Montadoras pegam carona no setor de agronegócio para alavancar vendas

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O bom desempenho do setor agropecuário tem sido decisivo para a composição do Produto Interno Bruto (PIB). Para se ter uma ideia, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia cresceu apenas 0,2% nos primeiros três meses deste ano na comparação com o trimestre anterior, puxada pela agropecuária, que apresentou expansão de 3,6%, enquanto o setor de serviços cresceu apenas 0,4%.

Diante do fraco desempenho da economia nacional, os agronegócios despontam como uma alternativa para diversos setores da economia, que pegam carona no segmento para alavancar as vendas. É o caso, por exemplo, das montadoras. “A economia brasileira, como um todo, tem grande influência do agronegócio. E isso tem reflexo também no setor de caminhões, já que cerca de 70% da carga brasileira é transportada por via rodoviária”, destaca o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan.

A produção de veículos foi o destaque do setor automotivo no ano passado. O segmento de caminhões foi um dos que mais cresceram dentro do setor automotivo no Brasil em 2013, puxado justamente pelo setor agrícola. Em 2013, o setor fechou o ano com produção de 187 mil unidades produzidas, expansão de 43% na comparação com 2012. A produção de veículos cresceu 9,9% no período, segundo a Anfavea.

No primeiro semestre deste ano, no entanto, as vendas recuaram cerca de 14%. O declínio não foi maior porque o segmento de caminhões extra-pesados (usados pelo agronegócio) caiu apenas 5%, enquanto o de caminhões leves (voltados para distribuição urbana) teve retração de 32%. A estimativa é que 25% do mercado de caminhões no País seja de produtos voltados para o setor do agronegócio. “Este é o setor que tem a menor queda”, diz o presidente da MAN Latin America, Antonio Roberto Cortes.

“No primeiro semestre, as vendas foram prejudicadas por problemas no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que por questões operacionais não funcionou entre dezembro e fevereiro”, destaca Moan. “Se isso não tivesse acontecido, estaríamos em um bom ano”, comenta o dirigente da Anfavea, ao afirmar que a expectativa é de alta de 5,8% no segundo semestre, mas que, com o desempenho ruim dos primeiros seis meses do ano, 2014 fechará com recuo de cerca de 13%.

Financiamento

O PSI é um programa do governo federal que libera crédito para aquisição de caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas, entre outros itens, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e é o mais usado para financiamento. Isso porque conta com juros subsidiados pelo governo e, por isso, tem taxa bastante atraente. A taxa de juros é de 6% ao ano para a compra de caminhões e o prazo máximo para pagamento é de até dez anos. A estimativa é que 90% dos financiamentos de caminhões no País sejam realizados com recursos do banco de fomento.

Paulo Martins, gerente do departamento de financiamento a máquinas e equipamentos da Área de Operações Indiretas do BNDES, explica que, apesar de a verba ser do BNDES, quem dá o crédito é o agente financeiro. “Por isso, recomendamos que a pessoa vá até o banco com o qual já tem relacionamento e fale com o seu gerente”, sugere. Vale ressaltar que, como o financiamento é feito diretamente nos bancos, cabe a eles avaliarem o grau de risco do cliente e, por isso, os juros podem ter variação, dependendo do grau de risco do tomador de crédito.

O spread bancário também contribui para dificultar a concessão de crédito. “Os recursos vêm do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador] e, por isso, é necessário ter as obrigações tributárias em dia. Também só são financiados produtos nacionais. Mas as taxas de juros são excelentes, é o que tem de melhor”, afirma Gilson Mansur, diretor de vendas e marketing de caminhões da Mercedes-Benz. E o também gerente do departamento de financiamento a máquinas e equipamentos da Área de Operações Indiretas do BNDES Mauro Lopes comenta que, desde agosto de 2013, o financiamento de caminhão para o produtor rural se intensificou. O setor pediu o auxílio do governo com o intuito de reduzir o custo de frete. “Mas vale ressaltar que é permitido o financiamento máximo de até três caminhões, pelo contrário fugiria do objetivo do programa”, destaca Lopes.

Em 2012, o número de operações realizadas pela instituição financeira atingiu o montante de 137 mil operações; em 2013 foram 127 mil; e até abril deste ano contabiliza 38 mil operações. Já os desembolsos realizados pelo BNDES atingiram R$ 18,6 milhões em 2012; R$ 26,9 milhões em 2013; e R$ 9 milhões nos primeiros quatro meses do ano. “Em 2014 tivemos um avanço bastante expressivo, porque havia uma demanda reprimida”, destaca Lopes. Além do financiamento pelo BNDES, o produtor que pretende adquirir um caminhão tem à sua disposição diversas linhas de crédito, como o Crédito Direto ao Consumidor, consórcio e leasing.

Fonte: DCI





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