Tecnologia colabora para o conforto de quem praticamente mora na estrada

caminhoneiro




Anderson Luís Moreira conta, achando graça, que enganou a sua esposa, Camila. Quando se conheceram, ele estava envolvido em atividades profissionais bem longe da estrada, muito mais perto de casa. Mas a paixão pela profissão do pai, que hoje é caminhoneiro aposentado, falou mais alto.

Atualmente trabalha somente na região, transportando cereais até Porto Paranaguá, mas já viajou para mais longe, levando produtos por todos os países do Mercosul: Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai. Chegou a ficar um mês fora de casa, mas a média de tempo das viagens para o Mercosul, segundo sua experiência, é de duas semanas, uma pra ir, outra para voltar, se tudo correr dentro do cronograma, passando pela aduana sem problemas e sem ter percalços também com a parte burocrática, que é um pouco complicada.

Motorista há oito anos, Anderson viu como a tecnologia inovou a profissão. Quando começou, conta ele, o caminhão automático não era popular como hoje, e os mais robustos com essa inovação estavam sendo lançados pela Volvo, conforme relembra. “A Scania tinha [um caminhão automático], mas era muito difícil achar e dava muito problema. Hoje em dia há caminhões que, caso o motorista tenha um mal súbito, ele vai parar sozinho, evitando mais acidentes”, descreve.

Passando de duas semanas a um mês fora de casa, o caminhão precisa ofertar conforto ao motorista. Segundo Anderson, o item indispensável é a cama. “Quando você passa tantos dias na estrada, pode-se dizer que você mora praticamente dentro do caminhão. Você passa muitos dias fora, depois fica apenas dois ou três dias em casa, e torna a viajar de novo. Por isso você precisa, para o seu descanso, de uma cama, de um banco mais confortável”.

Anderson explica que a maioria dos caminhões já vem com alguns atributos, mas os motoristas costumam fazer modificações. “Eu não sei como os engenheiros projetam, mas sei o que caminhão novo vem desconfortável. Então a gente manda fazer toda a parte de cama, coloca mais espuma, ajeita o banco do motorista. Há caminhões novos que vêm com 40 regulagens diferentes para os bancos, e essa ergonomia é importante para a gente, que fica sentado o dia inteiro dirigindo, e chega no fim da noite com dor nas costas, nos braços, nas pernas, dói tudo”, afirma.

As modificações normalmente são feitas em lojas de assessórios automobilísticos, que refazem os estofamentos e fazem a parte de cortina, também bastante importante na opinião de Anderson para manter a privacidade do motorista. Também a TV e o DVD ajudam na hora do descanso, de desligar da estrada, conta. “A gente ficava parado dois, três dias na aduana, mas tinha uma TV e um DVD para assistir. Com um conversor e uma anteninha, eu assisto a novela como se estivesse em casa. São confortos importantes”, conta.

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Anderson explica que a parte mecânica também é importante para manter o conforto de quem dirige, e que os caminhões atualmente estão bem mais avançados nesse quesito do que os de antigamente. “O caminhão automático é um exemplo. Você regula da maneira que te agrada e só precisa de mão no volante. Um caminhão com 32 toneladas, 50 toneladas, você não precisa mais estar trocando marcha, ele faz tudo sozinho. Ele tem computador de bordo, ar-condicionado, e tudo isso ajuda bastante”.

Perigo na estrada

Segundo Anderson, os caminhoneiros, durante seus trajetos, sempre enfrentam situação de risco na estrada. “Hoje, com a nova lei, que obriga os motoristas a fazerem pausas, isso é mais tranquilo, mas antigamente a gente viajava com muita pressão para chegar até o local de entrega no menor tempo possível e voltar também com tempo no limite. Como dizem por aí, manda quem pode, obedece quem precisa, e eu já precisei bastante para poder construir coisas para a minha família”.

Ele relembra que já chegou a viajar a semana inteira: sair na segunda-feira, viajar até Salvador, carregar em São Paulo, voltar para Salvador. “Era uma época de safra de uva. A empresa fica pressionando, o cliente quer que seja rápido, e você fica sem saída. Passei a semana inteira sem conseguir descansar direito, dormindo duas, três horas por noite, ou as vezes nem dormia”, conta.

