As paradas das montadoras já têm impactado outros elos da cadeia produtiva

Scania Brasil




Enquanto as montadoras de veículos leves contam com a manutenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) mais baixo até o final do ano, os fabricantes de caminhões vivem o desânimo do mercado para investimentos, o que tem derrubado as vendas. Além disso, a produção também foi afetada pela crise na Argentina. Neste cenário, os fornecedores da cadeia já revisam os seus planos para 2014.

“Já prevíamos uma queda dos negócios para o ano e ainda não vimos retomada”, afirma o diretor de marketing e relações governamentais da Cummins América do Sul, Marco Rangel. A empresa é considerada a maior fabricante independente de motores a diesel do mundo e fornece para as principais montadoras de caminhões instaladas no País.

No início do ano, a regulamentação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que oferece condições especiais de financiamento pelo Finame (do BNDES) para a compra de caminhões, demorou praticamente um mês para sair, o que impactou a carteira de pedidos dos fabricantes de toda a cadeia.

“Tínhamos consciência de que este seria um ano tumultuado, mas mesmo com o problema do crédito solucionado, não tivemos uma resposta significativa do mercado”, destaca Rangel.

No mês passado, o governo anunciou a prorrogação das atuais condições do PSI, que incluem juros abaixo da inflação e um orçamento médio em torno de R$ 80 bilhões.

“Esta decisão é positiva, principalmente em um mercado altamente dependente de crédito mais barato”, ressalta Rangel. Porém, o executivo é cauteloso. “Estamos vivendo um período de incertezas e seria precipitado fazer qualquer previsão”, diz.

Na visão da Tendências Consultoria, o segundo semestre deve apresentar alguma melhora das margens em caminhões. Fatores como demanda relativamente positiva em mineração e agropecuária, manutenção das facilidades do PSI, continuidade de compras do governo e expectativa de retomada dos negócios postergados em razão da Copa e do próprio atraso do PSI devem sustentar o cenário para as montadoras.

Paradas

Todas as grandes fabricantes de caminhões instaladas no Brasil decretaram paradas, férias coletivas e até lay-off (licença remunerada), devido à desaceleração do mercado, o que afetou diretamente os fornecedores da cadeia.

“Temos tomado várias medidas para ajustar a produção, como férias coletivas, ajuste do quadro de funcionários e fechamento do terceiro turno”, afirma o diretor geral da BorgWarner, Arnaldo Iezzi Jr. A empresa fabrica turbocompressores e fornece para as grandes marcas de caminhões instaladas no País.

A Cummins também está reajustando o seu cronograma. “Nós alinhamos nossas paradas com as montadoras e reduzimos a produção, somente por isso não temos grandes estoques”, pondera Rangel, que complementa. “Trata-se de um cenário de ajustes. Todos os elos estão sendo afetados”, destaca.

As líderes de emplacamentos no País, a MAN Latin America (fabricante dos caminhões Volkswagen) e Mercedes-Benz, tomaram medidas drásticas para se adequar ao mercado. A MAN decretou cinco meses de lay-off para centenas de funcionários da fábrica de Resende (RJ), além de paradas pontuais. Já a Mercedes determinou regime de semana curta em São Bernardo do Campo (SP) e férias coletivas na planta de Juiz de Fora (MG). Além disso, marcas como Volvo e Scania também tiveram paradas.

“É necessária e urgente uma modernização da legislação trabalhista no Brasil, como ocorre em outros países, que permita maior flexibilidade em momentos de oscilações de demanda como este”, avalia Iezzi Jr.

Perspectivas

A Borgwarner prevê uma queda de 10% para a empresa, em 2014. “O momento é extremamente difícil para toda a cadeia de fornecedores de autopeças e as previsões para este ano não são boas”, afirma Iezzi Jr.

Para o diretor da Cummins, o viés para o ano é de queda, considerando que o primeiro semestre da empresa terminou com um declínio entre 11% e 13%. Porém, ele avalia que ainda é cedo para traçar uma projeção concreta.

“Vivemos um cenário pré-eleitoral, que gera insegurança para investimentos. Teremos que esperar as eleições para definir projeções”, informa.

Mas para Iezzi Jr., as perspectivas no médio prazo ainda são otimistas. “Não podemos esquecer que temos um grande mercado automotivo no Brasil, que precisará ser atendido nos próximos anos com índices de conteúdo local e metas de eficiência energética”, destaca.

Ele afirma ainda que otimização dos custos é fundamental para os negócios no Brasil. “Apesar das dificuldades, continuamos investindo, principalmente em automação e melhoria de produtividade na busca por otimização constante de custos”, explica.

Fonte: DCI Texto de Juliana Estigarríbia

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