareceu o presidente do Sinmetal, Rogério Petry. O dirigente do ramo metalomecânico avaliou que a Copa ajuda a reduzir ainda mais o ritmo do setor.

“Se os pedidos estão baixos, aproveitamos para dar férias”, ilustrou Petry. A concessão de férias começou por grupos e se amplia. No ramo automotivo, com cadeia significativa na Região Metropolitana e na Serra, apenas quem produz para reposição conserva ocupação mais elevada. “Fizemos reunião com 30 empresas na semana passada, e apenas duas mantinham o nível da produção, as demais têm queda de mais de 60% nos pedidos”, quantifica Petry.

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A falta de confiança é um dos aspectos que mais tem preocupado a Agrale. O diretor comercial de veículos, Alvonir Anderle, destaca que o mercado tem mostrado a necessidade de compra, que esbarra na falta de confiança. “A expressão ‘vamos esperar’ é o que mais temos ouvido em todos os setores”, observa. Desde o início de maio, estendendo-se até o final de julho, a Agrale utiliza a semana de quatro dias, com dispensa dos trabalhadores na sexta-feira. A Guerra, por sua vez, que de março a maio usou o mesmo expediente, agora estuda a possibilidade de uso de férias coletivas para manter a produção adequada ao mercado.

Nas Empresas Randon, que concederão férias seletivas para a maioria dos trabalhadores da produção nos meses de junho e julho, a atividade permanece sem alterações. De acordo com Alexandre Gazzi, diretor corporativo, os volumes da área de implementos rodoviários estão adequados com o mercado, que fechou os primeiros quatro meses em queda de 9%, e as de autopeças acompanham o movimento das montadoras. “Não estamos produzindo mais do que o mercado está adquirindo”, definiu Gazzi.

Fonte: Jornal do Comércio Texto de Patrícia Comunello e Roberto Hunoff




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