Nessa horas, os sistemas de inteligência ajudam bastante. Um exemplo deles é aquele que, se o motorista sai da rota ou sai para o acostamento, ele é avisado de alguma forma, seja com vibração do banco ou apitando. “O caminhão também sinaliza no painel quando o motorista está cansado, com sono, e precisa encostar, descansar um pouco, antes de voltar para a estrada”.

Outra função que faz a diferença, segundo Anderson, é o sensor de distância para a frenagem. “Você regula qual a distância máxima quer ficar do veículo que está na sua frente e o caminhão freia sozinho”.

Anderson lembra ainda do perigo dos assaltos nas rodovias. “Já passei por situação de perseguição de carros, amigos também já sofreram com isso. Digo sempre para a minha esposa que todo dia a gente nasce de novo”.

Além de dirigir o seu caminhão, Anderson diz que é importante cuidar do próximo. “É preciso ter cautela. A gente sabe o que está fazendo atrás do volante, mas é preciso ter cuidado com os outros motoristas. A gente sabe que eles também são pais de família, as vezes tem criança pequena”. Ele disse que já passou por situações de estar fazendo uma curva, se deparar com outros veículos ultrapassando e precisar tirar o caminhão para o acostamento. “Sabe aquele momento que você só fecha os olhos? Quando abre, você pensa: passou! É assim”, explica. E, segundo ele, nessas horas só o freio salva. E quanto mais tecnologia, melhor.

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O motorista explica que o caminhão, para descer uma serra, por exemplo, é bem diferente de um veículo pequeno. Isso por causa do seu peso, que chega a mais de 50 toneladas, entre carga e caminhão. “O caminhão está descendo bem devagarzinho a serra, as pessoas estão estressadas, dando sinal de luz, se perguntando por que o veículo está tão devagar se tem tanta potência. Mas o freio do caminhão é diferente, é ferro com ferro, ele esquenta, sai faísca, sai fumaça e pega fogo”, diz. Ele conta que, nesses casos, as tecnologias de freio são imprescindíveis, como o retarder e o freio-motor, ligados diretamente ao motor. “É como se fosse um afogador. Ele afoga o motor e segura o caminhão”, diz.

O piloto automático, já citado anteriormente, também contribui para evitar qualquer tipo de acidente. “O motorista regula para 40km/h, e essa é uma velocidade que, com duas pisadas no freio, você consegue encostar. E o freio do motor entra aí. Você aciona o caminhão em uma marcha correta, coloca 40km/h no piloto automático e aciona o freio do motor. O veículo não vai sair disso, vai descer a serra inteira com segurança”.

Curso preparatório

Para a segurança, ele diz que o motorista deve estar sempre atento a troca de óleo e pneus, consumo de combustível. “E isso tudo é mostrado pelo computador de bordo dos caminhões mais novos”.

Ele conta que a tecnologia é tanta que, para pilotar alguns caminhões usando todos os recursos disponíveis, é preciso fazer curso para sair de dentro da agência. “O meu pai mesmo, que é motorista de caminhão aposentado, tem milhões de quilômetros rodados, e que me ensinou a profissão, foi viajar comigo. Quando ele entrou no caminhão, que era automático, perguntou: e agora, faço o quê?”, conta. “E esses caminhões novos são mais fáceis de dirigir do que um carro pequeno, mas é necessário conhecer toda essa tecnologia para depois desfrutá-la”, finaliza.

Fonte: Diário do Sudoeste




2 comentários em “Tecnologia colabora para o conforto de quem praticamente mora na estrada

  • 03/08/2014 em 09:24
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    Bom dia amigos,
    ,
    Estamos terminando um projeto que vem ao encontro da reportagem acima sobre mais conforto a bordo dos caminhões, após 3 anos de pesquisas chegamos a um projeto ideal que vai mudar o conceito de viajar de caminhão,,

    aguardem a surpresa,

    Saudações a todos,
    Robélius Moro,

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