Aprendendo sobre eixos e diferenciais

por Blog do Caminhoneiro

No início de junho, participei de um curso sobre manutenção de eixos e diferenciais. Embora minha “praia” sejam os pneus, tenho interesse por tudo o que se relaciona com transporte, pois no dia a dia e em função dos pneus, acabo tendo contato com as áreas de manutenção das empresas.Além disso, é sempre interessante ter uma noção do universo de nossos interlocutores. Mesmo não sendo um especialista, é possível manter uma conversação a respeito de diversos assuntos.

Muito bem conduzido e apresentado por um instrutor que domina o assunto e respondeu com segurança às perguntas formuladas pelo dez participantes, tive oportunidade de entender conceitos que leio em revistas especializadas, mas que não esclarecem adequadamente.

Eixos Tandem, diferencial principal ou entre eixos, com simples ou dupla velocidade, ou com redução nos cubos, bloqueio do diferencial, e por aí vai. Como são construídos, quais suas funções, nomenclatura e muitos outros assuntos.

Um dos pontos mais interessantes foi sobre a relação de redução, ou seja, como é feito o cálculo e quando se deve escolher entre uma mais longa ou mais curta. E é neste ponto que os dois assuntos se encontram: diferenciais e pneus.

Primeiro, porque os pneus estão na extremidade final do trem de força, sistema formado pelo motor, transmissão, cardan, diferencial e, no ponto de contato com o solo, os pneus. São eles que transformam a energia obtida na combustão no interior dos cilindros em força e movimento.

Segundo, porque ambos podem ser vítimas dos mesmos males: sobrecarga, mau uso, falta de manutenção, uso inadequado e danos causados por operação incorreta por parte do condutor.

Assim como os pneus, o diferencial sofre com trancos e patinagem e também com sobrecarga. Quanto à manutenção, ônibus urbanos e caminhões em operações especiais ou severas requerem maiores cuidados do que similares em uso rodoviário em média e longa distâncias, devido ao anda e para mais frequente.

Uma das causas de desgaste acelerado no diferencial é quando, por deficiência na calibragem, os pneus apresentam diâmetros diferentes, embora sejam de mesma medida. Nesta situação, é como se os que estiverem com diâmetro menor estivessem numa curva eterna, girando mais vezes do que os do lado oposto. O resultado disso é que o óleo no interior do diferencial superaquece (a temperatura normal de trabalho é 90ºC) e se degrada, perdendo eficiência, e, com isso, resultando em desgaste violento das engrenagens satélite e planetárias, das arruelas, da cruzeta, e por aí vai.

A diferença máxima admitida entre os pneus de um lado e de outro é de 6 mm na altura ou 19 mm no diâmetro.

No caso da sobrecarga, em especial quando está mal distribuída com mais carga de um lado que do outro, como acontece com betoneiras, quando carregadas, e em caminhões de distribuição, o peso faz com que a carroceria se incline para o lado com mais peso, e os pneus, pela deformação causada pelo peso excessivo, apresentam diâmetro menor do que o do lado oposto, resultando nos problemas descritos.

Isso é muito comum em distribuição urbana, mesmo que ao sair da base a carga esteja por igual. À medida que as entregas são

realizadas, o peso se torna irregular. Em algumas atividades, como entrega de material de construção, é comum já sair da base desequilibrado, com maior peso no lado direito. Em outras, como na distribuição de bebidas, o desequilíbrio vai sendo provocado ao longo da rota.

No caso de ônibus urbanos, o hábito das pessoas é ficar mais no lado direito, seja porque é o lado das portas na maioria dos casos, seja para ver o movimento nas calçadas e as ofertas nas vitrines.

Com exceção dos ônibus, os demais casos são administráveis se houver determinação, vontade e responsabilidade, tanto de quem programa as rotas quanto de quem faz o carregamento na base e o descarregamento durante o percurso. É tudo uma questão de logística, algo que muita gente diz que tem, mas poucos realizam.

Um caminhão dito vocacional, construído especificamente para atender a aplicações severas em que a principal exigência é ter torque, força para deslocar pesos elevados ou vencer relevos acidentados, a relação do diferencial é longa, alta. Quando a principal exigência é a velocidade, a relação é menor, curta. Mas quando converso com motoristas, são comuns os relatos em que o setor responsável pelo tráfego lhes cobra velocidade. É só observar nas vias a velocidade desenvolvida por betoneiras, caminhões de lixo e basculantes quando o trânsito permite. Canavieiros nas estradas, então, são exemplos clássicos. São todos veículos desenvolvidos para ter força e não velocidade.

Fonte: Editora Na Boléia Texto de Pércio Schneider

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1 comentário

Daniel Soares 05/09/2014 - 10:57

Ótima matéria, nunca havia me passado pela cabeca que a falta de distribuição do peso não só prejudica a suspensão, como desgaste precoce dos pneus daquele lado e claro, se for em cima dos eixos e diferenciais, tem a desgastá-los mais também… Se tiver mais material de aprendizado assim, seria otimo!

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