Dano em ponte retarda viagem para Corumbá-MS

O estrago provocado pela embarcação paraguaia que se chocou dia 26 passado num dos pilares da ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Morrinho, travessia que liga à cidade de Corumbá, fronteira com a Bolívia, tem retardado, em média, em seis horas as viagens dos caminhoneiros que transportam cargas pesadas, minérios, e outras. O acidente na ponte, o segundo desde 2011, ainda é investigado, mas o conserto da estrutura de concreto de quase dois quilômetros de extensão não fica pronto antes de dezembro, informou Rodrigo Giovani, supervisor da Porto Morrinho, concessionária que cuida da ponte.

Sexta-feira passada, pela manhã, a reportagem acompanhou a rotina dos motoristas que dirigem as carretas conhecidas como bitrem, cuja carga pesa acima de 30 toneladas. Por determinação da concessionária, os bitrens não podem transitar por inteiro pela ponte. Antes da travessia é preciso que o motorista desmembre a carga, siga até o fim da ponte, deixe lá uma carroceria, depois retorne para catar a outra. Outros veículos têm trânsito livre. Essa tarefa exige seis passagens pela ponte, considerando as idas e vindas. Arley Dionísio, 62, 43 dos quais dedicados à profissão de motorista, fazia isso, na sexta-feira. Ele transportava no bitrem 36 toneladas de minério que seguiam de Corumbá para o interior de São Paulo.

“Isso aqui está prejudicando a todos, já tem empresa evitando esse trajeto”, disse ele. No caso, não é que os motoristas buscam outras alternativas para o transporte e, sim, que estão desistindo da viagem. A ponte Porto Morrinho é o único acesso rodoviário capaz de ligar as mineradoras de Corumbá a outras regiões do País. Alexandre Modolon, 31, seguiria viagem de Corumbá a Barbacema, interior paulista. Ele também chiou: “o desgaste [por ter de desengatar as carrocerias antes de atravessar a ponte] é terrível. Imagine, depois daqui tenho ainda dois dias de viagem”. O paranaense Valdemir Kluck, 43, 15 de estrada, reclamou pela falta de estrutura ofertada aos motoristas na hora de engatar e desengatar as cargas nos bitrens. “Não temos nenhum amparo”, queixou-se.

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Para desengatar os conhecidos cavalos dos caminhões, ao menos até sexta-feira, os motoristas buscavam no mato pedaços de madeira que serviam de suporte acomodado entre o chão e o braço de ferro que equilibra a carga transportada por Kluck. “Já pensou se isso [cavalo] se enrosca, ou coisa assim, cai tudo [em torno de 22 toneladas] imagine o estrago?”, reclamou o motorista.

Os caminhoneiros Neir Pereira, 53 e Marcos Aquino, 43, que também seguiam pela ponte danificada disseram que para cumprir o trajeto tiveram de reduzir a carga transportada. Os bitrens, por regra, transportam até 57 toneladas de carga. No caso, segundo Marcos Aquino, ele diminuiu para 44 toneladas de calcário que transportaria para Porto Alegre (RS) por recomendação da empresa que trabalha.

Fonte: Correio do Estado




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