Será que faltam caminhoneiros?

Mais uma vez saiu na mídia uma matéria falando da falta de caminhoneiros e da preocupação dos produtores com a dificuldade de escoamento da produção por causa disso. O Sindicato das Empresas de Transporte de Mato Grosso do Sul disse que faltam mais de 4 mil motoristas naquele estado.

Mas onde estão as vagas? No Blog do Caminhoneiro há espaço para publicação de vagas de emprego e também de currículos, e o número de currículos é impressionantemente maior que o número de vagas.

Caminhoneiros que conheço, com anos de experiência, um deles, que conversou com o Blog, trabalhou até como Master Driver em uma das mais importantes montadoras de caminhões do Brasil, estava desempregado e não conseguia nenhuma oportunidade. Milhares de jovens motoristas, muitos deles com seriedade e postura de profissional, não conseguem a primeira oportunidade de trabalho.

De acordo com Alexandre Rangel, caminhoneiro de Linhares no Espírito Santo, duas situações agravam o problema da falta de oportunidades: “Creio eu que são dois fatores mais agravantes… O primeiro é a falta de experiência, muitas vezes não comprovada em carteira, e a outra é a necessidade de ter alguém para influenciar, um amigo ou conhecido, que já esteja na empresa na qual a pessoa queira entrar. Mas acho que das duas, a influência de alguém é mais importante que a própria experiência”.

Hélio David de Almeida, colunista aqui do Blog e sócio de uma transportadora, diz que o problema não é a falta de experiência, mas sim a mentalidade de quem decide ser caminhoneiro, a onda “jovem” que tem tomado conta dos noticiários com acidentes e atitudes imprudentes e nada profissionais atrás do volante, além de não se ter confiança de que o motorista vá ficar na empresa, e que, se sair do emprego, o que fará com a empresa. Por isso, se o candidato à vaga for indicado por alguém de confiança, terá mais chance de conseguir o emprego.

Outro grande ponto, que dificulta a contratação de caminhoneiros, é a falta de vontade de muitas empresas em treinar os motoristas jovens sem experiência, dentro da própria empresa, ao lado de um motorista experiente. As poucas empresas que fazem isso tem um ótimo retorno, já que o jovem aprendiz terá o conhecimento fornecido pela empresa, para trabalhar em um veículo da empresa, evitando vícios de trabalho, com erros corriqueiros, diminuindo riscos e quebras do veículo.

O investimento das empresas em caminhões cada vez mais tecnológicos e caros mudou o perfil do caminhoneiro, antes generalizado em um motorista sujo de graxa, para um profissional uniformizado, educado e cada vez mais antenado. Agora, além dos conhecimentos básicos de direção e mecânica, o caminhoneiro precisa entender de computadores de bordo, rastreadores, além de conviver com cobranças por médias de consumo e horários cada vez mais apertados.

Se o perfil das empresas também não for atualizado, logo teremos proprietários de caminhões, com grandes frotas, tendo que sentar atrás de um volante para cumprir contratos.

A profissão de caminhoneiro, que na verdade se trata de um estilo de vida, está realmente afastando os motoristas experientes e diminuindo o número de novos caminhoneiros, por causa de vários problemas enfrentados na estrada, como falta de segurança, acidentes e tantos outros. Por isso é necessário uma grande modificações dos padrões do relacionamento entre caminhoneiros e empresas, visando melhorar a vida de quem está no volante e também a rentabilidade do negócio de transportes.

Blog do Caminhoneiro

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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