Anfavea foca na renovação de frota e exportação

Em abril de 2013, quando assumiu a presidência da Anfavea, principal entidade da indústria automobilística, Luiz Moan tinha uma série de objetivos, mas o maior deles era ampliar as exportações dos veículos produzidos no Brasil. Naquele momento, o mercado interno ainda apresentava um bom desempenho. Hoje, Moan mantém seu plano de crescer no mercado externo, mas agora ele divide seu tempo na busca por soluções também para o fraco resultado do mercado doméstico.

Durante um congresso ontem em São Paulo, organizado pela Automotive Business, Moan informou que o governo federal deve lançar, ainda neste ano, uma política nacional de estímulo à renovação de frotas de veículos. A ideia da entidade é que o programa comece com as frotas mais antigas de caminhões, mas depois evolua para máquinas agrícolas e automóveis. Estados como São Paulo e Minas Gerais já lançaram incentivos para troca de caminhões antigos, mas a indústria tem cobrado do governo federal um programa nacional de renovação de frotas.

No governo o assunto é tratado com cuidado. Segundo fonte, há estudos oficiais para renovação da frota de veículos pesados, mas não contemplam veículos leves. Também não há data para lançamento, mas não deve ocorrer antes das eleições, até porque o estudo ainda estaria “incipiente”.

Conforme apurado, Ministério do Planejamento está contratando uma consultoria externa para fazer estudos sobre a melhor forma de adquirir frotas, dentro da política de fazer aquisições conjuntas para todo o Executivo. Essas contratações, porém, podem não ser compras de novos veículos, serão estudados desde locação, leasing até uso de cooperativas de táxi. Será escolhido o que for mais vantajoso para o governo. Esse processo só deverá ser feito no início do ano que vem.

Já no franco externo, a meta passou a ser dobrar o volume exportado para algo ao redor de 1 milhão de veículos por ano. E a despeito da conhecida falta de competitividade dos produtos brasileiros, os resultados se mostravam auspiciosos no primeiro ano da nova diretoria da Anfavea, quando as exportações, no embalo da demanda argentina e de um câmbio mais favorável, tiveram um período de recuperação.

Mas com o agravamento da crise na Argentina, destino de praticamente quatro a cada cinco veículos embarcados no Brasil, mais perdas em outros dois mercados tradicionais – México e África do Sul -, as exportações de veículos inverteram o rumo e acumulam queda superior a 35% em 2014.

Na tentativa de reverter o quadro, as montadoras vão se lançar a um périplo por países com potencial de consumir maior número de veículos produzidos aqui. Moan informou que a Anfavea está trabalhando com o governo numa agenda de negociações comerciais para levar veículos e autopeças brasileiros a outros mercados.

Segundo ele, as “missões” devem começar por países da América do Sul, como Colômbia, Equador e Peru, para depois avançar ao continente africano. O objetivo é estabelecer acordos de livre comércio. Conforme Moan, ainda que pequenos, esses mercados, somados, podem contribuir para a recuperação das exportações, assim como reduzir a dependência à Argentina. “O que importa para nós é a junção [desses mercados].”

Em geral, são países nos quais as montadoras terão menor dificuldade de entrada se comparados a mercados mais exigentes nos Estados Unidos e Europa, onde também existe a barreira tecnológica.

Paralelamente, a Anfavea deve iniciar em breve as negociações em torno do acordo automotivo com o México. O fim do regime de cotas e a volta do livre comércio entre os dois países está previsto para março de 2015.

A Anfavea já defendeu em público a retomada do livre comércio com o México. Mas vale lembrar que a revisão do acordo com os mexicanos, que resultou na aplicação das cotas há dois anos e meio, foi resultado de uma pressão do próprio governo brasileiro. Preocupado com o avanço do déficit comercial nas relações com o México nesse setor, o Brasil chegou a ameaçar o rompimento do acordo bilateral.

Nos próximos dois meses, a Anfavea deve abrir as negociações sobre esse tema com a Amia, entidade que defende os interesses das montadoras mexicanas.

Já as negociações com a Colômbia, segundo Moan, também devem acontecer neste ano. De acordo com o executivo, o acordo comercial com os colombianos estacionou num corte de metade da alíquota de importação de 35%. “Nós pedimos para o governo reabrir as negociações”, afirmou.

Em sua apresentação durante o evento, Moan, diferentemente de alguns analistas, disse não acreditar numa retomada das medidas de controle das importações pelo governo argentino com o agravamento da crise enfrentada pelo país vizinho.

Fonte: Valor Econômico Texto de Eduardo Laguna





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