Na ponta do lápis

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (7)




A tarefa de controlar as despesas de viagem, manter uma vigilância severa sobre o consumo de combustível, pedágios e outros itens referentes à manutenção, sem falar em gastos mais pesados na compra de pneus ou com reparos do caminhão, devem, teoricamente, fazer parte do dia a dia do estradeiro, mas que quase sempre fica restrita a empresas mais bem organizadas. Vale lembrar que numa atividade extremamente competitiva, como o transporte rodoviário de cargas, tudo precisa ser muito bem observado e controlado.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (9)Eder Frederico Rempel, o Baixinho, natural de Chapecó/SC, 34 anos e 16 de profissão, trabalha com um com baú frigorífico rodando na rota Rio Grande do Sul – Mato Grosso. Por ser motorista empregado as despesas básica são pagas pelo patrão, por isso não precisa se preocupar em guardar comprovantes para a prestação de contas. Explica que o abastecimento do caminhão é feito em postos credenciados, nos quais apenas assina a nota fiscal, enquanto os pedágios são pagos com cartão e a manutenção é feita sempre no retorno de cada viagem. E se precisar de um dinheiro extra, o patrão deposita na conta bancária. Porém, garante que o controle de despesas é feito, porque escuta sempre comentários sobre o custo do combustível e por isso afirma dirigir de forma econômica. “O caminhão faz uma boa média, mas o combustível custa muito caro. No Mato Grosso chega a ser um exagero”, comenta.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (5)Já o gaúcho Milton Carboni, natural de Sarandi, 54 anos de idade e há 26 no trecho, confessa que nunca fez um acompanhamento das despesas de viagem, para não ficar aborrecido e acabar largando tudo. Mas, reconhece que tem de começar a fazer um controle melhor das despesas. Em sua rotina de trabalho não costuma viajar para longe ou ficar muito tempo fora de casa. Diz que gasta apenas o necessário, porém, admite não ser organizado em suas finanças. Em relação aos custos, acredita que pelo menos 50% do valor do frete é consumido só pelo combustível. Enfim, não sabe ao certo quanto ganha ou quanto gasta, mas promete que vai ter um controle melhor daqui para frente.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (3)Todas as despesas do carreteiro Jonas Ramos da Veiga, 27 anos de idade e sete de profissão ficam anotadas numa planilha especial, junto com as notas fiscais que comprovam os gastos, para uma posterior prestação de contas na empresa. Natural de Soledade/RS, ele faz viagens curtas dentro do Estado do Rio Grande do Sul e leva “tudo na ponta do lápis”, conforme afirma. Em sua planilha registra a quilometragem percorrida, hora e tempo das paradas, e mesmo assinando as notas do combustível nos postos conveniados, anota os valores e anexa os comprovantes. Tudo muito certo. Dependendo da viagem e do tempo previsto, ele recebe um valor em dinheiro para as despesas. A empresa providencia a carga, trabalha sem pressão e passa os finais de semana em casa, “tudo numa boa”.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (8)Catarinense de Blumenau, Reimar Timm, conhecido pelos colegas como Garrafão, tem 56 anos de idade e 36 de profissão trabalha com baú frigorífico viajando para onde houver carga. Utiliza um diário de bordo para anotar todas as despesas e informações da viagem, como quilometragem, hora e tempo das paradas. Recebe um valor fixo para as despesas com alimentação ou extras e costuma abastecer em postos conveniados, assinando a nota, Nos pedágios utiliza o cartão Via Fácil. Afirma que em alguns trechos dá para fazer a viagem de ida e volta com o mesmo combustível com que abasteceu na empresa. Apesar de todo esse controle, Reimar diz que não costuma ligar muito para os horários impostos pela Lei do Descanso, dirigindo de acordo com uma programação própria de paradas para descanso, refeições ou para dormir. Destaca que por trabalhar com cargas agendadas, muitas vezes é preciso tocar sem parada para chegar no horário, embora depois fique muito tempo à espera para carregar ou descarregar.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (6)O carreteiro Márcio da Silva, de Araranguá/SC, 43 anos de idade e 28 de profissão, também recebe um valor fixo para as suas despesas diárias, sem a necessidade de prestação de contas. A não ser que precise de um extra e tenha de recorrer ao patrão. Ele viaja com um bitrem pelos três Estados do Sul, São Paulo e Mato Grosso e abastece em postos conveniados e apenas as notas fiscais e os pedágios são pagos com sistema eletrônico. Não sabe o custo e nem o lucro de cada viagem, embora avalie que o combustível seja o grande vilão no total das despesas, principalmente pela grande defasagem existente entre os valores pagos pelos fretes. Costuma fazer o próprio horário de direção, parando conforme as necessidades ou quando se sente cansado. E, como trabalha com um caminhão grande, quase sempre tem dificuldades para encontrar um lugar adequado para estacionar.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (1)Conhecido como Periquito, o carreteiro Marcelo Walendorff Antunes, tem 31 anos de idade e está há apenas quatro no trecho. Natural de Soledade/RS, suas viagens são somente dentro do Estado e as cargas são providenciadas pela empresa, a qual só o avisa aonde deve carregar. Normalmente recebe adiantamento para os gastos pessoais e abastece nos locais autorizados assinando a nota fiscal. Afirma que até hoje nunca aconteceu de ficar sem dinheiro durante uma viagem ou teve problemas com prestação de contas. “Tudo é muito simples e sem a necessidade de apresentação de notas, a não ser com gastos extras, o que não acontece”, afirma.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (4)Adilson Carlos de Almeida, o Pelanquinha, 55 anos de idade e 35 de profissão, natural de Lages/SC, viaja por todo o Brasil com uma carreta e diz que não tem um controle muito rígido para as despesas de viagem. Recebe um adiantamento, abastece o caminhão pagando com o cartão ou em dinheiro. Conforme explica, para economizar ele mesmo prepara as refeições na caixa-cozinha “ou chega em casa sem dinheiro”, explica. Guarda as notas fiscais do combustível, comprovantes de pedágios ou qualquer outro gasto, e ao final de cada viagem faz a prestação de contas, “sem nenhum problema”.

