Montadoras esperam que novembro traga boas novas

Linha de montagem - International Caminhões




A indústria de veículos espera dar nas próximas semanas dois passos decisivos para poder vislumbrar um futuro mais promissor do que se mostra a triste conjuntura atual, marcada por queda de dois dígitos na produção e cortes em postos de trabalho. O primeiro vai na direção da urgente diversificação da pauta de exportações do setor, com a apresentação de uma proposta de abertura comercial com a Colômbia.

Desde o fim de agosto, a Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no país, se lançou a um périplo por países com potencial de consumir veículos brasileiros para costurar novos acordos comerciais e, dessa forma, reduzir a dependência das frequentemente tensas relações com a Argentina.

O ponto de partida das “missões” da Anfavea é justamente a Colômbia. Representantes da indústria automobilística do Brasil já tiveram dois encontros com a iniciativa privada colombiana para discutir avanços num acordo comercial entre os países que estacionou no corte de metade da alíquota de importação de 35%. A ideia é encaminhar no mês que vem uma proposta aos governos.

A partir daí, a entidade vai buscar mais acordos do tipo com outros países da América do Sul, como Uruguai, Equador e Peru, além da África, para onde pretende expandir as exportações de tratores agrícolas.

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No meio do caminho, também há uma negociação com o México, com quem as montadoras querem restabelecer o comércio livre de cotas, já que o acordo que colocou um teto para as transações comerciais com os mexicanos isentas do imposto de importação vence em março, após três anos. Nesse caso, contudo, mais do que expandir as exportações, o maior interesse das montadoras é poder importar novamente sem restrições os veículos produzidos por fábricas de suas multinacionais no México.

O segundo passo previsto pelo setor está relacionado à recuperação do mercado doméstico. Em entrevista coletiva à imprensa na semana passada, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse aguardar até a primeira semana de novembro a aprovação do projeto de mudança no Código Civil que vai facilitar a recuperação dos veículos de consumidores inadimplentes.

A modernização da legislação para agilizar os processos de retomada do bem – hoje os bancos levam até sete meses para recuperar carros, isso quando conseguem – é tida como fundamental para melhorar o apetite das instituições financeiras pelos financiamentos a automóveis ao minimizar custos, burocracia e riscos dessa operação. A ideia é que os consumidores passem, em contrato, a autorizar os bancos a pegar de volta veículos financiados nos casos de calote.

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Por enquanto, as medidas lançadas pelo governo desde julho para irrigar o mercado de crédito, com liberação de depósitos compulsórios e flexibilização nas exigências de capital dos bancos no financiamento ao consumo, mostram efeitos limitados no intuito de aquecer o consumo de veículos.

Apesar de algumas leituras positivas sobre o avanço de quase 9% do mercado na passagem de agosto para setembro, as vendas de carros no mês passado ficaram aquém das expectativas da indústria e num ritmo diário ainda baixo. A média inferior a 13 mil automóveis e utilitários leves licenciados por dia útil praticamente manteve a toada dos três meses anteriores, o que incluí um período fortemente abalado pelo esvaziamento das concessionárias com a realização da Copa do Mundo.

Em relatório publicado após a divulgação dos resultados de setembro pela Anfavea, o banco UBS avaliou que, embora a indústria dê sinais de que está perto do fundo do poço, sua recuperação deve se dar de forma apenas gradual – ou seja, não esperem grandes saltos.

Fonte: Valor Econômico Texto de Eduardo Laguna




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