Avaliação de riscos é primordial para a construção de fábricas no Brasil

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Não basta ter um bom projeto e dinheiro para tocar a obra de uma fábrica. O planejamento envolve assessoria altamente especializada nas áreas ambiental, contábil e jurídica (o que acaba custando muito), sob pena de colocar em risco a rentabilidade das operações.

Foi o que aconteceu com a JAC Motors do Brasil. O início da construção de sua primeira fábrica no País atrasou cerca de um ano. Apesar de não atribuir “culpa” ao governo, a montadora admite que todo o transtorno começou com um atraso de quase quatro meses na obtenção de licenças ambientais.

Após este período, a companhia chinesa registrou outros problemas, como mudança na constituição acionária, o que atrasou também a obtenção do financiamento que faltava para dar inicio ao empreendimento.

“Devemos começar a obra em meados de novembro”, informou a montadora. Enquanto isso, a cota de veículos que podem ser vendidos sem o aumento de 30 pontos percentuais do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) foi suspensa pelo governo federal.

“Como nossa projeção de vendas para o ano está abaixo da nossa cota, isso não nos preocupa”, informa a JAC.

Para o sócio fundador do escritório Lobo e de Rizzo, José Orlando A. Arrochela Lobo, construir uma fábrica no Brasil é uma verdadeira corrida de obstáculos.

“Cada etapa demanda uma avaliação minuciosa dos riscos. É um trabalho imenso atender a todos os órgãos envolvidos”, afirma o advogado.

Com experiência na assessoria jurídica das plantas da Mercedes-Benz, de motores da Volkswagen e de caminhões de sua subsidiária MAN Latin America, entre outros empreendimentos no País, Lobo afirma que existe uma enorme teia de requisitos que precisam ser cumpridos.

“Muitas vezes, os conflitos ocorrem até mesmo entre órgãos da mesma esfera”, destaca. “Para executar projetos desse porte, no Brasil, não é permitido errar na contratação de pessoal especializado”, diz.

Lobo pondera que a legislação ambiental é um dos aspectos mais importantes no projeto de uma fábrica. “Trata-se de um processo muito demorado para obter todas as licenças e, nesse meio tempo, existe uma enorme pressão dos investidores”, acrescenta o advogado.

Ele ressalta que a legislação ambiental brasileira é sofisticada. “Porém, nem sempre é aplicada com a celeridade compatível com o mundo empresarial”, complementa.

A japonesa Aisin, que está construindo uma fábrica de componentes automotivos em Itu (SP), está sentindo as dificuldades de se construir uma planta industrial no País.

“Em comparação ao Japão, os custos acabam sendo maiores, pois precisamos contratar assessoria especializada”, afirma o diretor presidente da Aisin Automotive do Brasil, Takeshi Osada.

Segundo o executivo, não é possível que uma empresa consiga enfrentar todo o procedimento burocrático para obter as licenças necessárias sozinha. “Além do custo financeiro, existe a questão da demora, o que onera muito a operação”, destaca Osada.

De acordo com o executivo, os processos de fundição de alumínio da nova planta irão gerar efluentes e a legislação exige o seu tratamento. “As exigências são bastante duras, mas estamos atendendo a todos os requisitos”, garante.

Estrutura onerosa

Para o sócio do Lobo e de Rizzo, outros custos oneram ainda mais o início das operações industriais no País, assim como ao longo de sua vida útil.

“A lógica do Brasil é perversa. Tudo custa muito caro e, às vezes, as empresas perdem competitividade internacionalmente”, destaca.

“É diferente ter apenas uma operação comercial e abrir uma fábrica por aqui”, diz o advogado. “É preciso levar em conta todos os custos, mesmo com incentivos fiscais, porque a estrutura brasileira é cara como um todo, assim como a logística”, complementa.

Lobo ressalta que, ainda assim, o mercado brasileiro deve continuar a atrair investidores. “Com muito cuidado na avaliação dos riscos, as empresas conseguem levar seus projetos à frente”, opina.

Fonte: Diário do Comércio Indústria & Serviços Texto de Juliana Estigarríbia





Um comentário em “Avaliação de riscos é primordial para a construção de fábricas no Brasil

  • 11/10/2014 em 13:03
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    Quem paga esta conta? o povo brasileiro…..! com toda certeza o produto sai mais caro.

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