Despesas de viagem - Revista O Carreteiro (2)Aos 26 anos de idade e três de estrada, Gabriel Perosa Spineli, natural de Arvorezinha/RS, trabalha com uma caçamba transportando grãos, adubos ou minérios. Garante que viaja sem a preocupação de elaborar uma planilha de custos ou um diário de bordo. Isso porque a empresa lhe dá um adiantamento para as refeições ou despesas extras, e ele só precisa ficar dentro desse valor. Se gastar mais, é por conta dele. Quando abastece precisa apenas assinar a nota fiscal e as passagens nos postos de pedágio são pagas pelo sistema eletrônico. “É tudo muito fácil”, afirma.

Fonte: Revista O Carreteiro – Edição 477 Texto de Evilazio de Oliveira




4 comentários em “Na ponta do lápis

  • 04/08/2014 em 22:11
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    Posso dar a dica de fazer a troca do filtro de combusítvel pelo PURIFILT.
    Não resolve todos os problemas mas ajuda muito nas manutenções e na economia de combustivel.

  • 03/08/2014 em 01:29
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    Por não fazer as contas, a maioria fica aceitando dar carona pra carga ou aceitando o famigerado “frete retorno” se todos fizerem as contas vão perceber que estão perdendo o que já tem adquirido, infelizmente a maioria não faz essas contas e vão aceitando trabalhar de graça para as transportadoras.

  • 01/08/2014 em 21:53
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    Se o motorista levar a despesa na ponta do lapis, desgaste de pneus, motor, trocas de oleo, filtro, borracheiro, pedágios, descarga,, combustivel, lonas de freio etc, etc.ele começa a coçar a cabeça não dorme, e encerra a profissão, e vai vender pastel na feira. Foi o que aconteceu comigo.

    • 02/08/2014 em 12:57
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      Falou tudo meu amigo,se fizermos conta de todos o gastos ficaremos loucos!

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