MAN pede agilidade do governo

por Blog do Caminhoneiro

Foto Guilherme ZontaA recuperação da indústria brasileira depende da agilidade da presidente Dilma Rousseff na definição de novas políticas econômicas já para 2015. Essa é a avaliação de Roberto Cortes, presidente da MAN, fabricante de caminhões e ônibus da marca Volkswagen em Resende, no sul do Rio de Janeiro. A empresa vem trabalhando com uma capacidade ociosa na faixa dos 50% e espera definir nos próximos meses o futuro dos 200 trabalhadores que estão com contratos suspensos (em “layoff”) até janeiro.

“O que esperamos, fosse com Dilma ou Aécio no governo, é que sejam tomadas medidas para a retomada do crescimento. Precisamos de medidas para recuperar a confiança do investidor, como, no nosso caso específico, investimentos em infraestrutura e o programa nacional de renovação de frota. Vemos com bons olhos o controle mais forte da inflação e a definição da equipe econômica e das políticas econômicas”, disse Cortes.

O executivo defende que a escolha do novo ministro da Fazenda seja feita com critério. “Precisamos de pessoas com conhecimento específico sobre a economia. Temos um plantel de bons nomes. O que não falta são bons profissionais”, comentou.

O presidente da MAN vê com bons olhos políticas que preservem o controle da inflação, o superávit primário e o câmbio flutuante conduzido pelos últimos governos. “O tripé econômico não deve mudar. Precisamos é de um rigor maior na sua manutenção”, defendeu.

Cortes espera que a indústria brasileira volte aos trilhos a partir do ano que vem. “A tendência natural é que 2015 seja um ano melhor, não por causa de mudanças substanciais na economia, mas por conta daquilo que não cresceu este ano”, projetou o executivo, que, apesar do ano ruim, prevê manter o plano de investimentos 2012-2017, de mais de R$ 1 bilhão, de olho no potencial de longo prazo do mercado brasileiro.

De acordo com o presidente da MAN, as vendas de caminhões estão caindo 14% este ano. Já as exportações estão 25% menores, impactadas pela crise na Argentina. A expectativa da empresa é que as vendas no Brasil totalizem 130 mil caminhões este ano.
“Começamos o ano projetando um crescimento nas vendas, de 4% a 5%, para algo em torno de 160 mil caminhões. Não sabíamos que 2014 seria tão difícil. Houve uma redução de 20% nas vendas em relação às expectativas iniciais”, comentou Cortes.

A fábrica da companhia em Resende, segundo Cortes, poderia estar produzindo muito mais. A MAN já deu dois períodos de férias coletivas este ano e prevê uma terceira parada, de 20 dias, em dezembro, para ajustar os estoques da empresa. O nível atual de estoques de Resende é de 42 dias, acima da média de 30 dias.

Fonte: Valor Econômico

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