O Brasil está se desindustrializando

Marcopolo - José Rubens de La Rosa




Com uma produção anual de mais de 30 mil ônibus, a Marcopolo completa nesta semana 65 anos. E pensar que em 1949, quando nasceu, a empresa demorou três meses para fazer a primeira carroceria.

A gigante caxiense surgiu com o nome de Nicola & Cia e contava com apenas 15 funcionários. O nome Marcopolo veio em 1971, em homenagem ao navegador Marco Polo, que passou 24 anos integrando culturas e explorando caminhos.

Nesta segunda-feira, a reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) foi em comemoração ao aniversário da empresa e contou com a palestra do CEO da Marcopolo, José Rubens de La Rosa. O executivo, que preside a Seção Brasileira do Conselho Empresarial dos BRICS, revelou no encontro que a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade da qual faz parte, tem apresentado aos principais presidenciáveis algumas propostas para melhorar a competitividade do país, como maior eficiência no sistema tributário e aumento de investimentos na infraestrutura. De La Rosa foi o responsável para levar as sugestões a Eduardo Campos (PSB).

— A indústria vem diminuindo muito a participação no PIB do país, o que mostra que estamos desindustrializando. Precisamos de uma liderança presidenciável nessa questão — destacou.

Confira alguns trechos da entrevista de De La Rosa:

Quais os principais atributos da marca Marcopolo que permitiram chegar aos 65 anos tão saudável?
De La Rosa: A marca se consolidou ao longo de todos esses anos como uma marca de confiança. Confiança no sentido amplo da palavra. Nossos clientes confiam nos nossos produtos, que são feitos com qualidade, com dedicação, que visam entregar realmente uma possibilidade de negócios aos nossos compradores. Os passageiros confiam na qualidade, na segurança do produto. Os nossos colaboradores confiam na empresa que trabalham. Então, confiança por trás de tudo, confiança, transparência, consistência, trabalho duro. Tudo isso construiu uma marca vitoriosa.

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Quais desses atributos o senhor aplicaria em uma gestão pública, em busca de um Estado mais eficiente?
De La Rosa: Em todos os momentos temos que buscar com nossos pares o estabelecimento da confiança, em qualquer aspecto. Se você é um administrador público, provavelmente você foi eleito porque confiaram em você, é preciso fazer jus a essa confiança entregando aquilo que você se comprometeu. A confiança desenvolve entre todas as pessoas o sentido de cooperação. A gente não coopera com aquilo que não confiamos. E cooperar é que faz a sociedade mais forte e melhor.

Algumas unidades da Marcopolo, a exemplo de outras grandes empresas, estão deixando Caxias do Sul, ou expandindo atividade para outros estados, e não aqui. A desindustrialização chegou? Como freá-la ou pelo menos não acelerá-la?
De La Rosa: Não vejo dessa forma. O que há efetivamente é outros negócios sendo feitos em outros locais sem impactos relevante nas atividades aqui em Caxias. As fábricas aqui em Caxias, ao que me consta, especialmente as grandes, seguem mantendo seus trabalhos inalterados. Alguns novos negócios são gerados em outros ambientes por questões de frete ou outras questões nesse sentido. Não estou dizendo, por outro lado, que o ambiente industrial de Caxias não precisa ser revigorado. Acho que o ambiente industrial caxiense precisa ser repensado para restabelecer questões de maior competitividade, as mesmas questões que afetam o Brasil afetam também Caxias, como custo do trabalho, regras trabalhistas, custo de energia, custo de logística, segurança jurídica. Todas essas questões merecem da mesma maneira serem endereçadas. Não vejo, portanto, essa linha de que há desindustrialização isolada em Caxias, mas sim que falta incentivos gerais para o setor.

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Fonte: Jornal Pioneiro




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